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Apresentação
(Equipe
do Núcleo de Integração Universidade Escola da
Pró-Reitoria de Extensão da UFRGS - NIUE/UFRGS)
A série Ler e
escrever: compromisso da escola, a ser apresentada de 12 a 16 de
agosto no Programa Salto para o Futuro, da TV Escola, é composta por
cinco programas dedicados a refletir sobre a leitura e a escrita como
aprendizagem a ser promovida por todos os professores, e não ex-clu--si-va--men-te
pelo professor de Língua Portuguesa.
Em que consiste o ler
e o escrever nas diferentes áreas do currículo escolar? Com o intuito de
discutir e aprofundar este tema, a equipe de professores do Núcleo de
Integração Universidade & Escola, da Pró-Reitoria de Extensão da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, elaborou o livro Ler e
escrever: compromisso de todas as áreas, publicado em 1998 pela
Editora da Universidade/UFRGS. O livro já se encontra em sua 4ª edição
e é nele que se inspiram os programas dessa série.
A série tem por
objetivo dar ênfase à reflexão sobre a leitura e a escrita como
compromisso de toda a escola, desde a biblioteca, a aula de Português e
todas as demais áreas/disciplinas do currículo escolar. É sempre bom
lembrar que o compromisso de
toda a escola em ensinar a ler e escrever constitui condição indispensável
à formação do estudante e ao exercício da cidadania. Por isso, as
diferentes áreas de conhecimento, agrupadas aleatoriamente, procurarão,
de acordo com a programação apresentada a seguir, refletir a respeito do
ler e do escrever como questões específicas do seu fazer, como forma de
ensinar a pensar e como possibilidade de estabelecer relações
interdisciplinares que certamente enriquecerão a prática pedagógica
Justificativa
Ensinar a ler e a
escrever são tarefas da escola, desafio indispensável para todas as áreas/disciplinas
escolares, uma vez que ler e escrever são os meios básicos para o
desenvolvimento da capacidade de aprender e constituem competências para
a formação do estudante, responsabilidade maior da escola.
Ensinar é dar condições
ao estudante para que se aproprie do conhecimento historicamente construído
e se insira nessa construção como produtor de conhecimentos. Ensinar é
ensinar a ler para que se torne capaz dessa apropriação,
pois o conhecimento acumulado está, em grande parte, escrito em livros,
revistas, jornais, relatórios, arquivos. Ensinar é também ensinar a escrever,
porque a produção de conhecimento se expressa, no mais das vezes, por
escrito.
Numa primeira instância,
ler e escrever é alfabetizar, levar o aluno ao domínio do código
escrito. E é sempre bom levar em conta o que nos dizem as atuais
pesquisas sobre o processo de alfabetização. Ao alfabetizar-se, o aluno
não está apenas transpondo a língua que já fala para um outro código,
mas está aprendendo uma outra língua, a língua escrita, isto porque a língua
que falamos não é a mesma que escrevemos, havendo, assim, aprendizagens
específicas que devem ser consideradas por nós, professores.
A
escola vem se constituindo como espaço privilegiado para a aprendizagem e
o desenvolvimento da leitura e da escrita, já que é nela que se dá o
encontro decisivo da criança com o ler e o escrever. Para muitas crianças
de nosso país, a escola é o único lugar onde há livros, ou a sala de
aula o lugar onde os alunos não estão voltados apenas para a televisão.
Assim, cabe a ela a tarefa de levar o aluno a ler e escrever, a atrever-se
a persistir nesta aprendizagem entre ensaio e erro, a construir suas próprias
hipóteses a respeito do sentido do ele lê e do que escreve, a assumir
pontos de vista próprios para escrever a respeito do que vê, inclusive
na TV, do que sente, do que viveu, do que leu nos diversos suportes que
existem, do que ouviu em aula e do que vê no mundo, promovendo em seus
textos um diálogo entre vida e escola, mediado pelo professor, um leitor
mais experiente. É na escola que a própria TV pode ser vista de uma
forma não apenas lúdica, mas também crítica. É na escola que se pode
promover, por meio da leitura, as diferentes aprendizagens de cada área
de conhecimento e do mundo. Não é, portanto, uma tarefa simples e, no
entanto, possui um grandioso alcance na vida de todo e qualquer estudante:
crianças, jovens e adultos.
Sem
estudantes vivenciando oportunidades sistemáticas de leitura, escrevendo
e dialogando, a escola correrá o risco de restringir-se à reprodução.
Essa, aliás, é uma prática que cada vez mais tem sido rejeitada: as
atividades de leitura e escrita, nas diversas modalidades, transformadas
em ritual burocrático, no qual o estudante lê sem poder discutir, lê
sem compreender, responde questionários mecanicamente e escreve textos
buscando simplesmente concordar com o professor ou a professora. O que se
deseja é que estudantes, e também professores,
possam constituir-se como leitores e produtores de textos.
Professores e alunos leitores são capazes de produzir a sua
escrita, a sua comunicação no mundo, são a chave de qualquer
possibilidade de mudança nas práticas tradicionais e repetitivas de
leitura e escrita. Para isso, todos os professores, não só o de Português,
mas também os de Geografia, Matemática, História, Música, Ciências,
Educação Física, Língua Estrangeira, Literatura, Arte, precisam
assumir seu papel de mediadores de leitura e escrita.
Mais
importante que reter a informação obtida pela leitura tradicional dos
muitos textos, nas muitas áreas que compõem o currículo escolar, as
atividades de leitura e escrita devem proporcionar aos alunos condições
para que possam, de uma forma permanente e autônoma, localizar novas
informações pela leitura do mundo, e expressá-las, escrevendo para e no
mundo. Assim, leitura e escrita constituem-se como competências não
apenas de uso, mas igualmente de compreensão da vida em sociedade.
O
professor é aquele que apresenta as diferentes possibilidades de leitura:
tudo e mais um pouco! Livros, poemas, notícias, receitas, paisagens,
imagens, partituras, sons, gestos, corpos em movimento, mapas, gráficos,
símbolos, o mundo enfim. Ele poderá contribuir no desenvolvimento da
capacidade de interpretar e estabelecer significados dos diferentes
textos, criando e promovendo variadas experiências, situações novas,
que levem a uma utilização diversificada do ler/escrever. Isso tornará
possível a formação de uma geração de leitores capazes de dominar as
múltiplas formas de linguagem e de reconhecer os variados e inovadores
recursos tecnológicos, disponíveis para a comunicação humana no dia a
dia.
Ler e escrever são
tarefas na escola, privilegiadamente em cada sala de aula, mas também
no pátio, na biblioteca, no refeitório, enfim a escola vista como espaço
de estímulo às diferentes relações com a leitura. A biblioteca passa a
ser concebida como lugar em que se estimula a circulação e a transferência
da informação, que favorece a convivência dos diferentes segmentos da
comunidade escolar, pertencendo, portanto, a todos os usuários e, ao
mesmo tempo, não sendo propriedade de uns ou de outros.
E por que
privilegiadamente a sala de aula é o lugar de leitura e de escrita?
Porque a sala de aula é o lugar onde o professor ensina, onde ele mostra,
por sua presença e atuação, a importância da leitura: ele traz os
livros, apresenta-os, quer que todos escolham o que vão ler, fica sabendo
do interesse que se vai formando em cada um, faz sugestões, discute e
aprofunda os assuntos, responde perguntas e lê com os alunos. A
biblioteca é o lugar de outra vivência. Na biblioteca, o aluno, explora
o seu acervo, expande seus interesses: descobre que existem múltiplos
materiais para leitura, livros de todo o tipo e sobre todos os assuntos,
ou concentra-se em uma leitura de aprofundamento de um determinado
interesse, estimulado pela leitura em sala de aula. A sala de aula é o
lugar de criação de vínculo com a leitura, de inserção do aluno na
tradição do conhecimento. A biblioteca é o lugar do cultivo pessoal
desse vínculo.
Ao lado da atividade
de leitura orientada pelo gosto, pelo prazer de atribuir sentido a um
texto, cada professor, na aula de sua respectiva área (ou dois ou mais
professores em trabalho integrado) promoverá a leitura de textos que que
devem ser aprofundados e todos poderão vivenciar o encantamento da
descoberta dos muitos sentidos em textos decisivos para o conhecimento
produzido pela humanidade. Esta inserção do aluno no universo da cultura
letrada desenvolve a habilidade de dialogar com os textos lidos, através
da capacidade de ler em profundidade e interpretar textos significativos
para a formação de sua cidadania, cultura e sensibilidade.
Será importante,
assim, que cada professor em sua sala de aula vincule através da
produção escrita conteúdos e/ou conceitos específicos da área em
que atua com a vida de seus alunos, solicitando-lhes que escrevam sobre
aspectos de suas vivências socioculturais, propondo que esses textos
sejam lidos para os colegas e discutidos em sala de aula. Cada professor
lerá esses textos com interesse, pelo que querem expressar e não apenas
para corrigir o Português ou verificar o acerto de suas respostas.
Orientará a reescrita dos textos, sempre que necessário, para que digam
com mais clareza e mais riqueza o que querem dizer.
Ler e escrever,
portanto, implicam redimensionar as práticas e os espaços escolares.
Isto leva a uma reflexão sobre a relação pessoal com o desenvolvimento
da leitura e da escrita na sala de aula e, no limite, propõe o
desencadeamento de novos modos de ser e fazer o ler e o escrever na
escola: a formação de cidadãos e cidadãs para um mundo em permanente
mudança nas suas escritas, e cada vez mais exigente quanto à qualidade
da leitura.
A provocação que está
lançada é que o tema ler e escrever, como tarefa de todas as áreas,
motive um olhar e um refletir sobre a ação do professor e da escola em
seu conjunto, sobre seus compromissos. Esperamos que o tema venha a abrir
perspectivas para que, na escola, um pergunte ao outro sobre o que pensa
ser ler e escrever em sua área; que desperte o interagir orientando para
uma formação mais ampla, completa e dinâmica; que seja viável
encaminhar ações interdisciplinares possíveis e desejáveis. E ainda,
que entre colegas professores possa se estabelecer um diálogo constante a
respeito das atividades de ler e escrever, isto é, sobre a atividade de
ensinar, oportunidade de construir sentido e produzir conhecimento.
Estes são os
temas que serão apresentados na série:
PGM
1 Para além da aula de língua portuguesa
O principal papel da
escola já não é mais o de mera transmissão de informações. Hoje,
exige-se que ela desenvolva a capacidade de aprender o que subentende o
domínio da leitura e da escrita. Este programa pretende apontar
dificuldades históricas de aprendizagem da leitura e da escrita da
Língua Portuguesa e salientar que a leitura e a escrita podem ser práticas
construídas com a participação das diferentes áreas e nos diferentes
espaços da escola. Tal construção se dá pela participação do
professor, criação de espaços coletivos para a ação comum e pela
utilização de multiplicidade de linguagens e de novos códigos.
PGM 2 História,
Língua Estrangeira e Literatura
Ler e escrever são
competências imprescindíveis nas aulas de História, Literatura e Língua
Estrangeira, seja pela interpretação e (re)-escrita de um texto do livro
didático ou fornecido pelo professor, seja por um outro documento.
O programa discute as
alegadas dificuldades dos alunos para interpretar textos, imagens e
mensagens, os objetos de trabalho mais freqüentes nas aulas dessas
disciplinas. Aponta ainda as aprendizagens de leitura e escrita que
competem a todos os professores de História, Língua Estrangeira e
Literatura.
PGM
3 Educação Física, Matemática e Música
Estas áreas/disciplinas,
que parecem ter poucos aspectos em comum a respeito da leitura e da
escrita, constroem conhecimentos com diferentes textos e códigos, com o
corpo em movimento, com símbolos, com notações musicais, e estabelecem
conexões entre si e com outras áreas do currículo escolar. O programa
enfatiza a importância de todo professor trabalhar com a leitura e a
escrita, conhecer minimamente o que é particular da linguagem na sua área
e, a partir daí, buscar possíveis articulações, ampliando o repertório
dos alunos.
PGM
4 Arte, Geografia e Ciências
O domínio de
diferentes códigos e linguagens, que permitam a interação do sujeito
com múltiplas paisagens e grupos sociais, é um diferencial na educação
e na própria constituição da cidadania. Neste sentido, a educação
contemporânea destaca a essencialidade da leitura e da escrita como
capacidades para interpretar e compreender as diversas manifestações
socioculturais, no contexto identitário dos sujeitos. Ler e escrever não
se instituem como meros instrumentais de codificação e decodificação
dos signos alfabéticos, mas são inseridos num universo mais amplo de
possibilidades e ultrapassam a tradição escolar das Ciências, da
Geografia e da Arte, vinculada à descrição repetitiva do texto/imagem
ou às atividades do fazer gráfico/plástico. O programa privilegia a
leitura da imagem, um texto comumente presente nestas três áreas.
PGM
5 Professor: Leitor e formador de leitores
O papel da escola em
relação ao ler e ao escrever alterou-se nos últimos tempos, exigindo do
educador a compreensão do contexto do mundo contemporâneo, onde a
palavra escrita amplia os modos de atingir a população, e exige de todos
competências para agir com autonomia e criticidade frente a ela ou impõe-lhes
uma atitude massificada e acrítica. Relacionando o ler/escrever à condição
de poder pensar, interagir a partir do lido e ser capaz de dizer a sua
palavra e o seu tempo por escrito, o presente programa valoriza o papel
autoral de professores e alunos, capaz de dar um novo significado ao
ensinar e ao aprender.
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da Glória; AGUIAR, Vera Teixeira de.
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Leitura: perspectivas interdisciplinares. São
Paulo: Ática, 1995.
NOTAS:
(Equipe
do Núcleo de Integração Universidade Escola da Pró-Reitoria
de Extensão da UFRGS - NIUE/UFRGS), responsável pela série
Coordenação
da equipe
Ana Maria Ribeiro Filipouski
Maria Stephanou
Neiva Otero Shäffer
Profª. Ana Mariza Ribeiro Filipouski
Prof. Clézio José dos S.Gonçalves
Profª. Elizabeth Militisky Aguiar
Profª. Elaine Beatriz Ferreira Dulac
Profª. Eroni Kern Schercher
Prof. Guilherme Reichwald Jr.
Profª. Iara Conceição Bitencourt Neves
Profª. Jusamara Vieira Souza
Profª. Maria Cecília de A. R. Torres
Profª. Maria da Graça Gomes Paiva
Profª. Maria Stephanou
Profª. Neiva Otero Schäffer
Prof. Paulo Coimbra Guedes
Profª. Renita Klüsener
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