|
Apresentação
O
movimento de transformação do sistema educacional brasileiro que vem
se dando na última década, mais especificamente desde 1996, quando
promulgada a Lei de Diretrizes e Bases, tem se caracterizado pela
tarefa gigantesca de transformá-lo num sistema que reconheça a
diversidade, e que a ela responda com qualidade, favorecendo a
todos o acesso ao conhecimento historicamente produzido pela
humanidade, e o uso funcional desse conhecimento, na
determinação da conseqüente transformação da própria sociedade.
Para que esse processo se efetive, são inúmeras as tarefas que se
impõem. Dentre elas tem-se, de primordial importância, a formação de
educadores que possam administrá-lo com domínio de conhecimento, com
competência e com responsabilidade.
Assim, são necessárias ações no âmbito da Formação Inicial do
educador, mas também ações afirmativas no âmbito da Formação
Continuada, tanto daqueles que já se encontram em atuação, como
daqueles que estejam adentrando no sistema, ao sair de seu processo
inicial de formação.
O Salto para o Futuro/TV Escola vem, nesta série de 5 programas, dar
sua contribuição para esse processo, investindo na Formação Continuada
dos educadores no que se refere às exigências postas pela decisão
política de transformação do sistema em um contexto inclusivo. A
série será apresentada de 18 a 22 de novembro.
As relações da sociedade brasileira com o segmento populacional
constituído pelas pessoas com deficiência modificaram-se
significativamente no decorrer da história.
Desde a época do Império, sob a influência do pensar europeu,
entendia-se a deficiência como um atributo do indivíduo,
incurável, que requeria, para seu enfrentamento, a
institucionalização da pessoa, o que constituiu o primeiro
paradigma na atenção a essa população. As idéias que lhe davam
sustentação manifestavam-se no argumento de que a manutenção dos
diferentes em locais segregados era útil para eles, que encontravam na
Instituição abrigo, alimentação e cuidado, ao mesmo tempo em que se
protegia a sociedade.
As críticas ao Paradigma da Institucionalização, surgidas entre
as décadas de 50 e 70 do século passado, produziram novas idéias,
fundamentadas no princípio da Normalização. Estas passaram a defender
que as pessoas diferentes, e mais especificamente as pessoas com
deficiência, tinham o direito de viver e freqüentar a corrente
principal da sociedade. Para tanto, deveriam ser estudadas, tratadas
por serviços de diferentes áreas profissionais e, finalmente, quando
modificadas e normalizadas, ser integradas à vida na comunidade. Ao
conjunto de idéias e de práticas assim configuradas denominou-se
Paradigma de Serviços. Organizações governamentais e não
governamentais passaram a abordar as pessoas com deficiência através
de procedimentos de Avaliação e de Intervenção, visando modificar o
indivíduo, como condição para sua Integração na sociedade.
Assim, o Paradigma de Serviços se fundamentou no princípio da
Normalização, visando à modificação do indivíduo para sua posterior
Integração na sociedade.
Entre as décadas de 80 e 90, ampliou-se o debate de idéias acerca
desse processo, passando a contar inclusive com a participação do
próprio segmento populacional constituído pelas pessoas com
deficiência. Os principais argumentos apresentados defendiam que
estas tinham, sim, o direito a receber todo e qualquer serviço de que
necessitassem para seu desenvolvimento e alcance do melhor nível de
autonomia social e pessoal possível. Acrescentavam, entretanto,
ainda, que o critério da normalização não pode ser uma condição
para que o indivíduo possa participar regularmente da vida na
comunidade. O raciocínio que passou a permear o novo debate
fundamentou-se no Princípio da Igualdade, que diz que todos
aqueles que constituem a diversidade social têm direitos iguais e
que para que tais direitos sejam efetivamente contemplados, há que se
garantir condições diferenciadas, que possam atender ao conjunto de
necessidades especiais apresentadas pelos diferentes segmentos
populacionais. Neste processo, foi-se delineando o Paradigma de
Suportes, conjunto de idéias e de práticas no qual se insere a
busca de construção da escola inclusiva.
O Paradigma de Suportes objetiva-se no ajuste do contexto social,
de forma a poder garantir a todos, inclusive ao segmento
populacional constituído pelas pessoas com deficiência, as
condições que cada um necessita para ter acesso ao espaço comum da
vida em comunidade e participar do debate social de idéias e dos
processos decisórios da sociedade.
Em síntese, as idéias que estão permeando a busca de construção de uma
escola inclusiva referem-se, na realidade, a um movimento muito
mais amplo de transformação social, já que na escola manifestam-se
objetiva e concretamente os valores e processos sociais tradicionais.
Nela estes devem ser refletidos criticamente, à luz dos fenômenos do
cotidiano, promovendo a formação de cidadãos críticos, agentes sociais
de novas transformações.
Assim, para que a escola possa cumprir com seu papel de instância
crítica da realidade e de formação de agentes dela transformadores,
ela há que se modificar, de forma a poder identificar o conjunto de
necessidades educacionais especiais que constituem a diversidade de
seu alunado e a ele responder, com competência e qualidade.
Foi neste contexto de idéias e objetivos sociais que se elaborou o
documento PCN’s - Adaptações Curriculares, norteador de ações
inclusivas no contexto educacional.
Para que a escola se torne inclusiva, há que se implementar Adaptações
Curriculares de Grande Porte, de competência e responsabilidade das
instâncias político-administrativas superiores, bem como Adaptações
Curriculares de Pequeno Porte, de competência e responsabilidade dos
professores.
Esta série, que assume como objetivo principal contribuir com a
formação de educadores para uma ação inclusiva, estará apresentando
informações e promovendo reflexões e debates sobre os aspectos
filosóficos, políticos, teóricos e técnico-científicos envolvidos no
processo de construção de um sistema educacional responsivo para
todos, bem como no processo de formação de um educador cujas ações
possam contribuir com a transformação da escola brasileira,
assumindo, assim, sua natureza inclusiva.
Objetivos
Ao final desta série, os educadores que dela participarem deverão ser
capazes de:
1. Descrever os valores e paradigmas que têm norteado a atenção
educacional brasileira ao seu alunado, com ênfase nos que apresentam
necessidades educacionais especiais. Programa 1.
2. Discutir criticamente sobre os valores que permeiam o
Paradigma da Institucionalização, o Paradigma de Serviços e o
Paradigma de Suportes. Programa 1.
3. Conceituar Integração e Inclusão. Programa 2.
4. Discutir criticamente a respeito dos processos envolvidos sob
os conceitos de Integração e de Inclusão. Programa 2.
5. Descrever o que são Adaptações Curriculares. Programa 3.
6. Diferenciar Adaptações Curriculares de Grande Porte e
Adaptações Curriculares de Pequeno Porte. Programa 4.
7. Diferenciar as instâncias de responsabilidade pelas Adaptações
de Grande Porte e as de Pequeno Porte. Programa 5.

|