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Apresentação
Quando falamos em
projetos juvenis nas escolas de Ensino Médio, estamos nos referindo
aos que se desenvolvem a partir do currículo, são planejados e
avaliados de forma coletiva por professores e alunos e integram as
manifestações culturais jovens aos conhecimentos investigados.
Discutir sua concepção, abrangência, significado e importância
representa refletir sobre a promoção de mudanças nas relações
interpessoais, nas relações de poder, na organização curricular, na
organização interna da escola, enfim.
É sobre essa mudança que vamos dedicar a série Ensino Médio:
Projetos Juvenis, com ritmos, cores, sons e arte diversificados,
como são diversas as realidades, a expressão e a sensibilidade de
nossas juventudes1.
A série será apresentada no programa Salto para o Futuro/TV Escola, de
4 a 8 de novembro. O programa de abertura abordará a concepção,
abrangência e importância dos projetos juvenis. O segundo programa
focará muito especialmente a manifestação das Linguagens nos projetos.
O programa 3 irá discutir conhecimentos da área de Natureza através de
projetos. O quarto programa irá priorizar o desenvolvimento de
projetos que evidenciam conhecimentos da área de Humanas. Finalmente,
o programa de encerramento abordará a temática
Juventudes e projetos de vida: o papel das escolas.
Justificativa
Ao abordar o trabalho com projetos na construção do conhecimento
escolar, valorizamos uma prática pedagógica que estimula a iniciativa
dos alunos através da pesquisa, desenvolve o respeito às diferenças
pela necessidade do trabalho em equipe, incentiva o saber ouvir e
expressar-se, o falar em público e o pensamento crítico autônomo.
O desenvolvimento de projetos nas escolas sempre existiu. E por que
agora está tão “badalado” ? Há diferenças entre a prática de hoje e a
de ontem?
O que se valoriza ultimamente não é a prática de projetos em si, mas a
autonomia que vai sendo conquistada através da pesquisa com toda
a diversidade de caminhos percorridos e as competências que os alunos
vão desenvolvendo através de tal prática, visando-se, com isso,
promover sua autonomia intelectual.
Além disso, muitos dos projetos desenvolvidos até então não se
preocupavam com a necessária inserção curricular de tal prática. Mas
dirão alguns: tudo o que se discute na escola não é curricular?
Deveria ser, se o tratamento dado a tais discussões estivesse
promovendo sentido e significados aos conceitos das áreas/disciplinas
escolares, se levasse à compreensão das finalidades sociais
específicas de cada disciplina. Ainda, caracterizam o tratamento
curricular o planejamento e a avaliação sistemática ao longo de todo o
desenvolvimento dos projetos. Um exemplo simples do que não é
curricular é um projeto de teatro na escola que acontece, muitas
vezes, sem ter uma vinculação explícita aos contextos histórico e
literário e às diferentes linguagens, e que nem sempre é formalmente
avaliado. E, na maioria das vezes, os jovens gostam muito de
participar desse projeto. Então, devemos refletir: o que é prazeroso,
na escola, não pode estar vinculado ao currículo nem ser avaliado?
Qual a relação do jovem com o saber que a escola valoriza?
Os projetos curriculares estão, em sua maioria, vinculados ao projeto
escolar, ao projeto pedagógico da escola. Por isso, evidenciam os
princípios e a própria identidade da escola através da escolha dos
contextos pesquisados e das atividades desenvolvidas.
As culturas das juventudes também se manifestam nos projetos através
de aspectos da música, da imagem e das tecnologias, do corpo, do
hedonismo, da afetividade e da sociabilidade, linguagens e valores,
que devem ser discutidos no currículo e evidenciados nos projetos
juvenis.
A dinâmica do trabalho com projetos envolve também as relações
escolares. Estimular a participação dos jovens na construção do seu
conhecimento significa não só provocar o espírito investigativo e o
relacionar-se melhor com o outro. Promove também mudanças nas relações
entre aluno-professor, aluno-aluno, aluno-diretor-professor etc. A
problemática que será discutida no projeto, assim como o planejamento
e a avaliação do mesmo, devem ser realizados de forma coletiva por
professores e alunos. Isso muitas vezes incomoda a quem ainda acredita
que o poder de decisão está nas mãos do professor, que “detém o
saber/poder”.
A prática do trabalho com projetos também pode alterar as relações da
escola com a comunidade externa e com as famílias. Depende da
visibilidade (interna e externa) dos mesmos, obtida através da
divulgação, das atividades que serão desenvolvidas fora da escola, das
parcerias estabelecidas com outras instituições, das propostas de
intervenção apontadas. Além do aprimoramento da auto-estima, os alunos
apresentam mudanças significativas no comportamento, que se manifestam
no maior engajamento com as questões da comunidade e no interesse em
participar mais ativamente da escola.
Os projetos se desenvolvem percorrendo conceitos e métodos pertinentes
às três áreas do conhecimento definidas pelas/os Diretrizes e
Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio e se desdobram em
subprojetos ou em outros projetos, na maioria das vezes, reorganizando
tempos e espaços escolares.
E conhecemos os projetos de vida dos nossos alunos? Quais as suas
expectativas em relação ao futuro?
Pretendemos, então, com essa série, aprofundar a reflexão sobre o
desenvolvimento de projetos juvenis nas escolas de Ensino Médio,
através dos seguintes programas:

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