PGM 4 - Tutoria em EAD

Texto 1 - Apoio à aprendizagem: o orientador acadêmico

Oreste Preti 1

Amig@ professor@,

feche por uns minutos os olhos e imagine uma escola sem salas de aula, sem paredes, sem carteiras, com estudantes indo e vindo, conversando, lendo em diferentes espaços livres, ora reunidos em equipe, ora desenvolvendo atividades individuais, com horários diversificados para atendimento individual ou em grupos, com calendário flexível, acompanhamento personalizado, sob a orientação de um grupo de educadores, etc. Talvez, você exclamará surpreso: "Esta escola não existe. Quem sabe, num futuro seja possível!"

Não estou falando da educação do futuro. Na realidade, estou falando de uma educação real e atual, possível e que está acontecendo em nosso país, sobretudo, na modalidade a distância, graças aos avanços das novas teorias da Física, da Biologia, da Psicologia, da Comunicação, da Pedagogia, etc. e às novas tecnologias da comunicação.

O que vem a ser esta modalidade?

Não é algo totalmente novo em nosso país, pois vivenciamos experiências em EAD desde a década de 1960. Lembra do Projeto Minerva, do Logos I e Logos II e, recentemente, Telecurso 2000, Salto para o Futuro, TV Escola e ProFormação? Algumas foram avaliadas positivamente, outras criticadas; umas desenvolvidas em todo território nacional, enquanto umas poucas só regionalmente.

O que nós queremos aqui enfatizar e colocar em foco não são essas experiências, mas uma figura importante nesta modalidade, conhecida internacionalmente por "tutor". Antes, porém, queremos colocar alguns pressupostos para que nosso diálogo se estabeleça claramente:

a) Falar de educação a distância é, antes de tudo, falar de educação. Não faz sentido se fixar nos adjetivos, nos aspectos periféricos e não essenciais do ato educativo, ainda mais hoje quando a "distância" perdeu seu sentido original frente à penetração cada vez mais maciça das novas tecnologias da comunicação;

b) Numa concepção dialética e dialógica, não faz sentido, também, querer colocar este ou aquele sujeito no centro do processo educativo. A educação se constrói continuamente numa rede de relações, de (re)construções, de transgressões, afirmações e parcerias, em que todos os sujeitos envolvidos participam, têm responsabilidades e compromissos, modificam e são modificados. Quem educa é muito mais uma "instituição" e um sujeito coletivo do que pessoas individualmente.

Por isso, entendemos a educação a distância como uma dimensão de uma pedagogia que contribui para um novo modo de ser, isto é, com o interesse e a determinação em superar e transgredir os limites que nos "com(têm)" como seres humanos (Neder, 2000).

E uma dessas transgressões refere-se à ruptura, à separação do processo de ensinar do processo de aprender. Eles acontecem em tempo e espaço separados. Quem "ensina", o autor (ou professor) e quem "aprende", o "aprendente"2 não necessariamente encontram-se no mesmo local e ao mesmo tempo. Assim, o tempo e o espaço passam a ganhar nova significação a partir do sujeito, pois é ele que lhes dá sentido: é o tempo e o espaço do sujeito!

Por isso, esta modalidade permite um maior respeito aos ritmos pessoais, às diferenças sociais e culturais, às trajetórias e histórias de vida individuais, contribuindo no processo de construção da autonomia intelectual e política e ao resgate da auto-estima pessoal e profissional.

Mas como é possível o processo de aprender se, segundo as teorias construtivistas, ele exige não somente processos cognitivos, mas também ambiência humana, do sujeito interagir com outrem?

Se é verdade que "ninguém educa ninguém", por outro lado, "ninguém se educa sozinho". A educação a distância, paradoxalmente, impõe interlocução permanente e, portanto, proximidade pelo diálogo.

É aqui que surge a figura do tutor, do monitor, do orientador, etc. As terminologias são variadas, diferenciando-se porque diferentes são as concepções que fundamentam as propostas educativas a distância.

No curso de Licenciatura Plena na formação de professores das quatro primeiras séries do Ensino Fundamental, na modalidade a distância, iniciado em 1995, pela Universidade Federal de Mato Grosso3, em parceria com as Secretarias Municipais e Estadual, optamos pela terminologia "orientadora acadêmica"4. Por quê?

1 - O que entendemos por "Orientadora Acadêmica"

Numa concepção de educação dialógica, construtivista, libertária e transformadora, falar em "tutor" ("protetor do menor") é considerar o sujeito da educação um sujeito passivo, dependente do outro que o tutora, o protege, que decide o que fazer, quando e como. E tratando-se de um curso voltado para formação de adultos (que são professores da rede pública de ensino) seria um contra-senso ainda maior, remetendo-os a uma situação de "minoridade", por falta de maturidade e autonomia.

Monitor, segundo suas raízes na língua latina, remete a quem adverte, admoesta, repreende; refere-se ao aluno-mestre "encarregado de repetir as lições aos colegas menos adiantados e olhar pela disciplina" (Dic. Ilustrado da Ling. Portuguesa). Aqui, também, perpassa a idéia da "inferioridade" do estudante que necessita, então, do amparo, do acompanhamento e da correção de outrem que, presume-se, seja "superior" a ele no domínio de conteúdos.

Quando a equipe do Núcleo de Educação Aberta e a Distância (NEAD/UFMT) iniciou, em 1992, sua formação e a construção do projeto de oferecimento de um curso de graduação a distância, voltado para a formação de professores da rede pública de Mato Grosso, questionamos a terminologia consagrada de "tutor". Preferimos falar em "orientadora" ("que aponta o Oriente", onde surge o Sol), em alguém que indica os caminhos, os rumos fazendo com que a pessoa se situe, reconheça o lugar onde se encontra para prosseguir a caminhada, para se guiar no caminho.

Sua função "orientadora" não consiste apenas em possibilitar a "mediação" acadêmica5 com o material didático (Fascículos6 e CD-rom) ou ser uma "facilitadora" ou uma animadora da aprendizagem. Ela é um dos sujeitos ativos do processo educativo, que interage com a aprendente para que ambos busquem (re)significar e (re)construir concepções e práticas pedagógicas. Daí a necessidade de um constante diálogo, de uma interlocução com a aprendente e com os demais agentes educativos do curso (colegas, equipe pedagógica, especialistas, parceiros, etc.). No entender de Pedro Demo (1998), ela se torna uma "especialista da aprendizagem", uma professora de teor maiêutico.7

No processo de (des)construção do papel clássico do professor a caminho da construção de um novo profissional da educação, de uma nova maneira de interagir com o aprendente, há muita nebulosidade, muita área intermediária, entre a periferia de práticas anteriores e as atuais.

Isso é normal e salutar, quando a aprendizagem é concebida como um percurso onde todos se colocam como sujeitos aprendentes, sem que a "verdade" esteja na posse de alguém e/ou de um grupo que se impõe pela titulação ou pela experiência ou, ainda, pela autoridade que a instituição lhe confere.

Devemos, por outro lado, reconhecer que a função da orientadora, enquanto sujeito de uma equipe, partícipe de um projeto político-pedagógico de um curso, a partir das práticas vividas, das ressonâncias das falas de colegas e acadêmicas, é olhar para o caminho percorrido, avaliar a trajetória, pesquisar, indagar e provocar a reflexão.

É indispensável sua participação em todo o processo de construção do curso (no planejamento, desenvolvimento e avaliação do mesmo). Por isso, ela necessita de uma formação inicial e continuada não somente no que diz respeito aos aspectos teórico-metodológicos do curso como da modalidade a distância.

2. Processo formativo da Orientadora Acadêmica

Ser orientadora é uma tarefa intensiva que exige tempo, dedicação e compromisso. Por isso, a orientadora acadêmica é selecionada pela equipe pedagógica entre profissionais da educação da rede pública daquela região, com "dedicação exclusiva" ao curso e disponibilidade para trabalhar aos sábados e devendo morar no município onde irá desenvolver suas atividades. Cada Orientadora atende a um número médio de 25 alunos.

A contratação das orientadoras selecionadas é de responsabilidade das Secretarias Estadual e Municipais de Educação, na proporção de 50% para o estado e 50% para os municípios.

Após a seleção, as candidatas participam do processo de formação inicial (um curso de Especialização sobre EAD e sobre o projeto político-pedagógico do curso) e continuada (nos encontros mensais nos Centros de Apoio).

Nos momentos de planejamento, a orientadora participa da discussão, com os professores especialistas responsáveis pelas áreas de conhecimento do curso e com a equipe pedagógica, a respeito dos conteúdos a serem desenvolvidos, do material didático a ser utilizado, da proposta metodológica, do processo de acompanhamento e avaliação de aprendizagem. São constantemente retomados os princípios norteadores do curso, a partir das práticas vividas, de situações novas que aparecem, de discussões teóricas no campo da educação, de questionamentos e incertezas. Esse "mergulho" (ou "afastamento" da prática rotineira do curso) se dá nos Centros de Apoio de cada Pólo8, nos encontros mensais que aí ocorrem.9

3. Organização da Orientação Acadêmica

A educação a distância, embora prescinda da relação face-a-face em todos os momentos do processo de ensino e de aprendizagem, exige relação dialógica efetiva entre alunos e orientadores acadêmicos.

Por isso, se estabelece uma rede, uma teia comunicativa e formativa, a criação de ambientes reais e/ou virtuais que favoreçam o processo de estudo dos cursistas e o processo de orientação acadêmica, que possibilite o processo de interlocução permanente e dinâmico entre os sujeitos da ação pedagógica.

De que forma?

No desenvolvimento do curso de Licenciatura, a orientadora acadêmica tem papel fundamental, principalmente no que diz respeito ao acompanhamento do percurso da acadêmica: como estuda, que dificuldades apresenta, quando busca orientação, se se relaciona com as colegas para estudar, se consulta bibliografia de apoio, se realiza as tarefas e exercícios propostos, se se coloca como sujeito que participa da construção do currículo do curso, se é capaz de relacionar teoria/prática, se é capaz de utilizar os conceitos de uma determinada área do conhecimento para iluminar sua prática pedagógica, sua vida, seu envolvimento nos Seminários Temáticos, etc.

A orientadora deve, neste processo de acompanhamento, estimular, motivar e, sobretudo, contribuir para o desenvolvimento da capacidade de organização das atividades acadêmicas e de auto-aprendizagem.

Mas, em que consiste seu trabalho?

3.1 Diariamente, nos horários previamente estabelecidos com as acadêmicas (de acordo com seus horários de aula nas escolas), a orientadora está disponível para atendê-las, presencialmente ou pelo telefone no núcleo de educação aberta e a distância de seu município. As mais distantes (professoras das escolas rurais) se utilizam do correio informal (ônibus, caminhão, vizinho que vai à cidade, etc.) para enviar suas atividades, para solicitar esclarecimentos ou agendar um encontro. Outras vezes, a própria orientadora desloca-se para atender a acadêmica em sua escola rural. Muitas acadêmicas têm buscado uma forma para superar o sentimento de "isolamento" organizando grupos de estudo. Às vezes, a orientadora é convidada a participar dessa atividade. O estudo em grupo, porém, faz sentido e é produtivo se a acadêmica estudou antes individualmente e se preparou para levar sua contribuição.

O atendimento presencial é realizado de forma individual. É permitido em pequenos grupos, quando a orientadora avaliar ser o procedimento mais adequado naquele momento, mas sempre atenta para que haja participação de todas nas discussões e seja possível, ao mesmo tempo, estabelecer um diálogo diferenciado com cada uma das participantes.

Nesta caminhada (que chamamos de Meio I), que dura em média uns 40 dias, o orientador busca enfatizar a importância do estudo individual, da independência intelectual, da auto-aprendizagem. É o momento da relação dialógica da orientadora com a acadêmica e das acadêmicas entre si.

3.2 A cada três semanas oportuniza-se à acadêmica uma "verificação de aprendizagem" (Meio II), que é presencial (com ou sem consulta) referente a alguns aspectos específicos de uma determinada área do conhecimento (organizada nos Fascículos pelos autores). A acadêmica é quem decide fazer a "verificação" naquela data ou na "oportunidade" seguinte. A finalidade desse "meio" é possibilitar à acadêmica explicitar e organizar, por meio da construção de um texto escrito, análises e reflexões sobre sua prática pedagógica à luz dos conceitos e da teoria estudada. A própria orientadora, que participou com o especialista na elaboração desta "verificação" e de seus critérios, faz a "correção", que a submete ao parecer de uma ou duas colegas, uma espécie de "banca" avaliadora. Essa avaliação é posteriormente discutida com a própria acadêmica que, caso não tenha dado conta do percurso estabelecido pelo especialista, será orientada para novas leituras, a re-construir o percurso e realizar uma posterior "verificação de aprendizagem". Como não existe a figura da "reprovação", a acadêmica re-faz este percurso quantas vezes necessitar, sempre contando com o acompanhamento da sua orientadora. Assim, cada acadêmica vai se colocando em situações e áreas de estudo diferenciadas ao longo do curso.

3.3 Paralelamente ao acompanhamento do estudo do material didático de uma determinada área do conhecimento (com duração de quatro a seis meses), a orientadora acompanha as acadêmicas no desenvolvimento de uma pesquisa, em equipe, na escola onde trabalham. O objeto a ser investigado é referente a um tema da área em estudo naquele momento do curso (Meio III). O tema e o processo da pesquisa são discutidos pelo especialista com as orientadoras acadêmicas e estas com as acadêmicas. Ao final deste processo, realiza-se o Seminário Temático na cidade Pólo ou em outro município que ofereça as condições, para que as acadêmicas possam expor os resultados de sua pesquisa e discuti-los. A comunidade escolar é convidada a participar. Uma equipe de "observadores" (composta por orientadoras e professores da UFMT e da SEDUC) acompanha e avalia o trabalho. É um momento de ambiência científica e humana dos mais fortes no curso.

3.4 A orientadora também faz todo o registro da caminhada individual de cada acadêmica para que, ao final de uma determinada área do conhecimento, possa concluir a avaliação (com a participação da acadêmica), para fins de registro acadêmico, analisando o ponto de partida e de chegada de cada uma. Todo o percurso da acadêmica é registrado pela sua orientadora em "Fichas de acompanhamento", arquivadas no "Sistema de Gerenciamento da Educação a Distância" / SIGED, um software elaborado especificamente para isso.

3.5 Além disso, juntamente com os coordenadores pedagógicos dos Pólos, cada equipe de orientadoras se responsabiliza pela análise e avaliação do curso e da modalidade a distância, através das seguintes funções (Neder, 1999):

  • apontar as falhas no sistema de orientação acadêmica;
  • avaliar, com base nas dificuldades apontadas pelas acadêmicas, os materiais didáticos utilizados no curso;
  • informar sobre a necessidade de apoios complementares não previstos pelo projeto;
  • mostrar problemas relativos à modalidade da EAD, a partir das observações e das críticas recebidas das acadêmicas;
  • participar do processo de avaliação do curso.

Estabelece-se, assim, uma "rede" de informações suficientes e úteis à avaliação processual do curso. O que, porém, é enfatizado e avaliado é em que sentido o curso está modificando as práticas pedagógicas das acadêmicas e qual o impacto ou reflexos disso nas escolas e na rede pública de ensino. Pois, o objetivo principal do curso de Licenciatura é provocar mudanças cognitivas e da práxis (Preti, 1996).

Em síntese

A função da orientadora é a de orientar, de provocar o questionamento reconstrutivo, de estimular na aprendente sua capacidade de estudo independente, de autoformação e auto-organização (autopoiesis)10 e sobretudo de respeito e de reconhecimento do outro como ele é, de seus ritmos, seus desejos e projeto de vida.

A orientadora não deve ter pressa em libertar a mariposa do seu casulo para que ganhe o espaço e respire o ar do campo. Tem que aprender a aguardar pacientemente que a própria mariposa se desenvolva, amadureça e tenha as forças suficientes para se libertar por ela mesma e ganhar a liberdade do espaço e uma nova vida, a de borboleta. Para que isso aconteça, a orientadora (e a "instituição" responsável pelo curso) deverá oferecer as condições necessárias, criar ambientes de aprendizagem e de convivência humana. Pois, a acadêmica aprende muito mais com as práticas educativas vivenciadas pelos sujeitos envolvidos no curso que com belos discursos ou teorias sedutoras e encantadoras!

Na experiência do Nead/UFMT, a figura da orientadora acadêmica tem se revelado como a figura chave, "a vertente humana" da educação a distância e do processo de ensino e de aprendizagem, não simplesmente porque contribui no processo de mediação da acadêmica com o material didático e com as práticas curriculares do curso, mas porque, ao promover a comunicação e o diálogo, introduz a perspectiva humanizadora num processo mediado também pelos meios tecnológicos (Preti, 1996). Assim, através da orientação acadêmica é possível garantir o processo de interlocução necessário a qualquer projeto educativo.

Vale a pena lembrar aqui a figura do educador Paulo Freire, do homem sábio que com palavras simples, mas profundas, provoca o re-pensar do educador e da atuação docente, propondo a relação dialógica do eu com o tu, do mestre com o discípulo, mas não na atitude de simples escuta, mas de libertação e intervenção, da dimensão política do saber-fazer. Por isso, a formação da aprendente não pode estar separada das práticas sociais e profissionais (em que está imersa) e para as quais o curso de Licenciatura se propõe prepará-la.

A orientadora que não se abre para aprender, que não aprende continuamente, que não pesquisa, que não está bem consigo mesma, que não gosta e não se sente compromissada com o que está fazendo, como poderá orientar e fazer com que a acadêmica aprenda?

Muito mais do que realizar leituras e/ou participar dos encontros de formação, trata-se de um constante re-pensar e re-fazer da atividade de orientação por meio da atitude de pesquisar. Se a orientadora pretende formar a acadêmica em sujeito com autonomia cognitiva e humana, capaz em aprender a aprender para que sua vida e sua prática pedagógica sejam transformadas, não é suficiente "cobrar" da acadêmica que ela pesquise, é fundamental que a orientadora vivencie quotidianamente esta atitude investigando sobre a caminhada de suas acadêmicas como sobre sua trajetória enquanto orientadora. Como pode orientar alguém na pesquisa se ela mesma não faz pesquisa? Novamente estará dicotomizando e separando teoria-prática, pensar e fazer. Pela pesquisa deixa-se a atividade instrutiva de estar somente socializando e reconstruindo conhecimentos para um processo de construção e produção de conhecimentos, em seu sentido pleno.

Considerações Finais

O que dissemos aqui, na realidade, não se refere especificamente à orientadora acadêmica, mas à educadora, à professora. Até pouco tempo atrás estava convencido da necessidade de se institucionalizar a figura da Orientadora Acadêmica, como um nova categoria profissional. Cada vez mais me convenço deste equívoco, como o querer tratar educação a distância como algo diferente da presencial.

Temos que lutar por uma educação diferente, atualizada, contemporânea, que reencante a sociedade e por uma profissional da educação com uma "nova cara", com práticas inovadoras, criativas e humanas. Surgirá daí uma diversidade de "modalidades" que deixarão no esquecimento esta divisão improdutiva entre presencialidade e a distância, entre professora e orientadora.

Bibliografia

DEMO, Pedro. Questões para a Teleducação. Petrópolis, RJ.: Vozes, 1998.

NEDER, Maria Lúcia C. A orientação Acadêmica na Educação a Distância. In: PRETI, Oreste. Educação a Distância: construindo significados. Brasília: Plano; Cuiabá: NEAD/UFMT, 2000.

___________________. Licenciatura Plena em Educação Básica: 1ª a 4ª séries, na modalidade a distância. Cuiabá: EdUFMT, 1999. (redatora do Projeto de expansão).

PRETI, Oreste. Educação a Distância: uma prática educativa mediada e mediatizadora. In: ________ (org.). Educação a Distância: inícios e indícios de um percurso. Cuiabá: EdUFMT, 1996.

NOTAS:

  1. Coordenador do Curso de Licenciatura Plena para formação de professores das primeiras quatro séries do Ensino Fundamental, na modalidade a distância - Núcleo de Educação Aberta e a Distância, do Instituto de Educação da Universidade Federal de Mato Grosso.
  2. Neologismo introduzido por Hèlén Trocmé-Fabre, no Congresso Internacional de Locarno, Suíça, em maio de 1997, para expressar o estado de estar em-processo-de-aprender. Passou a ser usado cada vez mais nos documentos oficiais da União Européia. Sobre ele, ver em: ASSMANN, Hugo. Reencantar a educação: rumo à sociedade aprendente. Petrópolis: Vozes, 1998.
  3. Trata-se da primeira experiência, no Brasil, de um curso superior a distância. Ver a esse respeito: Oreste PRETI (1996): Educação a distância: inícios e indícios de um percurso.
  4. Utilizamos, nesse texto como nos documentos do curso, o gênero feminino, pois a grande maioria de "nossos orientadores" são mulheres (98%). Preferimos seguir a maioria do que as regras gramaticais ou a utilização difusa do símbolo @ para se referir a ambos os sexos.
  5. Ao nos referirmos aos acadêmicos do curso de Licenciatura a distância oferecido pelo NEAD/UFMT utilizaremos também o gênero feminino, porque 85% deles são mulheres.
  6. Fascículo: assim denominamos o material escrito. São escritos de tal maneira que cada um deles pode ser lido e compreendido separadamente, sem necessidade do anterior. Apesar da diversidade de estilo, seguem a abordagem do curso, calcada nos conceitos de historicidade, diversidade e construção.
  7. Trata-se, no dizer de Sócrates, de um processo de "parturição" (maiêutica), onde é a mãe que deve parir, cabendo à parteira estar aí somente para observar, orientar e ajudar no parto. É a mãe que "faz" o parto e não a parteira, mas a presença da parteira e sua ajuda não podem ser dispensadas.
  8. Os Pólos são organizados agrupando municípios próximos, em função do sistema viário de comunicação e de processos históricos de ocupação e (re)construção daquele espaço geográfico e social. Costumam reunir entre 200 a 600 acadêmicos. O coordenador (pedagógico) do Pólo é um professor da UFMT que compõe a equipe pedagógica do NEAD/UFMT, enquanto o coordenador do Centro de Apoio (com funções mais administrativas) é um dos orientadores eleito por seus pares, por um período de dois anos.
  9. Para garantir esse processo de "mergulho", utiliza-se o telefone (plantão), e-mail e, a partir deste ano, teleconferências e discussões em rede.
  10. Termo cunhado por H. Maturana e F. Varella (na obra De máquinas e seres vivos - autopoiesis: a organização do ser vivo), no sentido da capacidade de reagir construtivamente diante dos desafios e condicionantes externos.