EDUCAÇÃO
A DISTÂNCIA NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES
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Apresentação
Temos
todos acompanhado o crescimento da educação a distância
no País, fato que vem ampliando não só as possibilidades
de formação docente, mas efetivamente o número
de oportunidades de capacitação a tantos professores.
Além de algumas instituições de nível
superior que já oferecem cursos a distância, surgiram,
mais recentemente, sistemas diferenciados como o Proformação
Programa de Formação de Professores em Exercício,
e consórcios de universidades públicas, como o da UNIREDE
e do CEDERJ, que se propõem a oferecer cursos de licenciaturas
e especialização para professores.
De
fato, a educação a distância parece ser uma alternativa
preciosa para um país como o Brasil, onde a gigantesca extensão
territorial e a falta de eqüidade na distribuição
de oportunidades educacionais são fatos inquestionáveis.
Mais e mais é preciso buscar formas de atender a uma demanda
significativa de profissionais que, não podendo beneficiar-se
do ensino convencional, ficam à margem de possibilidades de
capacitação e aperfeiçoamento.
Outros
países já atestam: é possível instituir-se
bons sistemas de EAD, com resultados de desempenho tão bons
quanto os da educação presencial. Obviamente, tudo depende
da qualidade do sistema de EAD como um todo.
No
Brasil, ainda não estão disseminadas informações
suficientes para uma compreensão mais profunda das possibilidades
da educação a distância e dos fatores que tornam
sistemas e programas de EAD efetivos e de qualidade.
Esta
série sobre a Educação a Distância na
Formação de Professores, que será apresentada
no programa Salto para o Futuro, da TV Escola, de 13 a 17 de maio
de 2002, visa abordar aspectos relacionados a sistemas e programas
de educação a distância para a formação
de professores, discutindo critérios de qualidade, a gestão
de programas de EAD, sistemas de apoio à aprendizagem, tutoria,
avaliação dos cursistas e avaliação externa.
A
série está dividida em cinco programas, cada qual abordando
um aspecto da EAD. No primeiro programa, discute-se a EAD na formação
de professores e critérios de qualidade; no segundo, a gestão
de programas de EAD; no terceiro, materiais impressos e sistemas de
comunicação que apoiam a aprendizagem dos alunos na
EAD; no quarto, a tutoria na EAD e, no quinto programa, questões
relacionadas à avaliação dos cursistas/alunos
na EAD e avaliação externa de programas e cursos nesta
modalidade. Para cada programa, foram elaborados textos por seus convidados.
Para
o primeiro programa, Bernardete Gatti, no texto "Formação
de professores a distância: critérios de qualidade",
faz uma reflexão sobre as condições em que ocorre
a aprendizagem a distância e os cuidados que os educadores devem
ter para garantir uma boa qualidade formativa. A autora procura também
sintetizar algumas das características e fatores que têm
se evidenciado por propiciarem um nível qualitativo de alto
diferencial para a formação a distância de professores.
José
Moran, em seu texto "O que é um bom curso a distância?",
comenta os elementos que fazem parte de um bom curso a distância,
chamando a atenção para os educadores, os alunos, os
ambientes de aprendizagem, a interação entre os participantes,
o planejamento, a flexibilidade e a qualidade pedagógica e
tecnológica.
Carmen
Moreira de Castro Neves, no texto "A educação a distância
e a formação de professores", apresenta aspectos que
sustentam a qualidade de um curso de formação de professores
a distância, comentando a concepção educacional
do curso, o desenho do projeto, o sistema de tutoria, o sistema de
comunicação, os recursos educacionais, a infra-estrutura
de apoio, o sistema de avaliação, a ética na
informação e a capacidade financeira de manutenção
do curso.
Para
o segundo programa, Carlos Bielshowisck, no texto "A gestão
na educação superior a distância", comenta modelos
de gestão de instituições de ensino superior
a distância, colocando a necessidade de se analisar detalhadamente
o modelo tecnológico na construção de um sistema
de EAD e entender este sistema como, de fato, sendo um sistema. Apresenta,
também algumas questões básicas a serem contempladas
por um sistema de EAD.
Alvana
Maria Bof, no texto "Gestão de sistemas de educação
a distância", apresenta algumas características de sistemas
de EAD, discutindo, a seguir, questões relacionadas à
sua gestão e à sua estreita relação com
a qualidade e eficiência de cursos ou programas de EAD.
Selma
Dias, no texto "A gestão de um programa de educação
a distância em universidade pública presencial e multi-campi",
apresenta como foi concebida a gestão da EAD na UFPA e como
está organizada a gestão do Departamento de Educação
a Distância.
Para
o terceiro programa, Maria Umbelina Caiafa Salgado, no texto "Características
de um bom material impresso para a educação a distância",
discute os requisitos de um bom material impresso para EAD, apresentando,
em linhas gerais, a estrutura de um texto para EAD e orientações
pra a sua elaboração.
Leda
Maria R. Fiorentini, no texto "Materiais escritos nos processos formativos
a distância", faz uma discussão sobre o que cabe ao professor
autor de materiais didáticos e como promover a compreensão
de textos.
Alberto
Tornaghi, no texto "Computadores, Internet e educação
a distância", complementa a discussão sobre materiais
e meios de suporte à educação a distância,
introduzindo explicações e reflexões sobre as
chamadas Tecnologias de Comunicação e de Informação
TCI: computadores, internet, computadores em rede, hipertextos,
correio eletrônico (e-mail), fórum e bate-papo ou chat.
Para
o quarto programa, Oreste Preti, no texto "Apoio à aprendizagem:
o orientador acadêmico", apresenta o papel do orientador acadêmico
do Núcleo de Educação Aberta e a Distância
da UFMT, o processo formativo e a organização da orientação
acadêmica.
Rosângela
Lopes Lima, em seu texto "A tutoria uma importante função
na implementação de projetos de qualidade em EAD", discorre
sobre o sistema de tutoria do CEDERJ Centro de Educação
Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro, que foi estruturado
como um sistema orgânico entre as universidades consorciadas
e seus pólos regionais, apresentando a concepção
e componentes do sistema, a tutoria presencial e a distância,
as atribuições dos tutores e seu processo seletivo.
Cristina
Tavares apresenta, no texto "O tutor no Proformação",
a organização da tutoria e as atribuições
do tutor no Proformação, um programa de habilitação
em Magistério, na modalidade de EAD, para professores em exercício
que não possuem a habilitação legalmente exigida.
Para
o quinto programa, Sandra Azzi, no texto "Avaliação
de Desempenho do Aluno na EAD", faz uma análise sobre a avaliação
de desempenho na modalidade do ensino a distância, partindo
de algumas concepções sobre o tema da avaliação
e apresentando aspectos relacionados à operacionalização
de sistemas de avaliação a distância.
Kátia
Morosov Alonso, no texto "A avaliação e a avaliação
na educação a distância: algumas notas para reflexão",
discute a avaliação enquanto parte integrante do processo
educativo, comenta textos de vários autores da área
e, finalmente, apresenta algumas notas sobre a avaliação
na EAD.
Com
esta série, espera-se não somente informar o público
sobre as características e especificidades da EAD, mas também
oferecer uma discussão profícua que auxilie na avaliação
de propostas de programas e cursos nesta modalidade, especialmente
no que se refere à formação de professores.
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PROGRAMA 1
-
FORMAÇÃO DE PROFESSORES A DISTÂNCIA
O
programa discute a formação de professores por meio
de recursos da educação a distância, seus critérios
de qualidade, apontando experiências já em andamento
e discutindo características de programas ou cursos de qualidade.
Aborda basicamente questões como: é possível
fazer a formação de professores por meio dos recursos
de EAD? Quais os critérios de qualidade a serem observados?
O que é um bom curso de EAD para a formação de
professores?
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PROGRAMA 2-
GESTÃO DE PROGRAMAS DE EAD
Este
programa visa discutir questões relacionadas à efetividade
da gestão de programas/cursos de EAD. As perguntas a serem abordadas
são: Quais os elementos que compõem um bom sistema de
EAD e como podem ser gerenciados? Como se dá a gestão
de um sistema de EAD? Como se dá o monitoramento nos sistemas
de EAD? A boa gestão do sistema e considerada fator crucial para
sucesso de iniciativas de EAD. Uma vez definidos os objetivos e o funcionamento
do sistema, é fundamental que se estabeleçam os mecanismos
pelos quais se possa assegurar que esse sistema vai efetivamente funcionar
conforme o previsto. É preciso que se pense na gestão
pedagógica, o que garante o alcance dos objetivos educacionais,
e também na gestão do sistema como um todo.
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PROGRAMA 3 -
MATERIAIS E SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO EM EAD
Um
bom sistema de educação a distância deve dispor
de mecanismos que promovam a aprendizagem dos cursistas e lhes ofereçam
apoio sistemático nessa aprendizagem. Para efetuar isso, as
instituições podem se servir de recursos variados como
materiais impressos, vídeos, sistemas de comunicação,
tutoria, etc. Este programa tratará particularmente da elaboração
de materiais impressos e vídeos, determinando características
que asseguram a qualidade dos mesmos, e da disponibilização
de outras formas de promover a comunicação e interatividade
com e/ou entre cursistas, como plataformas e serviços de plantão
telefônico. Os recursos tecnológicos (impressos, audiovisuais,
on-line) apresentam características específicas que
serão debatidos nesse programa. Serão apontados ainda
alguns critérios de qualidade.
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PROGRAMA 4 -
TUTORIA EM EAD
Este
programa trata especificamente de questões relacionadas à
tutoria nos sistemas de EAD. O tutor, que também pode ser chamado
de orientador ou facilitador da aprendizagem, é quem geralmente
acompanha o estudo e o desenvolvimento das atividades do cursista
no transcorrer do curso, dando apoio à aprendizagem. Sua função
pode variar de acordo com o estabelecido em cada curso de formação.
Tendo em vista experiências variadas, as questões a serem
consideradas pelos convidados serão: O que é a tutoria?
Como funciona? Qual é o papel do tutor? (papel pedagógico
e operacional) Como ele se diferencia do professor? Quais as características
do bom tutor? Como é realizado o treinamento do Tutor?
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PROGRAMA 5 -
AVALIAÇÃO EM EAD
A
questão da avaliação é sempre muito discutida
nos cursos de EAD. Qual a abordagem apropriada? Como fazer esta avaliação?
Qualquer curso de formação tem de, necessariamente,
discutir essas questões e definir claramente seu sistema de
avaliação. Neste programa serão discutidas questões
referentes à avaliação dos cursistas nos cursos
de EAD, incluindo critérios para a avaliação,
instrumentos, sistemáticas de correção, sistemas
de recuperação, etc. Além disso, serão
discutidas metodologias para a avaliação externa de
programas de EAD. Como avaliar se um programa possui qualidade, é
eficiente e eficaz?
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PGM
1 - Formação
de Professores a Distância
Texto 1 - A Educação a distância
e a Formação de Professores
Carmen
Moreira de Castro Neves 1
A
Lei de Diretrizes e Bases n.º 9.394/96 valoriza a qualificação
dos profissionais da educação e, inclusive, estabelece
um prazo 2006 , a partir do qual só poderão
ser admitidos professores formados em nível superior.
Além
disso, no artigo 87, reforça a necessidade de elevar o nível
de formação dos profissionais, determinando que "cada
Município e, supletivamente, o Estado e a União, deverá
(...) realizar programas de capacitação para todos os
professores em exercício, utilizando também, para isto,
os recursos da educação a distância".
Em
vários artigos, a Lei fala dos profissionais da educação,
destacando, entre outros, seu papel na construção do
projeto pedagógico da escola, na gestão democrática,
no estabelecimento de estratégias didáticas e no próprio
desenvolvimento profissional, inclusive mediante a capacitação
em serviço.
A
preocupação do legislador em realçar os profissionais
da educação reflete o mundo em que vivemos, marcado
por um contínuo processo de mudança, por avanços
científicos e tecnológicos, pela valorização
do conhecimento, das competências, da autonomia, da iniciativa
e da criatividade.
Nesse
cenário, crescem as pressões por maior qualidade no
processo de ensino-aprendizagem e por uma educação que
aconteça ao longo de toda a vida. A escola contemporânea
deve ser um espaço de aprender a aprender; de criação
de ambientes que favoreçam o conhecimento multidimensional,
interdisciplinar; um local de trabalho cooperativo/solidário,
crítico, criativo, aberto à pluralidade cultural, ao
aperfeiçoamento constante e comprometido com o ambiente físico
e social em que estamos inseridos.
Se
a escola deve mudar, certamente os cursos de formação
de professores precisam também passar por uma mudança
profunda e radical. Todas as características da escola contemporânea
antes apresentadas devem estar presentes nos cursos que formam os
profissionais da educação. O cotidiano da formação
dos educadores deve ser marcado por um diálogo interativo entre
ciência, cultura, teorias de aprendizagem, gestão da
sala de aula e da escola, atividades pedagógicas e domínio
das tecnologias que facilitam o acesso à informação
e pesquisa.
O
documento que trata dos Referenciais para a formação
dos professores lembra a homologia dos processos, que significa
que o educador tende a reproduzir métodos, técnicas
e estratégias que foram utilizados durante seu processo de
formação. Assim, um curso pedagogicamente pobre pode
levar o educador a trabalhar com seus alunos de uma forma também
pobre. Ou a exigir desse educador um enorme esforço para vencer
as deficiências que enfrentou.
Essa
reflexão nos leva a pensar a educação a distância
sob uma nova ótica.
A
educação a distância não é um modismo:
é parte de um amplo e contínuo processo de mudança,
que inclui não só a democratização
do acesso a níveis crescentes de escolaridade e atualização
permanente como também a adoção de novos paradigmas
educacionais, em cuja base estão os conceitos de totalidade,
de aprendizagem como fenômeno pessoal e social, de formação
de sujeitos autônomos, capazes de buscar, de criar, de aprender
ao longo de toda a vida e de intervir no mundo em que vivem.
Assim,
cursos oferecidos a distância destinados a formar e aperfeiçoar
professores podem chegar aos mais longínquos lugares do Brasil
(80% dos 27.000 alunos do Proformação eram da zona rural),
o que demonstra seu potencial de democratizar a educação.
E podem, também, ser uma excelente estratégia de ao
mesmo tempo construir conhecimento, dominar tecnologias, desenvolver
competências e habilidades e discutir padrões éticos
que beneficiarão, mais tarde, os alunos desses professores.
Ou seja, um bom curso a distância oferece aos seus cursistas
não só autonomia para aprender sempre, como deixa o
profissional preparado para trabalhar com seus alunos de uma forma
mais rica, moderna, dinâmica.
Isso,
no entanto, só acontece com uma educação a distância
comprometida com qualidade. E qualidade em educação
a distância é como uma rede de pesca: vários nós
que se unem para alcançar um objetivo. A fragilidade em um
dos nós pode comprometer o resultado final.
A
seguir, vamos apresentar quais os principais "nós" que sustentam
a qualidade de um curso de formação de professores a
distância2.
1. Concepção
educacional do curso
Um
curso de formação de professores a distância está
inserido nos propósitos da educação do país,
com ela entrelaça seus objetivos, conteúdos, currículos,
estudos e reflexões. Deve ser elaborado a partir de princípios
filosóficos e pedagógicos explicitados nos guias e manuais
e postos em prática ao longo de todo o processo.
Se
o curso é apenas um conjunto de materiais xerocados, sem atividades
que levem o professor a aplicar o que está aprendendo no seu
cotidiano, se há pobreza de recursos e estratégias didáticas,
se não provoca no cursista o interesse de interferir no seu
meio, se pode ser realizado na metade do tempo de uma graduação
presencial, é preciso cuidado: pode ser um projeto sem qualidade.
Do
ponto de vista legal, um curso de graduação precisa
ser autorizado por Parecer do Conselho Nacional de Educação
- CNE, homologado pelo Ministro da Educação e publicado
no Diário Oficial da União. (Para facilitar, a SEED
vem colocando em sua página na Internet os cursos já
autorizados).
É
preciso cautela com instituições desconhecidas. Se for
estrangeira, é necessário procurar informações
sobre ela na Embaixada do país de origem; se for de outro estado,
é importante se informar sobre os resultados alcançados
pela instituição nas avaliações nacionais
feitas pelo MEC.
2. Desenho do
projeto: a identidade da educação a distância
Programas,
cursos, disciplinas ou mesmo conteúdos oferecidos a distância
exigem administração, desenho, lógica, linguagem,
acompanhamento, avaliação, recursos técnicos,
tecnológicos e pedagógicos, que não são
mera transposição do presencial. Ou seja, a educação
a distância tem sua identidade própria.
Não
há, porém, um modelo único de educação
a distância. Os programas podem apresentar diferentes desenhos
e múltiplas combinações de linguagens e recursos
educacionais e tecnológicos. A natureza do curso e as reais
condições do cotidiano dos alunos é que vão
definir a melhor tecnologia, a necessidade de momentos presenciais
em estágios supervisionados, laboratórios e salas de
aula, a existência de pólos descentralizados e outras
estratégias.
3. Sistema de
tutoria: cursos a distância têm professores, sim
É
engano considerar que programas a distância podem dispensar
o trabalho e a mediação do professor. Nos cursos a distância,
os professores vêem suas funções se expandirem.
Segundo Authier (1998), "são produtores quando elaboram
suas propostas de cursos; conselheiros, quando acompanham os alunos;
parceiros, quando constroem com os especialistas em tecnologia abordagens
inovadoras de aprendizagem".
Num
programa a distância, portanto, eleva-se o nível de exigência
dos recursos humanos envolvidos: além de professores-especialistas
nas disciplinas, deve-se contar com tutores, avaliadores, especialistas
em comunicação e no suporte de informação
escolhido, entre outros.
A
improvisação, infelizmente comum numa relação
face a face, não pode acontecer num curso a distância:
a definição dos objetivos, dos conteúdos, da
bibliografia básica e complementar, a elaboração
do material, a escolha da mídia, todos esses aspectos são
definidos a priori e devem estar sob responsabilidade de profissionais
altamente competentes, para garantir o alcance dos resultados educacionais
e o custo-efetividade do programa. A responsabilidade desses profissionais
é compartilhada, assim sendo, uma política de integração
de equipes e de educação permanente para esse grupo
é absolutamente necessária.
Pessoal
de apoio técnico-administrativo, que cuide de matrículas,
expedição de materiais, registro do histórico
escolar, apoio com tecnologia (especialmente em cursos on-line) e
outras questões técnico-administrativas também
devem estar envolvidos no projeto.
É
essencial saber quem são os docentes responsáveis pela
elaboração dos materiais, pela tutoria, pela coordenação
do curso.
4. Sistema de
Comunicação: a interação é fundamental
O
aluno é sempre o foco de um programa educacional. E um dos
pilares para garantir a qualidade de um curso de graduação
a distância é a interação entre professores
e alunos, hoje bastante simplificada pelo avanço das tecnologias
da informação e da comunicação.
Para
permitir o contato entre o tutor e o aluno, deve haver espaço
físico disponível, horários para atendimento
personalizado, facilidade de contato por telefone, fax, e-mail, correio,
teleconferência, fórum de debate em rede e outros. Biblioteca,
laboratórios, computadores, vídeos e outros recursos,
postos à disposição na sede ou pólos descentralizados,
abrem ao aluno que pode freqüentar esses espaços oportunidades
de maior aproveitamento.
Sempre
que necessário, os cursos a distância devem prever momentos
presenciais, cuja periodicidade e obrigatoriedade devem ser determinadas
pela natureza do curso oferecido.
Facilitar
a interação dos alunos entre si também deve ser
uma preocupação da instituição que oferece
o curso. Para isso, é necessário saber quais os recursos
que permitem dialogar com o professor ou tutor.
5. Recursos educacionais
Não
basta ter experiência com cursos presenciais para assegurar
a qualidade da educação a distância. A produção
de material impresso, vídeos, programas televisivos, radiofônicos,
teleconferências, páginas Web atende a uma outra lógica
de concepção, de produção, de linguagem,
de estudo e de controle de tempo.
O
uso da tecnologia na educação a distância tem
freqüentemente repetido métodos ineficazes de instrução
ao vivo. Por exemplo: quando uma tecnologia interativa como a teleconferência
é utilizada para apresentação de palestras, nenhuma
inovação foi apresentada. E é falha grave quando
uma instituição considera que a presença virtual
é o mesmo que presença real: normalmente o aluno corre
o risco de não receber o apoio didático necessário.
Os
materiais didáticos devem traduzir os objetivos do curso, cobrir
todos os conteúdos e levar aos resultados esperados, em termos
de conhecimentos, habilidades, hábitos e atitudes. A relação
teoria-prática deverá ser pano de fundo dos materiais,
como estratégia de evitar uma certa centralização
que caracteriza cursos a distância. É aconselhável
que indiquem o tempo médio de estudo exigido, a bibliografia
básica e complementar e que forneçam elementos para
o aluno refletir e avaliar-se durante o processo. Sua linguagem deve
ser adequada e a apresentação gráfica deve atrair
e motivar o aluno. No caso de serem utilizadas diferentes mídias,
elas deverão estar articuladas.
6. Infra-estrutura
de apoio
Além
de mobilizar recursos humanos e educacionais, um curso a distância
exige a montagem de infra-estrutura material proporcional ao número
de alunos, aos recursos tecnológicos envolvidos e à
extensão de território a ser alcançada, o que
representa um significativo investimento para a instituição.
É
necessário ficar atento quanto: 1) à infra-estrutura
material equipamentos de televisão, videocassetes, audiocassetes,
fotografias, impressoras, linhas telefônicas, inclusive dedicadas
para Internet e serviços 0800, fax, equipamentos para
produção audiovisual e para videoconferência,
computadores ligados em rede e/ou stand alone e outros, dependendo
da proposta do curso; 2) à possibilidade de dispor de centros
de documentação e informação ou midiatecas
(que articulam bibliotecas, videotecas, audiotecas, hemerotecas e
infotecas etc.); 3) aos locais de atividades práticas em laboratórios
e os estágios supervisionados, inclusive para alunos fora da
localidade, sempre que a natureza e currículo do curso exigirem.
7. Sistema de
avaliação contínuo e abrangente
Nos
cursos de graduação a distância, a avaliação
tem duas vertentes importantíssimas: a do aluno e a do curso
como um todo.
Mais
que uma formalidade legal, a avaliação deve permitir
ao aluno sentir-se seguro quanto aos resultados que vai alcançando
ao longo do processo de ensino-aprendizagem. A avaliação
do aluno feita pelo professor deve somar-se à auto-avaliação,
que auxilia o estudante a tornar-se mais autônomo, responsável,
crítico, capaz de desenvolver sua independência intelectual.
Por
seu caráter diferenciado e pelos desafios que enfrentam, cursos
a distância devem ser acompanhados e avaliados em todos os seus
aspectos, de forma sistemática. Assim, deve-se desenhar um
processo contínuo de avaliação quanto: às
práticas educacionais dos professores; ao material; ao currículo;
ao sistema de orientação docente ou tutoria; à
infra-estrutura material que dá suporte tecnológico,
científico e instrumental ao curso e quanto à própria
avaliação.
8. Ética
na informação, publicidade e marketing
A
instituição que oferece o curso deve informar previamente:
documentos legais que autorizam o funcionamento do curso; direitos
que o curso confere; pré-requisitos exigidos; objetivos e conteúdos;
preço e condições de pagamento; custos que os
alunos deverão assumir durante o programa (tais como deslocamentos
para participação em momentos presenciais, provas, estágios,
etc.); profissionais responsáveis pelo desenvolvimento do curso;
equipamentos, bibliografia, videoteca, software e outros recursos
que estarão disponíveis aos alunos; local e horários
de atendimento personalizado; meios de comunicação oferecidos
para contato com o tutor; o tempo limite para completar os estudos
e condições para interrompê-los temporariamente.
Os
cursos de atualização, aperfeiçoamento, educação
aberta em geral, que não conferem direito a créditos
em outros cursos nem a exercício profissional, precisam deixar
claro, desde a publicidade, seus propósitos, de forma a não
gerar expectativas vãs. Em suma, vale o Código do Consumidor.
9. Capacidade
financeira de manutenção do curso
O
investimento em educação a distância em
profissionais, materiais educacionais, equipamentos, tempo, conhecimento,
sistemas de gestão e operacionalização dos cursos
é alto e deve ser cuidadosamente planejado e projetado
de modo a que um curso não tenha que ser interrompido antes
de finalizado, prejudicando a instituição e, principalmente,
os estudantes.
Antes
de matricular-se, o aluno deve informar-se sobre a solidez da instituição
que oferece o curso.
Considerações
finais
O
que é essencial observar ao se inscrever em um curso a distância?
Como
se viu de uma forma bastante resumida ao longo dessas páginas,
preparar um curso a distância é um trabalho ousado, abrangente
e que exige muita competência profissional. Nem todas as instituições
estão preparadas para isso.
A
área de Pedagogia é uma das mais atraentes para as instituições
ofertantes, seja porque há muitos professores motivados para
adquirirem um diploma superior, seja porque muitas instituições
consideram esse um curso "barato".
Assim,
ao escolher um curso, investigue a instituição, veja
como são avaliados seus cursos presenciais (não é
a mesma coisa, mas se ela não é bem avaliada nos presenciais,
certamente terá muita dificuldade em um curso a distância).
Procure saber quem são os docentes que respondem pelo curso,
enfim, faça uma análise do projeto com base nesses referenciais
básicos. Como profissional da educação, você
deve ser muito exigente com sua própria formação.
E
lembre-se: para muitos, parece ser fácil estudar a distância.
Na verdade não é. Estudar a distância exige perseverança,
autonomia, capacidade de organizar o próprio tempo, habilidade
de leitura, escrita e interpretação (mesmo pela Internet)
e, cada vez mais freqüente, domínio de tecnologia.
Mas,
do ponto de vista de formação de professores, um curso
a distância de qualidade concretiza as orientações
da moderna pedagogia e ajuda a formar sujeitos ativos, cidadãos
comprometidos, pessoas autônomas, independentes, capazes de
buscar, de criar, de aprender ao longo de toda a vida e de intervir
no mundo em que vivem. É muito bom que os professores possam
vivenciar isso na sua formação e educação
continuada. Bom para eles próprios, bom para seus alunos, bom
para a melhoria de qualidade da educação.
Bibliografia:
Authier,
Michel. Le bel avenir du parent pauvre. In: Apprendre à
distance. Le Monde de LÉducation, de la Culture et
de la Formation Hors-série France, Septembre,
1998.
Castro
Neves, Carmen Moreira de. Critérios de Qualidade
para a Educação a Distância. In: Tecnologia
Educacional, Rio de Janeiro, v. 26, no. 141, abr./jun., 1998.
_________
Tecnologias na Educação a Distância
ou presencial: Seis lições básicas. In:
Pátio revista pedagógica. V. 5, n.
18 ago./out.2001. Artmed Editora Ltda, Porto Alegre, RS.
Em
Aberto Educação a Distância. INEP:
Brasília, v. 16, n.70, abr./jun. 1996.
Serres,
Michel. La société pédagogique. In:
Apprendre à distance. Le Monde de LÉducation,
de la Culture et de la Formation. Hors-série France,
Septembre, 1998.
NOTAS:
- Especialista
em Políticas Públicas e Gestão Governamental,
Mestre em Educação, Diretora do Departamento de Política
de Educação a Distância, da Secretaria de Educação
a Distância/MEC.
- Conheça
mais sobre referenciais para cursos de graduação a
distância no site do MEC: http://www.mec.gov.br - links:
Educação a Distância - Página inicial
Indicadores de Qualidade.
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PGM
1 - Formação de Professores a Distância
Texto 2 - Critérios de Qualidade
Bernardete
A. Gatti *
A necessidade de oferecer a professores em serviço,
ou pré-serviço, uma qualificação compatível
com as exigências sociais e profissionais para seu nível
de atuação foi bem analisada por vários pesquisadores,
durante a década de 90, no século XX. Esses estudos
mostraram as necessidades, tanto em termos numéricos, como
em termos qualitativos, de currículos e condições
básicas de formação (Alves, 1992,1998; Brzezinski,
1994; Cunha,1992; Gatti, 2000; Ludke, 1994; Pimenta, 1994, dentre
outros). Ao lado destes estudos, foram surgindo alternativas de formação
que foram desenvolvidas em várias instituições
públicas de ensino superior em diversos pontos do país.
Algumas dessas iniciativas passaram a incorporar a educação
a distância como forma de poder atingir, sobretudo, os professores
em exercício nas escolas públicas que não possuíssem
uma formação escolar condizente com as exigências
para o exercício profissional da docência. Foram implementadas
com base em princípios discutidos e consensuados por vários
grupos, buscando não só diminuir as estatísticas
de carências na formação dos docentes da educação
básica, mas, sobretudo buscando uma nova qualidade para essa
formação. Essas iniciativas foram acompanhadas e geraram
várias reflexões sobre os caminhos tomados (Gatti, 2000),
permitindo avanços em concepções e práticas.
As propostas de formação de professores
na modalidade educação a distância por exemplo,
as desenvolvidas no estado de Mato Grosso, envolvendo as Universidades
Federal e Estadual e a Secretaria de Educação, o programa
Salto para o Futuro, o Proformação, o PEC-Universidade,
em São Paulo, o Programa desenvolvido pela Universidade Federal
do Paraná trouxeram condições para se sair de
discussões sobre "o que aconteceria se ..." para o plano das
reflexões sobre práticas concretas e seus desdobramentos.
Com isso, a questão da qualidade desejável para essa
modalidade formativa, postulada teoricamente, pode enriquecer-se do
confronto com as práticas.
Educar e educar-se a distância requer condições
muito diferentes da escolarização presencial. Os alunos
em processos de educação a distância não
contam com a presença cotidiana e continuada de professores,
nem com o contato constante com seus colegas. Embora possam lidar
com os temas de estudo disponibilizados em diferentes suportes, no
tempo e local mais adequados para seus estudos, num ritmo mais pessoal,
isso exige determinação, perseverança, novos
hábitos de estudo, novas atitudes em face da aprendizagem,
novas maneiras de lidar com suas dificuldades. Por outro lado, os
educadores envolvidos com os processos de ensino a distância
têm que redobrar seus cuidados com as linguagens, aprender a
trabalhar com multimídia e equipamentos especiais, maximizar
o uso dos momentos presenciais, desenvolver melhor sua interlocução
via diferentes canais de comunicação, criando nova sensibilidade
para perceber o desenvolvimento dos alunos com quem mantêm interatividade
por diferentes meios e diferentes condições.
Nestas condições, algumas características
devem ser garantidas nesse processo para que uma boa qualidade formativa,
que os alunos têm direito de usufruir em seus processos educativos,
esteja contemplada. Neste texto, tentarei apenas sintetizar algumas
das características e fatores que têm se evidenciado
como propiciando um nível qualitativo de alto diferencial para
a formação a distância de professores.
Em processos acompanhados e avaliados por pesquisadores
de diferentes instituições e formação,
verifica-se que é importante que programas de educação
a distância, e de modo muito especial aqueles que darão
certificações ( Ensino Médio, graduação,
etc.), desenvolvam em seu início um trabalho interativo de
esclarecimento sobre seus pressupostos pedagógicos, seu eixo
curricular, os conhecimentos que serão envolvidos e porquê,
sua estrutura de funcionamento, materiais e suportes a serem utilizados,
e processos de acompanhamento e avaliação. O programa
não pode ser um salto no escuro para os participantes. O trabalho
interativo entre educadores e alunos, neste momento, que pode ou não
ser presencial, é vital para que os alunos avaliem suas possibilidades
de envolvimento, o esforço que deles será exigido, as
condições de apoio com que contarão, o tipo de
material com que lidarão, as formas de avaliação.
É um momento importante para elevar a motivação,
uma vez que os participantes estarão se envolvendo em um processo
de aprendizagem que será em grande parte solitário,
em que pesem os recursos e momentos interativos. Os participantes
de programas a distância que recebem apenas um pacote instrucional
entendido como totalmente autodidático tendem a apresentar
grandes dificuldades de dominarem os conteúdos e a desistir
do programa. Além disto, este tipo de programa dificilmente
poderia ser identificado como educacional, pois não é
propiciado ao aluno nessa metodologia condições de inserção
consciente num processo, com visão de totalidade, de metas,
de processos envolvidos, de modo que ele possa fazer escolhas no sentido
de investir em seu próprio desenvolvimento, de se sentir verdadeiramente
inserido num processo educacional valorizado por ele. Estes pacotes
instrucionais, em geral, também não propiciam o desenvolvimento
de algumas atividades coletivas, participação de discussões,
contatos, trocas, onde aspectos socializadores são desenvolvidos,
e onde valores, atitudes, formas de argumentação podem
ser construídos e tomar sentido. Não criam condições
para a construção de um sentimento de pertencimento,
de cooperação, de partilha, de ser ajudado e de ajudar.
Processos educacionais não se atêm apenas à instrução,
mas também criam oportunidades de desenvolvimento da comunicação,
de valores sociais e éticos, de formas de pensar. Programas
de educação a distância precisam incorporar essas
qualidades sob pena de não serem educativos.
É mais rico o processo educativo a distância
para formação de professores quando se adota uma postura
sobre a aquisição de conhecimentos, tratada e concebida
como busca permanente, como reflexão vinculada às práticas
sociais e pedagógicas, constituindo-se pela atividade das pessoas
em seus contextos. Esta postura propicia uma articulação
mais adequada das diferentes áreas de conhecimento num processo
de interdisciplinaridade e de redes disciplinares.
Outro ponto a ressaltar diz respeito ao material
didático e de apoio. Seu impacto sobre as aprendizagens e a
motivação dos participantes está vinculado a
uma produção extremamente cuidadosa, envolvendo um delicado
trabalho com os conteúdos, com a didática, com as linguagens
das mídias, com a organização visual, com os
processos interativos (a distância ou em momentos presenciais).
O material didático e de apoio para educação
a distância tem características bem diferentes do material
usual para cursos presenciais. Precisa, por exemplo, ser muito mais
bem cuidado no sentido de ser ao máximo auto-explicativo, oferecendo
informações decodificáveis pelos participantes,
sem intérpretes, porém, criando ao mesmo tempo oportunidade
de extrapolações, pesquisa, reconstrução
de fatos do conhecimento humano, situações-problema,
etc. Não podem ser materiais informativos simples, textos corridos.
A par da informação básica necessária,
devem ocorrer problematizações sobre o tema tratado,
instigando o participante a encontrar caminhos que lhe permitam avançar
no assunto, buscar informações e construir conhecimento.
Bem dosados quanto ao conteúdo, construídos com um bom
planejamento didático-pedagógico, utilizando-se de recursos
diversos, utilizando soluções de linguagem ñ visuais,
auditivas ou gráficas ñ adequadas e atraentes, servem à
criação de condições para uma aprendizagem
estimulante, um desenvolvimento mais integral do participante, desenvolvimento
de hábitos de estudo, crescente melhoria nas habilidades de
leitura e outras, e desenvolvimento de comportamentos de iniciativa,
entre outros. Materiais qualitativamente superiores incorporam aspectos
heurísticos em sua concepção, sem deixarem de
ser acessíveis. Um desafio e tanto!
Sabemos que nos processos de educação
a distância um dos grandes problemas é o abandono dos
estudos, em alto percentual, pelos participantes dos programas. Isto
às vezes vem associado à baixa qualidade dos materiais
didáticos, mas verifica-se também que os programas de
educação a distância para professores, mostram-se
mais adequados, inclusive com baixa evasão, quando a implementação
curricular é pensada intercalando momentos a distância
e atividades presenciais, com sistema bem estruturado de tutoria dos
alunos e apoio presencial e a distância de especialistas, tanto
para os alunos, quanto para os tutores. Contatos humanos mostram-se
significantes. A ação sistemática, continuada
e planejada de um modo de tutoria mostra boa eficácia no atingimento
das metas do programa pelos participantes.
Outra característica com diferencial qualitativo
para melhor está associada a processos avaliativos, quando
estes são variados em suas formas ( provas, trabalhos, memoriais,
elaboração de textos refletindo sobre suas práticas,
elaboração de textos mais teóricos, grupos de
discussão, observação das práticas, etc.).
E ainda, quando são bem programados e os critérios de
valoração dos diferentes meios avaliativos são
claros e são utilizados como meio constante na direção
de ajudar o participante a avançar em seus estudos. A avaliação
em processo, integrada aos trabalhos educacionais do programa, dialogada,
utilizada pedagogicamente para a progressão dos participantes
mostra-se como fator importante na formação que se está
construindo interativamente.
E aí está colocada uma das principais
qualidades de programas de educação a distância:
a interatividade. Interatividade constante, continuada, atenciosa,
cuidada. Ela deve ser propiciada por diferentes meios no mesmo programa:
momentos presenciais coletivos, internet, telefone, videoconferências,
telessalas, teleconferências, etc. Diálogo, trocas, vivências,
relatos: é o humano humanizando o tecnológico, pondo
este ao serviço do humano, e não vice-versa. Processos
educacionais são processos de socialização, portanto,
a interatividade com participação igualitária
é qualidade indispensável a qualquer programa de educação
a distância de professores, numa perspectiva de sociedade democrática.
Eles serão os profissionais mais diretamente envolvidos na
preservação e possibilidade de transformação
qualitativamente superior de nossos processos civilizatórios:
os formadores das novas gerações de homens e mulheres.
Esses programas também devem ser uma resposta à questão:
que civilização queremos?
Referências Bibliográficas:
Alves, N. Trajetórias
e redes na formação de professores. Rio de Janeiro,DPA
Editora, 1998.
óóóóóó . Formação
de professores: pensar e fazer. São Paulo, Cortez,
1992.
André, M.E. de A. Avaliação
externa: Proformação ñ Estudos de Caso, Relatório
Técnico. São Paulo, PUC-SP, 2001.
Barreto, E.S.S. O programa
Um Salto para o Futuro ñ Avaliação Externa.
São Paulo, FCC, 1993.
Brzezinki, I. A formação
do profissional da escola. In: Revista ANDE, São Paulo,
Cortez, v.13, n.20, p.21-9, 1994.
Cunha, M. I. O
bom professor e sua prática. 2a.ed. Campinas, Papirus,
1992.
Gatti, B.A. Formação
de professores e carreira: problemas e movimentos de renovação.
2a. ed., Campinas, Autores Associados, 2000.
Ludke, M. Avaliação
institucional: Formação de docentes para o ensino
fundamental e médio (As licenciaturas). Série
Cadernos CRUB, v.1,n.4, Brasília, 1994.
Pimenta, S.G. O estágio
na formação de professores: unidade teoria e prática.
São Paulo, Cortez, 1994.
Placco, V.N. Avaliação
externa: Proformação ñ Pesquisa de opinião
ñ Relatório Técnico, São Paulo, PUC-SP,
2002.
UEMAT. Projeto de Formação
em serviço e continuada para professores em exercício
no magistério: licenciaturas plenas parceladas. Cáceres,
MT,1996.
UFMT/SEE/UEMAT. Licenciatura
Plena em Educação Básica: 1™ a 4 ™ série
do 1¹ grau. mimeo., 1995.
Unesp. Textos Geradores e Resumos.
IV Congresso Estadual Paulista sobre Formação de
Educadores, Águas de São Pedro, 1996.
USP. Fórum das Licenciaturas.
São Paulo, 1992, v. 1, 2 e 3.
NOTAS:
* Fundação Carlos
Chagas/PUC-SP.
|
PGM
1 - Formação de Professores a Distância
Texto 3 - O que é um bom curso a distância?
José
Manuel Moran *
Quando
olhamos para nossa experiência em sala de aula, um bom curso
é aquele que nos empolga, que nos surpreende, que nos faz pensar,
que nos envolve ativamente, que traz contribuições significativas
e que nos põe em contato com pessoas, experiências e
idéias interessantes. Às vezes, um curso promete muito,
tem tudo para dar certo e nada acontece. Em contraposição,
outro que parecia servir só para preencher uma lacuna, torna-se
decisivo.
Um
curso considerado "bom" depende de um conjunto de fatores previsíveis
e de uma "química", ou seja, de uma forma de juntar os ingredientes
de um modo especial, que faz a diferença.
No
fundamental, tanto um curso presencial, quanto um curso a distância
de qualidade possuem os mesmos ingredientes:
- Ambos
dependem, em primeiro lugar, de termos educadores maduros, intelectual
e emocionalmente, pessoas curiosas, entusiasmadas, abertas, que
saibam motivar e dialogar. Pessoas com as quais valha a pena entrar
em contato, porque vamos sair enriquecidos. O grande educador
atrai não só pelas suas idéias, mas pelo
contato pessoal. Há sempre algo surpreendente, diferente
no que diz, nas relações que estabelece, na sua
forma de olhar, na forma de comunicar-se, de agir.
- Ambos
dependem, também, dos alunos. Alunos curiosos e motivados
facilitam enormemente o processo, estimulam as melhores qualidades
do professor, tornam-se interlocutores lúcidos e parceiros
de caminhada do professor-educador.
- Para
termos cursos presenciais ou a distância de boa qualidade
é necessário termos administradores, diretores e
coordenadores mais abertos, que entendam todas as dimensões
que estão envolvidas no processo pedagógico, além
das empresariais ligadas ao lucro; que apóiem os professores
inovadores, que equilibrem o gerenciamento empresarial, tecnológico
e o humano, contribuindo para que haja um ambiente de maior inovação,
intercâmbio e comunicação.
- Um
bom curso ñ presencial ou a distância ñ depende, finalmente,
de ambientes ricos de aprendizagem, de ter uma boa infra-estrutura
física: salas, tecnologias, bibliotecas... A aprendizagem
não se faz só na sala de aula, mas nos inúmeros
espaços de encontro, de pesquisa e produção
que as grandes instituições propiciam aos seus professores
e alunos.
Em
educação a distância um dos grandes problemas
é o ambiente, ainda reduzido a um lugar onde se procuram textos,
conteúdos. Um bom curso é mais do que conteúdo,
é pesquisa, troca, produção conjunta. Para suprir
a menor disponibilidade ao vivo do professor, é importante
ter materiais mais elaborados, mais auto-explicativos, com mais desdobramentos
(links, textos de apoio, glossário, atividades...). Isso implica
montar uma equipe interdisciplinar, com pessoas da área técnica
e pedagógica, que saibam trabalhar juntas, cumprir prazos,
dar contribuições significativas.
Um
curso de qualidade depende muito da possibilidade de uma boa interação
entre os seus participantes, do estabelecimento de vínculos,
de fomentar ações de intercâmbio. Quanto mais
interação, mais horas de atendimento são necessárias.
Uma interação efetiva precisa de ter monitores capacitados,
com um número equilibrado de alunos. Em educação
a distância não se pode só "passar" uma aula pela
TV ou disponibilizá-la num site na Internet e dar alguns
exercícios.
Um
bom curso de educação a distância procura ter
um planejamento bem elaborado, mas sem rigidez excessiva. Permite
menos improvisações do que uma aula presencial, mas
também deve evitar a execução totalmente hermética,
sem possibilidade de mudanças, sem prever a interação
dos alunos. Precisamos aprender a equilibrar o planejamento e a flexibilidade
(que está ligada ao conceito de liberdade, de criatividade).
Nem planejamento fechado, nem criatividade desorganizada, que vira
só improvisação.
Avançaremos
mais se soubermos adaptar os programas previstos às necessidades
dos alunos, criando conexões com o cotidiano, com o inesperado,
se conseguirmos transformar o curso em uma comunidade viva de investigação,
com atividades de pesquisa e de comunicação.
Com
a flexibilidade, procuramos adaptar-nos às diferenças
individuais, respeitar os diversos ritmos de aprendizagem, integrar
as diferenças locais e os contextos culturais. Com a organização,
buscamos gerenciar as divergências, os tempos, os conteúdos,
os custos, estabelecemos os parâmetros fundamentais.
Um
bom curso a distância não valoriza só os materiais
feitos com antecedência, mas como eles são pesquisados,
trabalhados, apropriados, avaliados. Traça linhas de ação
pedagógica maiores (gerais) que norteiam as ações
individuais, sem sufocá-las. Respeita os estilos de aprendizagem
e as diferenças de estilo de professores e alunos. Personaliza
os processos de ensino-aprendizagem, sem descuidar o coletivo. Permite
que cada professor, monitor, encontre seu estilo pessoal de dar aula,
onde ele se sinta confortável e consiga realizar melhor os
objetivos, com avaliação contínua, aberta e coerente.
Um
curso presencial ou um curso a distância que sejam eficientes
e produtivos certamente sempre serão dispendiosos, porque envolvem
a necessidade de qualidade pedagógica e tecnológica.
E a qualidade não se improvisa. Ela tem um alto custo, direto
ou indireto. Mas vale a pena. Só assim podemos avançar
de verdade.
Um
bom curso é aquele que nos entristece quando está terminando
e nos motiva para encontrarmos formas de manter os vínculos
criados. É aquele que termina academicamente, mas continua
na lista de discussão, com trocas posteriores, os colegas se
ajudam, enviam novos materiais, informações, apoios.
É aquele que guardamos no coração e na nossa
memória, como um tesouro precioso. Professores e alunos, todos
precisamos estarmos atentos para valorizar as oportunidades que vamos
tendo de participar de experiências significativas de ensino/aprendizagem
presenciais e virtuais. Elas nos mostram que estamos no caminho certo
e contribuem para nossa maior realização profissional
e pessoal.
Bibliografia:
MORAN,
José Manuel, MASETTO, Marcos & BEHRENS, Marilda. Novas
tecnologias e mediação pedagógica.
3a edição. Campinas: Papirus, 2001.
www.eca.usp.br/prof/moran
NOTAS:
* Professor
da PUC-SP. Assessor do MEC para avaliação de cursos
a distância.
|
PGM
2 - Gestão de programas de EAD
Texto 1 - A gestão na educação
superior a distância
Carlos
Bielshowisck *
A
Educação Superior na modalidade a Distância pode
abrir as portas da competência acadêmica instalada em
nossas universidades públicas, democratizando seu acesso, principalmente
para a população brasileira residente nas cidades do
interior, uma vez que permite formar profissionais sem deslocá-los
de seus municípios.
São
inúmeros os exemplos no mundo em que esta modalidade de ensino
é utilizada com muita qualidade acadêmica, tal como o
ensino de graduação praticado na Universidade Nacional
de Educação a Distância da Espanha (UNED), na
Open University do Reino Unido (OU), na Fern Universität da Alemanha,
na Athabasca University do Canada, entre vários exemplos. Por
certo que, como qualquer atividade amplamente difundida, são
também inúmeros os casos que apresentam baixa qualidade,
especialmente após o advento de recursos digitais, onde muitas
vezes se confundem as reais necessidades de um sistema complexo de
educação a distância com a mera transposição
de conteúdos por via eletrônica.
Montar
um sistema de educação a distância (EAD) que resulte
em uma prática pedagógica inclusiva e de qualidade acadêmica
é uma tarefa complexa, que depende de competência técnica
e vontade política. A partir do momento em que se toma a decisão
política de montar um sistema de educação superior
a distância até o instante em que se colhem os primeiros
resultados, decorrem alguns anos e é despendida uma considerável
soma de recursos financeiros, visto que, para montar um sistema consistente
de EAD, há necessidade de uma série de condições,
sem as quais o processo não é eficaz.
Não
se pode dizer que as Universidades dedicadas ao ensino na modalidade
de EAD, criadas principalmente entre os anos 70 e 90, adotaram desde
seu início o mesmo modelo. Entretanto, algumas características
afins elas exibem, como a forte presença de material impresso
e, entre as diferenças, o peso maior ou menor da tutoria presencial,
realizada nos pólos regionais, em contraposição
com uma presença mais marcante da área de vídeo.
O
advento dos meios digitais tem trazido mudanças nestas Universidades
"tradicionais" (tradicionais entre aspas, diga-se de passagem,
pois são, em grande maioria, sistemas relativamente novos,
com menos de 30 anos). Tais mudanças, por exemplo, em curso
na UNED, vêm sendo conduzidas com cautela, a fim de não
abandonar um modelo consolidado, sem alcançar com segurança
um outro novo, mais pautado na utilização de tecnologias
digitais. Questões como substituir a tutoria presencial nos
pólos regionais por tutoria pela Internet, constituem uma delas.
O problema da avaliação, dentre outros, tem sido amplamente
discutido no seio destas Instituições de Ensino Superior
e as soluções estão aparecendo no seu devido
tempo. Outras Universidades iniciaram recentemente suas atividades
em EAD, já utilizando as tecnologias digitais.
É
necessário analisar detalhadamente a questão do modelo
tecnológico na construção de um sistema de EAD
e, em particular, nos países em desenvolvimento, onde a garantia
do acesso da população a estas tecnologias ñ acesso
não apenas físico mas também cultural ñ precisa
ser contemplada. Na montagem de cursos de graduação
a distância, tais questões devem ser levadas em conta,
para que os objetivos de construir uma sociedade mais justa e desenvolvida
sejam alcançados.
Além
disto, é fundamental entender que um sistema de educação
a distância é, de fato, um sistema. Um sistema complexo!
Aquilo que parece absolutamente óbvio, quando observamos as
diversas experiências bem-sucedidas implementadas em todo o
mundo, por motivos que não nos cabe analisar aqui, muitas vezes
não é plenamente considerado na elaboração
de novos projetos.
Um
sistema de EAD deve contemplar algumas questões básicas:
1) Precisa
apresentar objetivos claramente estabelecidos, ou seja, oferecer
um projeto político/pedagógico bem definido e consistente
com seus propósitos;
2) Deve
utilizar um material didático impresso e, eventualmente,
também em meios digitais, com conteúdo sólido
e preparado para o processo de educação a distância;
3) Precisa
contemplar uma solução clara para o sistema de tutoria,
peça chave no sucesso de um sistema de EAD;
4) Deve
dispor de plataformas tecnológicas adaptadas às necessidades
da proposta e, ao mesmo tempo, de elementos tecnológicos
não excludentes, do ponto de vista do acesso aos estudantes;
5) Precisa
indicar uma solução física e operacional que
garanta encontros presenciais e disponibilize espaços de
ensino/aprendizagem (laboratórios, biblioteca, etc.) próximos
ao estudante;
6) Precisa
contemplar um sistema consistente de avaliação;
7) Necessita
de uma equipe docente altamente qualificada, tanto do ponto de vista
do conteúdo específico, quanto no que concerne a pressupostos
pedagógicos, uma vez que esta equipe estará multiplicando
seus conhecimentos, de forma interativa, para um número de
alunos muito maior que aquele praticado pelo ensino presencial;
8) Necessita
de uma infra-estrutura administrativa/operacional que garanta a
eficácia de todas as complexas etapas do processo.
Enquanto
em sistema de educação presencial, uma eventual falha
em um dos elementos do processo pode ser reparada sem grandes prejuízos,
o mesmo não ocorre no processo de Educação a
Distância.
Por
exemplo, na educação presencial um professor pode remarcar
um exame sem maiores problemas. Na Educação a Distância
os exames são pré-marcados e os alunos deslocam-se,
muitas vezes de grandes distâncias, para realizar seus exames
nos pólos regionais. Uma mudança de data, após
seu deslocamento, pode desanimá-los fortemente. Da mesma forma,
um material didático pouco atraente pode levar o aluno a considerar-se
inapto para o curso, levando-o eventualmente a abandonar o curso,
o que não ocorre no processo presencial, no qual o contato
presencial com o professor oferece aos alunos outras opções.
Em
síntese, o sucesso de um programa de Educação
Superior a Distância depende criticamente do cumprimento rígido
de todos os procedimentos planejados em seu projeto.
NOTAS:
* Diretor
do CEDERJ.
|
PGM
2 - Gestão de programas de EAD
Texto 2 - Gestão de Sistemas de Educação
a Distância
Alvana
Maria Bof *
Introdução
Cada vez mais, torna-se evidente a importância
da gestão em programas educacionais. Idéias boas podem
se perder ou resultar em programas pobres e ineficazes, quando não
se dá a devida atenção a este requisito.
No caso da educação a distância,
isso não é diferente. Sistemas de EAD são complexos
e exigem uma gestão eficiente para que os resultados educacionais
possam ser alcançados. Uma vez definidos os objetivos educacionais,
o desenho instrucional, etapas e atividades, os mecanismos de apoio
à aprendizagem, as tecnologias a serem utilizadas, a avaliação,
os procedimentos formais acadêmicos e o funcionamento
do sistema como um todo, é fundamental que se estabeleçam
as estratégias e mecanismos pelos quais se pode assegurar que
esse sistema vá efetivamente funcionar conforme o previsto.
Este trabalho visa apresentar e discutir aspectos
relacionados à gestão de sistemas de EAD, considerando
a gestão como um fator-chave para assegurar a qualidade e o
sucesso de programas e cursos nessa modalidade. Apresentam-se, primeiramente
algumas características de sistemas de EAD, passando, em seguida,
para aspectos relacionados à gestão dos mesmos.
Espera-se, com essa análise, contribuir com
o debate em torno da viabilidade e qualidade de sistemas de EAD, bem
como oferecer alguns subsídios aos que estão envolvidos
no planejamento ou implementação desta modalidade de
ensino.
Sistemas de Educação a Distância
Um primeiro aspecto a ser colocado na discussão
sobre a gestão de sistemas de EAD se refere à natureza
dos sistemas de EAD. Ao contrário do que muitos pensam, trata-se
de um sistema complexo, que exige da instituição que
o promove não só uma infra-estrutura adequada, mas a
definição e operacionalização de todos
os processos que permitem o alcance dos objetivos educacionais propostos.
Os bons sistemas de EAD são compostos por
uma série de componentes que devem funcionar integrados. Trata-se
da formalização de uma estrutura operacional que envolve
desde o desenvolvimento da concepção do curso, a produção
dos materiais didáticos ou fontes de informação
e a definição do sistema de avaliação,
até estabelecimentos dos mecanismos operacionais de distribuição
de matérias, disponibilização de serviços
de apoio à aprendizagem e o estabelecimento de procedimentos
acadêmicos.
Obviamente, dependendo da instituição,
da abrangência de sua área de atuação,
dos objetivos educacionais propostos, da natureza dos
cursos oferecidos, esta estrutura pode ser mais ou menos complexa.
De um modo geral, pode-se dizer que sistemas de EAD
apresentam:
1. Estrutura/mecanismos de planejamento e preparação/disponibilização
de materiais instrucionais ( sejam eles escritos, audiovisuais,
ou on-line);
2. Estrutura/mecanismos para a provisão
de serviços de apoio à aprendizagem aos cursistas
(Tutoria, serviços de comunicação, momentos
presencias);
3. Serviços de Comunicação
que possibilitam o acesso do cursista às informações
necessárias ao desenvolvimento de suas atividades no curso;
4. Sistemática de avaliação
definida e operacional;
5. Estrutura física, tecnológica
e de pessoal compatível com a abrangência da atuação
da instituição e o tipo de desenho instrucional dos
cursos oferecidos;
6. Estrutura e mecanismos de monitoramento e
avaliação do sistema.
Vejamos o exemplo de sistemas de EAD nas Universidades
Abertas, como as da Inglaterra e da Espanha. Estas instituições,
que são na verdade universidades que funcionam a distância,
possuem toda uma estrutura que lhes garante o funcionamento sistemático.
Possuem equipes que elaboram os materiais didáticos, mecanismos
para que os alunos os recebam, uma equipe de tutoria que atua
no acompanhamento do trabalho dos alunos, um sistema formalizado de
avaliação, serviços de comunicação,
uma infra-estrutura física, tecnológica e de pessoal
central e também organizada em centros regionais, secretarias
e mecanismos institucionalizados para os serviços acadêmicos,
mecanismos de monitoramento e avaliação dos serviços
prestados, enfim, constituem sistemas completos.
Outro exemplo é o do Proformação,
um curso em nível médio com a habilitação
no Magistério que oferece a formação a distância
para aproximadamente 25.000 professores, promovido, em parceria, pelo
Ministério da Educação, os estados e municípios.
O Proformação não é desenvolvido por uma
instituição, mas sim por um conjunto de atores: houve
uma equipe que elaborou a proposta do curso e produziu os materiais,
uma equipe que é responsável por todo o processo de
implementação, incluindo a definição da
estratégia de implementação e sistema operacional,
monitoramento e avaliação, e foi estabelecida uma estrutura
operacional que viabiliza a consecução do curso.
Nessa estrutura, os cursistas têm o apoio dos
tutores e das Agências Formadoras (AGF); as AGF são apoiadas
pelas equipes estaduais de gerenciamento e assessores técnicos,
e as equipes estaduais contam com o apoio da Coordenação
Nacional. Formou-se, assim, um sistema ou uma rede de formação
que permite que o curso se desenvolva e atinja seus objetivos educacionais.
Assim como os sistemas apresentados, existem outros,
como os que se organizam nas instituições chamadas duais,
ou seja, universidades que oferecem cursos presenciais e também
a distância. De qualquer forma, os elementos apresentados devem
estar formalizados.
A Gestão de Sistemas de Educação a Distância
Quando falamos em gestão, estamos falando
da maneira como se organizam e gerenciam as partes que compõem
um sistema, com vistas ao alcance dos objetivos propostos. Por exemplo,
quando falamos em gestão escolar, estamos falando de como a
escola organiza sua estrutura, sua proposta pedagógica, seus
serviços, seu pessoal, etc. para que a aprendizagem do aluno
ocorra com qualidade, de acordo com sua proposta educacional.
No caso da Educação a Distância
não é diferente. A gestão é importantíssima,
uma vez que é ela que garante o perfeito funcionamento
do sistema e, conseqüentemente, sua qualidade, eficiência
e eficácia.
Para fins de ilustração, podemos separar
a gestão de sistemas de EAD em dois grupos: a) gestão
pedagógica e b) gestão de sistema.
a) Gestão pedagógica
Na gestão pedagógica, encontra-se
o gerenciamento das etapas e atividades do curso, bem como do sistema
de apoio à aprendizagem e à avaliação.
É preciso que as etapas e atividades estejam claramente definidas
e que tudo seja planejado e coordenado de tal maneira que elas ocorram
eficientemente, da maneira programada e no tempo previsto.
Também é preciso que, qualquer
que seja o sistema de apoio à aprendizagem do aluno previsto no
sistema, este funcione eficientemente. Assim, se o sistema estabelece
uma Tutoria para o acompanhamento dos alunos, esta deve estar claramente
definida, com as funções e as atividades do tutor
estabelecidas e todos os procedimentos para o exercício desta
função formalizados. Mais do que isso, é
preciso estabelecer mecanismos gerenciais para o acompanhamento
do trabalho dos Tutores.
Se o sistema estabelece um sistema de comunicação,
é preciso garantir que ele efetivamente esteja servindo ao
seu objetivo: possibilitar a comunicação efetiva entre
os participantes. Se, de um lado, temos que garantir a possibilidade
real do aluno se comunicar com uma instância do sistema para
obter informações ou esclarecer dúvidas, por
outro, é preciso garantir que, da parte da instituição,
haja um atendimento eficiente, com respostas precisas e em tempo
hábil.
No Proformação, por exemplo,
foi criada toda uma rede de tutores, articulados com as AGF, e estabelecidos
plantões pedagógicos (telefônicos e presenciais)
nas AGF para que este apoio à aprendizagem pudesse ocorrer.
Todos esses elementos tiveram suas funções, bem como
seus mecanismos de atuação definidos. Mais do que
saber o que fazer, é preciso que todos os elementos do sistema
saibam "como fazer", quais os procedimentos a serem empregados no
desenvolvimento de suas atividades.
Para uma boa gestão pedagógica
é preciso ainda que o sistema de avaliação
esteja claramente definido e seja conhecido por todos. Assim, além
de determinar qual a sistemática de avaliação
formativa/somativa adotada na proposta pedagógica, é
preciso que se definam indicadores e instrumentos que possibilitem
o desenvolvimento desta avaliação na prática,
e quem serão os agentes encarregados desse processo.
Assim, em sua gestão, todo sistema de
EAD deve prever a definição, a estruturação,
o funcionamento sistemático de tudo aquilo que compõe
a proposta pedagógica desse sistema, bem como prever, como
veremos a seguir, a preparação, o acompanhamento,
o monitoramento e a avaliação das equipes para assegurar
o bom funcionamento do mesmo.
b) Gestão de sistema
Na gestão de sistema, podemos situar
todas as outras necessidades de gerenciamento: de recursos financeiros,
de pessoal, de treinamentos, de produção e distribuição
de materiais, da tecnologia empregada, dos processos acadêmicos,
do monitoramento e avaliação. Trata-se
do gerenciamento de processos que são inerentes ao funcionamento
eficiente do sistema.
Normalmente, os sistemas envolvem o gerenciamento
dos recursos financeiros disponíveis (que são finitos)
e a prestação de contas às entidades ou órgãos
associados a eles. Um sistema de EAD exige recursos e estes devem
ser gerenciados de modo a garantir a eficiência e eficácia
do mesmo.
Do mesmo modo, os sistemas envolvem um quadro
de pessoal e, dependendo de sua estrutura, a capacitação
técnica específica desse quadro e /ou treinamentos
sistemáticos. Como já salientamos, todos os envolvidos
devem saber claramente "o que fazer" e "como fazer". Por outro lado,
a boa gestão acompanha o trabalho dos envolvidos para identificar
pontos que ainda não foram bem compreendidos e que devem
ser reforçados.
A gestão deve preocupar-se, ainda, com
a preparação de bons materiais instrucionais e o funcionamento
das tecnologias empregadas. Se, por exemplo, optou-se pela utilização
de materiais impressos, há toda uma organização
necessária para a definição de tais materiais,
das pessoas ou equipes que trabalharão nesta elaboração,
dos prazos para elaboração, produção
e distribuição dos mesmos.
Se, por outro lado, optou-se por tutoria "on
line" , deve-se assegurar que a rede de computadores esteja disponível
e em funcionamento, mantendo um sistema de manutenção
constante.
Além disso, como ocorre nos sistemas
de educação presencial, cursos a distância geralmente
demandam mecanismos especiais ligados ao registro da vida acadêmica
do aluno. Isso pode incluir desde o modo como o aluno se inscreve
nos cursos oferecidos e o registro de sua efetiva participação,
até a avaliação e certificação.
Finalmente, não podemos deixar de salientar
a necessidade que todo sistema tem de estabelecer e operar uma sistemática
contínua de monitoramento e avaliação. Somente
estabelecendo mecanismos para obter dados e acompanhar o funcionamento
do sistema, tanto no que se refere ao alcance dos objetivos propostos,
quanto no desenvolvimento dos processos, é que o gestor pode
buscar o aperfeiçoamento do sistema. Lembremos sempre que
estamos falando de sistemas complexos, que envolvem uma série
de partes que devem funcionar articuladamente. No momento que uma
dessas partes apresenta problemas, o todo pode ser comprometido.
Assim, melhor estabelecer, desde o início, alguns mecanismos
que possibilitem a identificação de problemas, de
modo que estratégias possam ser definidas para a sua imediata
resolução.
Considerações Finais
Percebe-se, assim, que há muitas variáveis
envolvidas num sistema de EAD e que sua complexidade não deve
ser subestimada. Necessita-se, sim, pensar em todas essas variáveis,
estabelecer mecanismos que permitam o gerenciamento das mesmas e a
efetividade nos processos, sempre com vistas à concretização
dos objetivos educacionais traçados.
Torna-se bastante claro, também, que não
basta o desenvolvimento de uma boa proposta pedagógica ou a
produção de bons materiais instrucionais para garantir
o sucesso de um curso ou Programa de EAD. Embora essas condições
sejam absolutamente necessárias ao desenvolvimento de um programa
ou curso, não são suficientes para propiciar que o aluno
possa se engajar num processo de aprendizagem efetivo. A formalização
de estruturas, mecanismos e procedimentos que viabilizem tanto a gestão
pedagógica quanto a gestão de sistema são fundamentais
à qualidade e sucesso de qualquer sistema de EAD.
NOTAS:
* Coordenadora Nacional do Proformação/Secretaria
de Educação a Distância - Ministério
da Educação.
Consultora dessa série.
|
PGM
2 - Gestão de programas de EAD
Texto 3 - A gestão de um
programa de educação a distância em universidade pública
presencial e multi-campi
Selma
Dias *
1. Como foi concebida a gestão
da EAD na UFPA?
Pensar a gestão
de um programa de cursos a distância em uma universidade tradicionalmente
presencial multi-campi como a Universidade Federal do Pará
é tarefa complexa, desafiadora, que exige, sobretudo, vontade
política. As demais ações decorrem dessa vontade
de fazer e da disposição dos gestores, de investir no
Programa.
Algumas fases do processo
de implantação e gestão da educação
a distância nortearam a equipe técnica responsável
pela implementação dos projetos que integram o Programa
de EAD, tais como:
- Fase de planejamento: articulação
política que implica interação infra e extra-institucional
(diálogo entre administração superior, docentes
e técnicos envolvidos), concepção do sistema
de educação a distância a ser implementado,
público alvo, custos da infra-estrutura de acordo com os
meios e metodologia a ser utilizada e do custeio necessário
à fase de implementação; metas a alcançar
e cronograma de execução físico e financeiro.
- Fase de execução:
constituição e treinamento das equipes técnicas
para produção de materiais e tutoria, acompanhamento
e avaliação sistemática do curso e da aprendizagem.
Além das fases
de planejamento e execução, foram considerados os elementos
melhor visualizados no gráfico a seguir:

Partiu-se da missão
da educação a distância no contexto institucional
e regional, qual seja a de democratizar o acesso ao ensino superior,
por parte de uma população excluída, sobretudo
de adultos que se encontram residindo fora dos centros que ofertam
cursos presenciais ou de trabalhadores que não dispõem
de tempo disponível para freqüentar as aulas no sistema
tradicional. Contudo, a missão só pode se tornar viável
e exeqüível, na medida em que os (a):
1. princípios
norteadores do funcionamento estiverem claros para toda equipe,
2. estrutura
organizativa que, no caso da UFPA, é o Departamento de
Educação a Distância (DEAD), trabalhando integrado
com as pró-reitorias fim e as unidades acadêmicas que
compreendem centros, departamentos, núcleos e coordenações
de cursos nos quais estão localizados os professores conteudistas,
os tutores e o apoio administrativo.
3. instrumentos
de planejamento, tais como o projeto pedagógico, a definição
do público alvo, da demanda, dos meios que a universidade
precisa colocar à disponsição da equipe e dos
usuários, que no caso são os cursistas, do cronograma
físico financeiro.
4. adequação
ao contexto sócio-educativo que envolve aspectos importantes
de políticas públicas, de cultura local e outras relativas
ao entorno ambiental que, na Amazônia, merece atenção
especial, tendo em vista suas peculiaridades e dificuldades de várias
ordens, que interferem diretamente na execução do
projeto e, conseqüentemente, no cumprimento da missão.
Vale ressaltar que
a Universidade Federal do Pará executa cursos desde 1998 e,
embora sejam poucos, estes têm representado um espaço
de conquista e superação de preconceitos, que têm
sido grandes obstáculos, pouco a pouco superados, no interior
da instituição, pois os cursos a distância ainda
são vistos, por alguns grupos mais fechados, como uma espécie
de "aligeiramento" da educação. Dos cursos em extensão
(apenas 4, sendo que dois deles do Consórcio UniRede), um deles,
Alfabetização com Base Lingüística para
professores, já implantado desde 1998, conta com cerca de 1.300
alunos em todo o estado do Pará. Outro curso, de Planejamento
e Gestão do Desenvolvimento Regional, qualificou 248 técnicos
para a produção de projetos voltados para o interesse
da Região e do estado em particular. Cada um desses cursos
possui uma gestão singular que se adapta às características
do projeto e da clientela a que se propõem atender e trabalha
em sintonia com a equipe do DEAD. Não existe, portanto, um
modelo único de gestão para esses cursos.
Em se tratando de cursos
que certificam, como no caso da graduação, a experiência
tem sido mais complexa, sobretudo, porque o curso precisa ser assimilado
por um sistema de gestão do ensino presencial que absorve menos
alunos, cresce mais lentamente, não exige a presencialidade
como forma de controle da aprendizagem mas, em compensação,
exige um acompanhamento quase que individualizado por parte de tutores
que acompanham os cursistas semanalmente, e que precisam, de um lado,
conhecer muito bem os conteúdos das disciplinas para orientar
os alunos e, de outro, entender o sistema de gestão e acompanhamento
que difere do modelo por ele já introjetado, qual seja, o sistema
presencial centrado na figura do professor que transmite o conhecimento.
Romper com esse paradigma tem sido um dos grandes desafios da gestão
do DEAD na UFPA.
O sistema de gestão
da EAD na UFPA, diversamente do de outras instituições
federais de ensino superior brasileiras, que criaram Núcleos
integradores de ações, com maior grau de liberdade administrativa
que um Departamento, foi criado no âmbito da Pró-Reitoria
de Ensino de Graduação e Administração
Acadêmica, em função do interesse da administração
superior em dar ênfase aos cursos e/ou disciplinas da graduação.
Porém o trabalho é sempre desenvolvido em colaboração
com outras pró-reitorias, como já foi mencionado.
2. Como está organizada a gestão
do DEAD?
O Departamento está
constituído por diretoria responsável pelas articulações,
negociações e orientações gerais e que
participa do planejamento e das avaliações, e de duas
divisões técnicas, sendo uma responsável pelo
apoio tecnológico e desenvolvimento de ambientes para cursos
e/ou disciplinas em rede e de outra divisão que apóia
e orienta na produção de materiais didáticos
(impresso e áudio). As equipes dos centros trabalham em cooperação
com estas divisões, porém elas devem ficar mais autônomas
tão logo dominem o processo de produção, de modo
a liberar a equipe central para apoiar projetos em fase inicial de
implantação. Depois de capacitadas essas equipes, existe
um acompanhamento sistemático do processo, através de
pesquisa avaliativa.
2.1 Organização
e objetivos do Departamento de Educação a Distância
- DEAD
- Coordenação geral:
negociação dos projetos, captação de
recursos, orientação aos treinamentos, divulgação
de resultados, acompanhamento dos projetos de pesquisa, otimização
e socialização dos recursos, sensibilização
de grupos de produção, identificação
de necessidades.
- Equipe responsável pelo desenvolvimento
de softwares educativos; web design; home page;
atualizações do sistema e capacitação
de pessoal para o uso do meio.
- Equipe responsável pela capacitação
de tutores, logística da distribuição dos materiais,
editoração dos materiais impressos, vídeos
e áudio e apoio à equipe de gestão dos projetos.
Para fazer face às
demandas que começam a surgir, desde o início, houve
a preocupação com a descentralização da
gestão do Programa, de modo a possibilitar a otimização
dos recursos humanos qualificados e disseminar os treinamentos necessários
antes e durante a implementação dos cursos. Isto quer
dizer que cada unidade pedagógica (Centro ou Colegiado de Curso)
precisa constituir sua equipe de professores que vão trabalhar
na elaboração dos materiais didáticos, eleger
uma coordenação e esta equipe que trabalhará
sob a orientação da equipe do DEAD.
A organização
de uma equipe compreende a identificação tanto de um
perfil do profissional que se quer, quanto das habilidade e competências
que ele tem ou que precisa adquirir. A rigor, devem constituir uma
equipe técnicos de várias áreas do conhecimento
mas, algumas vezes, é freqüente ver alguns deles desempenhando
vários papéis. Isso permite agilizar e tornar a ação
mais eficiente e eficaz, desde que ele seja competente e responsável,
pois a experiência tem revelado que os cursos a distância
exigem muito mais dos professores e tutores que os cursos presenciais,
tanto no que diz respeito à preparação de materiais,
quanto no acompanhamento individualizado dos cursistas e, ainda, pelo
maior número de avaliações formativas, enquanto
estratégia de fixação de aprendizagem.
- A composição de uma
equipe técnica:
Exemplo de composição
de uma equipe técnica interdisciplinar para produção
de material impresso e de áudio e web:
Orientador Pedagógico
Conteudista/Especialista
Suporte/Administrativo
Revisão
da língua
Ilustrador
Programador
visual
Roteirista de
vídeo/ áudio
Diretor e equipe
de gravação de áudio e vídeo
Para Cursos WEB
Web designer
Analista de
Sistema
Web Master
HTML
Programador
Entretanto, em função
de custos e da UFPA ainda não dispor de vários cursos,
esses técnicos, em sua maioria, prestam serviços ao
projeto, recebem uma bolsa e, dependendo do momento e da necessidade,
eles podem ser dispensados da prestação de serviços.
Os meios são
escolhidos de acordo com a população alvo e com os
recursos disponíveis no orçamento do projeto.
2.2 Um exemplo concreto: funcionamento
do curso de Licenciatura em Matemática
O Projeto de Licenciatura
de Matemática foi implantado junto ao Centro de Ciências
Exatas, assim como os demais cursos presenciais, e os professores
estão vinculados ao Departamento de Matemática, como
anteriormente já referido.
Foi estratégico,
na gestão, identificar professores motivados para o trabalho
de produção de materiais didáticos, já
que o ingresso no curso será feito via curso preparatório
e o acesso durante quatro meses, o que implica uma revisão
de conteúdos do Ensino Fundamental e Médio e uma avaliação
presencial final.
Identificar e propor
parcerias para uma gestão compartilhada não foi um trabalho
fácil, tendo em vista o modelo centralizador, composto pela
justaposição de territórios bem demarcados, que
em nada favorece o trabalho em grupo e interdisciplinar exigido pela
EAD. No espaço institucional, foi necessário desde identificar
espaços físicos ociosos para alojar o novo curso, até
definir estratégias de captação de recursos para
investimentos.
Ser uma universidade
multicampi favorece, em muito, o apoio dos alunos que residem
no interior do estado, posto que, devido às distâncias,
o custo com os deslocamentos de professores é muito mais elevado.
Deste modo, a UFPA vai dispor de professores tutores já previamente
treinados para o acompanhamento remoto ou presencial, dependendo da
disponibilidade e opção do cursista.
Constitui-se
num sistema vital para a garantia de acompanhamento e melhor rendimento
da aprendizagem a distância. Na UFPA, um tutor será
responsável por um grupo de 30 cursistas. Este tutor, depois
de selecionado e capacitado para o desempenho da função,
será acompanhado e avaliado pelo coordenador do curso. Todos
os tutores terão que ter concluído a graduação
em Matemática.
Considerando-se
a grande dimensão territorial do Pará e a precariedade
da infra-estrutura de acesso à maioria dos municípios
do interior, a UFPA selecionou, previamente, a implantação
do curso em três municípios, incluindo Belém,
a saber: Marabá, Santarém, Altamira. Contudo, o que
se verificou foi que já foi solicitada a implantação
do curso em mais de 10 municípios, que serão atendidos
pela monitoria do campus mais próximo.
- Tipos de Monitoria utilizadas pela
UFPA:
- Monitoria
Presencial;
- Em grupo;
- Via correio,
- Telefone,
fax;
- E-mail;
- Fórum;
- Chat.
Para que a comunicação
se torne mais eficiente, estão sendo implantas duas linhas
0800, porém, o atendimento aos cursistas poderá ser
presencial ou em grupos pequenos, por ocasião do plantão
dos tutores. Para aqueles que dispõem de um computador conectado
na rede, o atendimento poderá ser pela rede através
do correio eletrônico ou do fórum de debate e ainda
do chat, cujos software em sendo livres, não
geram ônus para a instituição.
Em se tratando
de autarquia pública, a UFPA oferece os cursos de graduação
sem ônus para o cursista, porém o custeio do curso
será via Prefeituras/ FUNDEF, através de contratos
que regulamentam a relação entre a Fundação
de Amparo e Pesquisa (FADESP) a UFPA e as Prefeituras ou Secretarias
de Estado. Esse instrumento viabiliza o pagamento dos materiais
didáticos, de bolsas para os tutores e o custeio de materiais,
passagens e diárias, nos casos em que os professores coordenadores
ou pesquisadores necessitam de deslocamento intermunicipal.
- sistema de seleção
dos candidatos
O candidato ao
curso de Matemática ingressa na licenciatura propriamente
dita, depois de passar por um curso preparatório de revisão
de conteúdos do currículo dos cursos fundamental e
médio. Após quatro meses de curso, será realizada
uma avaliação somativa, que classificará dentre
os 1.000 inscritos os 250 primeiros colocados, que ingressam imediatamente
no curso de graduação. Nesta fase, os cursistas também
são acompanhados por tutores designados e treinados pela
equipe da UFPA (todo o material será impresso e foi produzido
inteiramente pela equipe da UFPA).
O aluno do curso
de Matemática será o professor da rede pública
estadual ou municipal do Estado do Pará, que esteja trabalhando
com a disciplina Matemática nesses sistemas de ensino. A
UFPA não irá oferecer, pelo menos na fase experimental
do curso e enquanto houver demanda do Estado, para outros estados
ou municípios.
- Os materiais impressos da Licenciatura
Tendo
em vista uma primeira tentativa de contrato com a Open University
da Inglaterra ter sido frustrada após 4 anos de negociações
e dos problemas que, finalmente, a equipe técnica concluiu
que se teria em adaptações dos cursos da OU, e tendo
em vista a aprovação de um curso de Matemática
inteiramente produzido no Brasil pelo Consórcio Estadual
das Universidades Públicas do Rio de Janeiro (CEDERJ), a
UFPA, com o parecer técnico da equipe do Colegiado do Curso
de Matemática, decidiu trabalhar com os materiais produzidos
pelo CEDERJ e fazer as adequações que se fizerem necessárias,
na medida em que as avaliações indicarem (o curso
utilizará apenas material impresso, tendo em vista as características
da clientela alvo e as condições reais de infra-estrutura
dos campi).
NOTAS:
* Universidade
Federal do Pará.
|
PGM
3 - Materiais e sistemas de comunicação em EAD
Texto 1 - Materiais escritos nos processos formativos
a distância
Maria
Umbelina Caiafa Salgado 1
Nos últimos anos, vem crescendo o reconhecimento
da importância da EAD como alternativa para a formação
de professores e outros profissionais. A própria Lei de Diretrizes
e Bases da Educação (LDB) incentiva esse tipo de estratégia,
e a recente abertura trazida pela Portaria Ministerial n° 2.253
de 18/10/01 estimulou a apresentação de inúmeros
projetos por diferentes Instituições de Ensino Superior
e outros órgãos como Secretarias de Educação
e o próprio MEC.
Nesse contexto, é importante atentar para
alguns pontos que, se não forem adequadamente tratados, poderão
resultar em problemas, dificuldades e mesmo no insucesso de um programa
de EAD. Um desses pontos é o material instrucional que, sob
a forma de textos impressos, vídeos, programas de TV ou de
rádio, CD rom, hipertextos etc. , pode ser veiculado por diferentes
meios, para chegar ao aluno: correios, fax, telefone, rádio,
televisão, internet.
Algumas vezes se ouve dizer que um curso a distância,
para ser atual, deve ser veiculado por TV, internet ou ambas. Esse
é um equívoco que deve ser esclarecido. Nenhum meio
para chegar ao aluno é desprezível, todos têm
suas vantagens e limitações, sendo, muitas vezes, aconselhável
combinar vários deles, de acordo com alguns critérios
que permitem julgar sua adequação às condições
da população que se quer atingir e aos objetivos visados.
Esses critérios são a sincronia/assincronia
de recepção, a disponibilidade de acesso pela população
envolvida, a organização possível da recepção
na situação considerada; a existência de um esquema
eficiente e rápido de manutenção dos equipamentos
e o custo. Não se trata aqui de discutir tais critérios,
bastando dizer que o material impresso, enviado pelo correio ou distribuído
de outra forma, apresenta muitas vantagens: permite utilização
síncrona ou assíncrona (ou seja, permite trabalhar simultaneamente
com grupos de alunos ou com cada aluno em tempos distintos), é
facilmente acessível às diferentes regiões do
país, independentemente da existência de provedores,
energia elétrica, telessalas ou esquemas de manutenção.
Seu custo é relativamente baixo e tende a pesar menos no conjunto
do curso, na proporção em que cresce o número
de alunos.
Além disso, o material impresso é um
complemento importante de outros, tais como os vídeos e os
programas de TV. Mesmo no caso de cursos pela Internet, a observação
tem mostrado que os alunos tendem a imprimir qualquer texto que ultrapasse
quatro ou cinco páginas. Podemos, assim, concluir que os materiais
impressos têm um lugar próprio, quando se trata da educação
a distância.
Contudo, tem sido comum encontrarmos instituições
e profissionais que julgam possível utilizar textos tradicionais
na EAD, apenas mudando o meio de apresentação ao aluno
ou acrescentando algumas atividades soltas, ao final. É preciso
notar que um bom material para educação a distância
tem características específicas, decorrentes das peculiaridades
do processo de ensino e aprendizagem mediado por qualquer tipo de
dispositivo que substitua a interação face a face.
Assim, para compreender os requisitos de um bom material
impresso para EAD, é necessário partir da análise
do processo de ensino e aprendizagem tal como ele ocorre, na educação
presencial, em que o calor humano e a possibilidade de observação
direta facilitam:
- a sensibilização dos alunos para o que vai ser ensinado/aprendido;
- a apresentação do conteúdo e sua organização
lógica;
- a percepção imediata pelo professor de qualquer
problema quanto à compreensão do que está sendo
focalizado;
- a correção pronta de enganos e erros;
- a informação ao aluno sobre seus acertos e dificuldades;
- a proposição de atividades complementares ou de
reforço.
Além disso, devemos notar que, na educação
presencial, o aluno permanece na escola por um tempo bastante longo
e contínuo, entrando em contato com os elementos da cultura
escolar que constituem o currículo oculto.
Na educação a distância, as ações
acima não ficam automaticamente garantidas, o tempo do aluno
é geralmente parcelado, e a cultura da escola não é
diretamente acessível, devendo haver cuidados especiais para
incorporar esses elementos ao processo de ensino e aprendizagem o
que, em grande parte, se faz por meio dos materiais instrucionais,
com estratégias variáveis, segundo o tipo de mídia
envolvida. Na televisão e na internet, a imagem e o movimento
favorecem aspectos como a visualização de processos
e seqüências, o desenvolvimento de aspectos afetivos e
sociais. Já no material impresso, o uso de signos não
verbais é restrito, e a imagem desempenha um papel complementar
ao texto. Entretanto, esse material permite o aprofundamento do raciocínio
e cria boas oportunidades para o desenvolvimento da capacidade de
produção de textos pelo aluno.
A partir dessas considerações, podemos
analisar as características de um bom material impresso para
EAD, partindo da idéia geral de que ele deve suprir a ausência
do professor, possibilitando uma adequada interação
do aluno com o conhecimento. Os textos didáticos ou acadêmicos
tradicionais, mesmo quando são de boa qualidade, adotam geralmente
um estilo expositivo, impessoal, mantendo oculta sua estrutura lógica
e organizando o conteúdo em grandes blocos ou capítulos.
As atividades de estudo, quando existem, ficam no final do capítulo.
A avaliação fica transferida para uma prova posterior.
Nesse contexto, não se estimula diretamente a aprendizagem
ativa e auto-dirigida e não se oferecem ao aluno as informações
sobre seu desempenho necessárias para a auto-avaliação
e o redirecionamento de esforços. O suposto é que tudo
isso seja suprido pelo professor na interação face a
face com os alunos.
No material impresso especificamente destinado à
educação a distância, é fundamental que
se consiga estabelecer uma comunicação de mão
dupla. Para isso, o estilo do texto deve ser dialógico e amigável:
o autor tem de "conversar" com o aluno, criar espaços para
que ele expresse de sua própria maneira o que leu, reflita
sobre as informações patentes no texto e as das entrelinhas,
exercite a operacionalização e o uso dos conceitos e
das relações aprendidas e avalie a cada momento como
está seu desempenho. Isso significa dar ênfase mais à
aprendizagem do que ao ensino, buscando desenvolver um aprendiz ativo
e seguro em relação ao caminho percorrido.
Entretanto, é preciso alertar para o fato
de que um material impresso, por ser dialógico, não
deixa de utilizar a modalidade escrita da língua. Muitas vezes
a preocupação com a dialogicidade leva a uma super-exploração
de processos indutivos, resultando em textos confusos e repetitivos,
com excesso vocativos e construções próprias
da modalidade oral da língua, o que certamente prejudica a
compreensão do leitor.
O material para ensino a distância pode adotar
um estilo mais coloquial, mas deve ser claro e enxuto, tomando-se
grande cuidado para apresentar as informações de modo
controlado, articulando-as com atividades e exercícios que
devem permear o texto e não ficar soltos no final. É
necessário incluir casos e exemplos do cotidiano, de maneira
a mobilizar os conhecimentos prévios dos alunos e facilitar
a incorporação das novas informações aos
esquemas mentais preexistentes. As atividades de estudo, bem como
os casos e exemplos, devem integrar organicamente o texto, funcionando
como recursos de tessitura e não como apêndices dispensáveis.
Isso significa que o aluno é levado a raciocinar e refletir
com base nos exemplos, casos e atividades de estudo, de tal maneira
que esses elementos se tornam essenciais para a compreensão
do texto.
Contudo, a clareza e a concisão de um material
para educação a distância dependem fundamentalmente
de um bom projeto pedagógico para o curso considerado. É
indispensável que se tenha uma clara visão do profissional
ou cidadão que se deseja formar, das competências básicas
que se deseja alcançar para que se possa formular claramente
os objetivos desejados, expressando-os como conhecimentos ou desempenhos
dos alunos. O tratamento adequado dos objetivos é que garante
a qualidade do material, oferecendo critérios seguros para
a seleção e organização dos conteúdos
socialmente relevantes e atualizados, a elaboração das
atividades de estudo e a construção das atividades de
verificação da aprendizagem. Quando bem elaboradas e
vinculadas aos objetivos, essas atividades oferecem ao aluno um feedback
constante do seu desempenho, indicando-lhe os pontos que necessitam
de maior atenção, de esforço e de estudo.
Com base nessas considerações, podemos
esquematizar em linhas gerais a estrutura de um texto para educação
a distância, ressaltando, contudo, que se trata de uma possibilidade
entre outras. Desde que se atenda aos requisitos essenciais, os elementos
da estrutura podem variar infinitamente, mas é importante que
os textos impressos para educação a distância
contenham:
- uma introdução que apresente o tema a ser tratado,
explicitando-o e delimitando-o com clareza; procurando sensibilizar
o cursista para a relevância do assunto tratado; situando-o
no conjunto do curso (relação com outras unidades
e com outros componentes curriculares); anunciando a organização
do texto;
- dois a três objetivos específicos, selecionados a
partir das competências que compõem o perfil de saída
do curso e formulados na perspectiva do cursista, ou seja, focalizando
conhecimentos e desempenhos resultantes da aprendizagem, que podem
referir-se a processos ou a produtos;
- um corpo de texto organizado de modo a deixar claramente explícita
a estrutura lógica subjacente, com seções vinculadas
a objetivos específicos, bem seqüenciadas, mas razoavelmente
autônomas, de modo que possam ser estudadas em momentos diferentes;
- um fechamento do tema, retomando a questão inicial e destacando
conclusões importantes.
- Para desenvolver um bom texto para EAD é aconselhável:
- explicitar com clareza o objetivo de cada seção,
bem como os temas e subtemas que serão tratados, e explorar
cada subtema, clarificando conceitos difíceis, apresentando
exemplos, comentando aspectos polêmicos, destacando pontos-chave;
- partir de um caso, problema, ou atividade relacionada ao cotidiano
do cursista; utilizar diferentes tipos de atividades para mobilizar
conhecimentos prévios; promover a recuperação
de informações ou de experiências; inserir atividades
de estudo destinadas a auxiliar a compreensão do tema e subtemas,
e atividades práticas e de auto-avaliação,
propondo questões com o mesmo formato que será utilizado
nas provas presenciais;
- estabelecer ligação clara entre as diferentes seções,
fornecendo sínteses parciais e pontos importantes a serem
sublinhados;
- incluir bibliografia, de preferência comentada, para orientar
o aprofundamento de estudos;
- usar recursos gráficos (cor, fonte, ícones) para
aumentar a interatividade do material e dar maior visibilidade a:
pontos-chave; citações e indicações
de outras fontes; exemplos e casos; resultados de pesquisas; dados
numéricos; reflexões; pontos polêmicos; detalhamento
de aspectos específicos.
Esse tipo de material exige alguns cuidados na preparação
do respectivo processo de produção, que se configura
como um trabalho de equipe, no qual colaboram especialistas em: conteúdos
dos componentes curriculares; organização de materiais
didáticos; revisores de Língua Portuguesa; e programadores
visuais.
A articulação entre essas diferentes
categorias de profissionais é fundamental para o bom resultado
do trabalho. É necessário, inicialmente, organizar um
processo de treinamento em redação de materiais para
EAD, principalmente quando se trata de especialistas sem experiência
nesse tipo de trabalho. Mesmo quando são experientes, uma reunião
inicial de planejamento ajuda a direcionar adequadamente os textos.
Cada material deve ser objeto de três tipos de avaliação,
considerando: 1) adequação ao projeto pedagógico
do curso e ao formato para EAD; 2) correção, relevância
e atualização dos conteúdos; 3) sintonia com
a população-alvo. Assim, é aconselhável
que os materiais sejam avaliados por meio de: especialistas em elaboração
de material para educação a distância; pareceristas
externos; e pré-teste com uma amostra de usuários que
apresentem características semelhantes às da população-alvo.
Além de passar por esses crivos, os textos
para EAD devem ser objeto de cuidadosa diagramação que,
em muitos casos, tem de ser feita ainda durante o processo de avaliação
dos conteúdos e do formato, uma vez que exerce grande influência
na interatividade do material. De qualquer maneira, os autores devem
acompanhar e aprovar todo o desenvolvimento do projeto gráfico
e da ilustração.
Com esses cuidados, o material impresso revela-se
uma importante ferramenta que, em muitos casos, ainda representa o
principal meio para atingir o aluno situado em regiões isoladas
e sem acesso a recursos mais sofisticados, e que, certamente, não
deixou de ser um indispensável apoio ao uso de meios como a
TV e a Internet.
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VILLARROEL, A. Reflexiones acerca del uso reciente
de educacion a distancia en la Latinoamerica. Em Aberto,
Brasília, v. 16, n. 70, abr./jun., 1996, pp. 93-99.
NOTAS:
1
Coordenadora Pedagógica do VEREDAS Formação
Superior de Professores Curso Normal Superior da SEE
MG e consórcio de 18 IES (2001/2002). Assessora Pedagógica
do GESTAR Programa Gestão da Aprendizagem Escolar
MEC/FUNDESCOLA e IQE (Instituto Qualidade no Ensino) 2000/2002.
Coordenadora Pedagógica da equipe de elaboração
do material instrucional do PROFORMAÇÃO - Programa
de Formação de Professores em Exercício - MEC/SEED/FUNDESCOLA
(1998/2000).
|
PGM
3 - Materiais e sistemas de comunicação em EAD
Texto 2 - Materiais escritos nos processos formativos
a distância
Leda
Maria Rangearo Fiorentini *
Neste texto procuramos
discutir as possibilidades de interferência nas estratégias
de organização, análise e compreensão
de textos escritos a partir do aproveitamento de suas características
expressivas e da organização das mensagens. Procuramos
também clarificar o papel ativo do sujeito aprendiz e a conseqüente
responsabilidade docente sobre a aprendizagem de estratégias
cognitivas e metacognitivas que favorecem a compreensão e a
aquisição de conhecimentos a partir de textos e que
requerem ação consciente, crítica e teleologicamente
orientada.
Todos observamos o modo como as tecnologias vêm
afetando a produção, a energia, as comunicações,
o comércio, o transporte, o trabalho, a família, assim
como nossa maneira de viver, de trabalhar, de aprender, de comunicar-nos,
de sistematizar o que conhecemos, e todas as atividades relacionadas
com a educação e a formação (Unesco,1998).
Nesse contexto ressalta o fato de que a informação não
é estática e está acessível em múltiplos
lugares (open learning) e até mesmo de forma gratuita,
obtida por meio de enlaces virtuais (hiperlinks), além
de estar organizada de múltiplas formas: escrita, gráfica,
audiovisual, o que requer novos perfís pessoais e profissionais,
num processo contínuo de aprendizagem ao longo da vida (lifelong
learning), provocando um desafio constante e crescente aos educadores
e aos sistemas formativos.
As tecnologias da informação e da comunicação
(TIC) introduziram importantes possibilidades de interação,
intercâmbio de idéias e materiais, entre alunos e professores,
dos alunos entre si, e dos professores entre si, o que favorece a
formação de comunidades cooperativas de aprendizagem,
presenciais ou virtuais, que influem sobre o aprender.
Que podemos aprender/ensinar?
Essa maneira de conceber a prática social
nos obriga a incluir nos temas de estudo, nos processos de trabalho,
na estrutura de apoio pedagógico e nos materiais usados para
aprender, algumas dimensões importantes, como nossas "inteligências
múltiplas" (Lévy, 1993) e distintos "saberes"
(Morin, 1999): o saber (enquanto conhecimento dos fatos, conceitos,
teorias, princípios, fundamentos, nomenclaturas, personagens,
etc.), o saber fazer (como nível procedimental relativo
à construção do conhecimento e ao domínio
de habilidades e destrezas), o ser (como ação
propriamente dita, que inclui atitudes, valores, acepções),
o saber ser (que se configura como nível de práxis)
e o saber fazer junto (que se organiza em termos da construção
do conhecimento por meio de interações cooperativas
e colaborativas com outros atores sociais).
Na sociedade do conhecimento
e da aprendizagem nada mais significativo que trabalhar com problemas
reais, adotar posições variadas de interpretação,
estimular a vivência de múltiplos papéis em contextos
realistas, articular o conhecimento declarativo, procedimental, atitudinal,
fomentar múltiplas formas de representação dos
conhecimentos, a consciência do processo de aprendizagem [metacognição].
Podemos estimular a busca de soluções em grupo, por
meio de diálogo entre alunos e professores e do estudo sistemático,
promover o desenvolvimento de habilidades e destrezas cognitivas complexas,
como as de projetar, avaliar, analisar, sintetizar, investir nos processos
de memória [armazenamento e recuperação de experiências
e informações] que subsidiam a aprendizagem, ao invés
de estimular a memorização vazia. Desenvolver flexibilidade
cognitiva1
na aprendizagem favorece o pensamento crítico e a metacognição,
explorando-se a capacidade espontânea de reestruturar o próprio
conhecimento diante de situações em constante mudança,
pela forma de representar o conhecimento ou pelos processos mentais
que nela operam, facilitando a participação social e
a inserção profissional.
O que cabe ao professor autor de materiais didáticos?
Decidir como interligar as perspectivas do sujeito
aprendiz, da sociedade e a sua própria, no sentido de que as
experiências educativas por ele organizadas possam ser significativas
e relevantes para os aprendizes.
Aproveitar as contribuições científicas
sobre o desenvolvimento humano, o ensino, a aprendizagem, que têm
evidenciado a presença de estruturas básicas no ato
de aprender, das quais destacamos duas, a incorporar nos processos
e materiais de aprendizagem: a estrutura cognitiva da tarefa a
realizar e a estrutura social de participação,
nas quais são claramente especificados os modos de atuar recomendados,
incentivados, reprimidos e ou passíveis de extinção
["as regras do jogo"; "o caminho das pedras"].
E estar consciente de que, subjacente a elas, se
desenvolve uma prática social implícita ou oculta, tão
ou mais forte que a curricularmente prevista, pela poderosa influência
pedagógica que o vivenciar repetido de determinadas formas
de relacionamento entre estudantes, destes com seus professores, exerce
sobre as relações com os conhecimentos, o contexto sociocultural,
a transmissão do patrimônio cultural e científico
da humanidade e a construção, sistematização,
ressignificação desse mesmo conhecimento por meio de
diversas linguagens, meios de comunicação e ambientes
tecnológicos.
É relevante e significativo que as informações
e os materiais de estudo sejam usados de modo intencional e orientado
de acordo com os propósitos e metas educativas nas atividades
de ensino-aprendizagem, pois não possuem um valor de per si.
Sua possível relevância e significação
apresentam-se em função dos propósitos (intencionalidade),
das concepções norteadoras das ações e
da influência que possam exercer para lograr a aprendizagem
pretendida, na medida em que mediam os sujeitos (professor-alunos-comunidade)
e o conhecimento, organizando-se num dado contexto.
Como promover a compreensão de textos?
Partindo do fato de que a leitura, em particular
de textos escritos, não somente tem sido meio de entretenimento
mas magnífica ferramenta de transmissão de informações,
construção de conhecimentos e de cultura, os professores
autores precisam preocupar-se com a melhora das habilidades para compreender,
reter e recuperar a informação contida nos textos concomitantemente
à sua elaboração.
Sabemos que o leitor de um texto elabora uma representação
de seu significado articulando seus conhecimentos prévios,
a familiaridade com padrões organizativos de textos, além
das características do texto em si, do que nele se descreve
e de suas possíveis relações com o mundo e circunstância
de quem o lê/estuda. A compreensão de um discurso (texto
escrito) pressupõe a transformação de símbolos
lingüísticos, icônicos, pictóricos em mentais,
num percurso que vai da linguagem ao pensamento, numa evidência
da enorme relevância dos meios de comunicação
e da organização de um texto sobre a aprendizagem do
sujeito que realiza a leitura (Madruga et al., 1994).
Cabe ao professor/formador, enquanto leitor da realidade
e organizador de seu próprio conhecimento [que corresponde
a uma leitura cultural a partir de sua própria experiência
vital, baseada em suas concepções, referências
e teorias explicativas] organizar o processo educativo de forma consciente,
crítica e compromissada com o desenvolvimento do aprendiz,
de modo que os textos que organiza ou utiliza favoreçam o ato
de ler, a apreensão e construção do conhecimento
e a aprendizagem, além da participação ativa
e compromissada com a democracia na sociedade.
Se estudar constitui "um ato de criar e recriar
idéias" (Freire, 1969), podemos afirmar a dialética
do ato docente: o professor ensina porque aprende e aprende enquanto
ensina (Sacristán, 1992). A observação e análise
dessa mesma prática pode ajudar a transformá-la e a
definir consciente e criticamente as estratégias de atuação
mediadas por meios de comunicação e ambientes tecnológicos.
Como os professores autores podem promover a aprendizagem?
Fomentando o protagonismo, a interlocução
e o lúdico, baseando suas decisões pedagógicas
em aspectos/fases distintos de mediação pedagógica:
no tema, na aprendizagem e na forma (Gutierrez
& Prieto, 1994). Sabemos que o uso de múltiplos esquemas,
conceitos e perspectivas temáticas na abordagem dos conteúdos
educativos favorece representar e apreciar experiências e construir
conhecimentos, de sorte que maior variedade de casos melhora a base
conceitual sobre a qual se apóiam, como contextos de vida real
(Jonassen et al., 1997:122).
Um dos procedimentos pode ser a inclusão de
ajudas intratextuais, como por exemplo: questões para
reflexão; atividades exploratórias iniciais; de aplicação,
de auto-avaliação; ativar experiências e conhecimentos
prévios; usar seqüências dedutivas e ou indutivas;
propor atividades concretas para o estudante realizar; usar frase
temática inicial sobre o assunto tratado; apresentar visão
panorâmica do material e do que se vai estudar; indicar como
estão estruturados os conhecimentos abordados no material;
especificar outros materiais que o estudante precisa para estudar;
sugerir o melhor caminho para estudar; especificar os critérios
de avaliação do desempenho do estudante; incluir atividades
para fomentar a transferência de aprendizagem; enunciar a informação
principal ao início do parágrafo, apresentando a perspectiva
do autor; destacar a informação relevante; orientar
como realizar as atividades e como elaborar suas respostas; estimular
a organização de horários de estudos individuais
e coletivos semanais, além de estimular o uso do que forem
aprendendo em sua prática profissional e/ou pedagógica.
Podem ser ajudas extratextuais, como por exemplo,
usar capa contextualizada; apresentar os créditos editoriais;
apresentar a equipe; usar fonte tipográfica variada e sinalização
gráfica para indicar e separar atividades; organizar a página
em uma coluna; usar títulos e esquemas numerados, objetivos
e perguntas; incluir organizadores prévios, esquemas, sumários,
mapas conceituais, gráficos, quadros; diagramas, tabelas, ilustrações,
ícones; utilizar margem direita maior que a usual em cada página
para que nela os estudantes possam anotar suas idéias e observações,
revisando, de tempos em tempos as idéias que forem surgindo
na leitura e no estudo, as dúvidas, o que experimentaram em
suas atividades, os avanços, as soluções encontradas,
e os comentários pessoais.
Também podem contribuir para desenvolver
hábitos de estudo recomendando o percurso mais adequado para
aprender, que pode ser, por exemplo, iniciar pela introdução
geral de cada módulo; conhecer os objetivos geral e específicos
e suas unidades; leitura atenta, procurando compreender o que estiver
estudando em cada unidade; realizar todas as atividades solicitadas,
se possível por escrito; fazer resumos sempre que necessitar
organizar a informação estudada; sublinhar palavras
que não conhecer e procurar seu significado no glossário,
em outras fontes e em um dicionário, com o que podem ampliar
terminologia técnica, vocabulário, entre outras atividades.
Além de prever outros materiais incluídos no curso,
como fitas de audiocassete, programas de rádio e televisão,
músicas, vídeos, Internet, correio eletrônico,
usando ícones ou palavras para indicar o momento e o modo adequado
de utilizá-los, com o que também se fomenta o raciocínio
intuitivo e a atividade do aprendiz.
O ideal é que
o próprio professor responsável pelo curso/disciplina
realize a orientação acadêmica, seja por meio
de sua inclusão nos textos didáticos do curso ("tutoria
em papel")2
seja pelo atendimento individual/coletivo descentralizado, por meio
dos meios de comunicação disponibilizados pela instituição.
Se forem necessários professores tutores, como parceiros no
processo de aprendizagem, poderão prestar informações
de natureza científica, orientações metodológicas
de como abordar os conteúdos, de como organizar-se para estudar,
estimular o prosseguimento dos trabalhos apesar das dificuldades no
caminho, colher informações sobre o estudante, com o
intuito de reduzir a distância acadêmica entre o estudante
e os professores-autores.
Referências bibliográfícas
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do trabalho docente e política de formação
de professores. Em Fiorentini, L.M.R. e Moraes, Raquel A. (coords.)
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Curitiba: UniRede e UFPR. Módulo 1 do Curso de Formação
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Fiorentini, L.M.R. O Professor em Construção:
retrospectiva e reflexões sobre a concepção
de cursos e materiais para o ensino a distância para professores.
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1994.
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e curriculares. Anais do Congresso de Formação
do Educador ñ dever do Estado, tarefa da Universidade. Águas
de São Pedro-SP: UNESP, 1996.
_____________. Reflexões sobre a concepção
de cursos e materiais para educação a distância
- orientações para professores-autores. Série
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INEP, 1993.
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na Escola e os Desafios de Hoje" na formação
continuada de professores a distância: questões pedagógicas.
Brasília: Secretaria de Educação a Distância-MEC/Seed
e UniRede, 2001. Relatório Técnico de Avaliação
da Coordenação Pedagógica.
Fiorentini, L.M.R. e Moraes, Raquel A. (coords.)
et al. Fundamentos políticos da educação
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Curitiba: UniRede e UFPR. Módulo 1 do Curso de Formação
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torno do ato de estudar e outros escritos. Em: Educação
como prática da liberdade. Rio: Paz e Terra, 1969.
Garcez, Lucilia C. A escrita e o outro.
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Garcia, C.Marcelo & Lavié, J.M. Formación
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teleformación como espacio de aprendizaje. Documento
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educação a distância e a aprendizagem construtiva.
In: Em Aberto, Brasília, ano 16, n¹ 70, abr/jun,1996,
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Madruga, J.A.G.; Cordeiro, J. I.M.; Vilaseca,
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1991, 31(5)24-33.
Unesco. La Educación Superior en el
Siglo XXI. Visión y Acción. Documento de trabalho
da Conferência Mundial sobre Educação Superior.
1998.
NOTAS:
* Universidade de Brasília-
Faculdade de Educação ledafior@unb.br http://www.fe.unb.br
1
Teoria formulada por Spiro & Jehng (1991).
2
Expressão trabalhada por Derek Rowntree: Cómo
escribir una lección de auto-aprendizaje. In Rodríguez,
E.M. e Quintillán, M.A. La educación a distancia
en tiempos de cambios: nuevas generaciones, viejos conflictos. Madrid:
Ediciones de la Torre, 1999, p.85-135.
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PGM
3 - Materiais e sistemas de comunicação em EAD
Texto 3 - Computadores, Internet e Educação
a Distância
Alberto
Tornaghi 1
Se somos progressistas
(...) devemos nos esforçar, com humildade,
para diminuir ao máximo a distância
entre o que dizemos e o que fazemos.
Paulo Freire, em
Pedagogia da Indignação
Introdução
Pretendo aqui fazer algumas breves reflexões
sobre o uso das chamadas "Tecnologias de Comunicação
e de Informação - TCI" como suporte a ações
de educação a distância (EAD). Sem nenhuma pretensão
de esgotar o assunto, gostaria de refletir sobre possibilidades que
se abrem quando exploramos bem alguns dos recursos inerentes a estes
novos meios de comunicação e de produção
intelectual.
Este texto foi escrito assumindo que seu leitor pode
ter pouca ou nenhuma familiaridade com as Tecnologias de Comunicação
e de Informação (computadores, Internet etc.). Por isso
a preocupação em explicar com algum detalhe conceitos
cuja exata compreensão considero fundamental para avaliar a
contribuição destas tecnologias para a EAD.
Tecnologia, o que nos oferece?
O computador
A Internet, a chamada rede mundial de computadores,
permite hoje que cidadãos dos diversos cantos do mundo se comuniquem
de forma rápida, ágil e barata. Os requisitos para ter
acesso a esse meio de comunicação não são
muitos, nem caros. Mas infelizmente eles ainda estão pouco
disseminados entre nós. Os recursos necessários são
um computador e uma linha telefônica. O conhecimento necessário
se constrói rapidamente, bastando saber ler e escrever de forma
razoavelmente fluente.
Computadores são máquinas de produção
intelectual. Com computadores se produz textos, imagens, desenhos,
filmes, sons. Com computadores se operam cálculos em grande
quantidade e com rapidez. Com computadores é possível
experimentar com números e outras entidades abstratas como
nunca se fez antes.
E como fazer tudo isso? Com uma planilha de cálculos,
por exemplo, pode-se mostrar de forma clara e concreta a correlação
entre um gráfico e as quantidades (representadas por números)
que o geram. Usando uma planilha, estudantes podem modificar paulatinamente
os coeficientes de uma função numérica e verificar
as modificações que resultam tanto em seu gráfico
como no conjunto imagem da função. Esta experiência
pode trazer, digamos, uma certa concretude ao conceito de função.
Chamo a isso experimentar com números. É claro que a
mesma experiência era possível antes, mas cada gráfico
exigia um enorme trabalho de cálculo e, em seguida, de desenho
(plotagem) dos pontos sobre um papel quadriculado. Isso implicava
que o número de experimentações era obrigatoriamente
reduzido, restando aos alunos acreditar nas generalizações
propostas pelos professores, nunca descobri-las por si mesmos.
Este é apenas um exemplo de como esta máquina
de processar informações pode ser explorada como instrumento
de experimentação, de produção intelectual.
Poderia enumerar uma enorme lista de exemplos, incluindo simuladores,
linguagens de programação, editores de textos, de imagens,
de áudio, de vídeo etc. Mas não é o propósito
deste texto; a idéia é apenas ressaltar o papel que
pode ter o computador, como instrumento de pesquisa e experimentação
para o aprendiz, indo muito além da sofisticada máquina
de escrever e de imprimir que também é.
Computadores em rede
E a educação
a distância com isso? Se os computadores, como diz Papert, ampliam
a inteligência dos seres humanos, ligados em rede permitem que
as inteligências trabalhem em cooperação. Um pensador
francês de nossos dias, Pierre Lévy, criou o conceito
de "Inteligência Coletiva"2
para se referir ao que ele pensa ser uma ampliação significativa
de nossa capacidade de pensar, criar e decidir, em decorrência
de podermos estar conectados em rede.
A ligação em rede mundial, por si só,
já indica que estas tecnologias reunidas ñ computadores e redes
de comunicação ñ têm grande potencial para a educação,
seja ela a distância ou presencial. Mas vamos pôr os pés
na terra e ver como esta cooperação pode-se dar concretamente,
como se realizam as colaborações e que ganhos podem
trazer para a educação a distância.
Já faz tempo que convivemos de forma natural
com meios de comunicação de massa. Rádio, jornais,
revistas e TVs estão presentes em nosso cotidiano como se existissem
desde sempre, fazem parte da vida. São meios que compreendemos
e que nos permitem pensar em formas variadas de dar-lhes função
educacional ou instrucional. Mas são todos meios de uma via
só: a expressão de poucos que chega a muitos. São
meios de produção cara, cujo investimento se justifica
porque se distribui para muitos. Isso divide o mundo em dois: de um
lado os que produzem o material intelectual, os formadores de opinião,
e, de outro, os leitores ou espectadores a quem cabe o papel de receptores.
Ainda que possam ser receptores críticos, sua opinião
chega a muito poucos.
A telefonia, por outro lado, é um meio em
que todos são receptores e emissores. Mas liga as pessoas uma
a uma. É um meio de comunicação bidirecional
e barato, mas não é de massa.
Pela primeira vez temos a possibilidade de um meio
de comunicação que é ao mesmo tempo de massa
ñ isto é, atinge a um enorme número de pessoas de uma
só vez ñ, de comunicação bidirecional ñ como
a telefonia ñ e de custo operacional acessível ao usuário
comum.
A Internet possibilita que textos, imagens, animações
etc., produzidos por qualquer pessoa, tenham alcance mundial. Hoje,
basta que se saiba como divulgá-los. Além disso, essas
produções, quando editadas em páginas na Internet,
podem ser atualizadas de forma muito ágil e sem quase nenhum
custo adicional além da geração da informação
em si. Em relação às edições em
papel, as produções no computador têm a enorme
vantagem de poderem ser corrigidas, modificadas e ampliadas a qualquer
instante, sem necessidade de produzir uma nova edição.
Isso abre para a EAD uma possibilidade ímpar:
os estudantes, estejam onde estiverem, podem interagir e trocar sua
produção, não só com os responsáveis
diretos pelo curso como com seus pares e com terceiros. Podem ter
acesso, a custo muito baixo, a farto material informacional, a fontes
de toda ordem e origem. Como decorrência, é fundamental
desenvolver estratégias para criticar e avaliar as informações
conseguidas na Internet, este mar infindável de dados, fatos
e versões, alguns bem fundamentados, outros completamente fantasiosos.
Hipertextos
Mas esta é apenas a faceta mais visível
das possibilidades que nos trazem as TCI. Há outras ainda mais
interessantes e que contribuem de forma decisiva para uma nova forma
de fazer e acessar conhecimento.
Entre elas, tendo a acreditar que a maior transformação
reside na forma como o conhecimento é representado na Internet,
na forma de hipertextos. Os hipertextos não nasceram com a
Internet, mas se popularizaram com ela.
E o que é um hipertexto? Vamos por comparação:
um texto tradicional é uma obra que, tipicamente, deve ser
lida começando-se pela primeira linha e seguindo de forma linear,
uma frase após a outra, até a última. Tem-se,
em geral, a sensação de se estar lendo na ordem em que
foi escrito pelo autor (a maior parte das pessoas que escrevem com
regularidade sabe que isto está muito longe da verdade; este
texto, por exemplo, comecei a escrever pela bibliografia). Um hipertexto,
ao contrário, não tem um ordem preferencial para ser
lido. Um bom exemplo de hipertexto são os dicionários;
outro, as enciclopédias. Em ambos procuramos diretamente o
verbete que nos interessa. E se, ao ler a definição
do verbete, encontramos termos que nos são desconhecidos, vamos
diretamente a eles. Não tenho notícia (mas certamente
existem) de pessoas que leiam dicionários seqüencialmente,
uma página após a outra, da primeira à última.
Os documentos que vemos pela Internet (também
chamados de web-pages) são tipicamente hipertextos.
Na grande maioria deles há diversos pontos, que podem ser palavras
ou imagens, sobre os quais podemos clicar com o mouse. Ao fazê-lo,
uma nova página se nos apresenta, uma imagem é mostrada,
uma música toca ou uma animação tem início.
Chamamos a isso de hiperdocumento, porque não precisa ser lido
de forma linear (em oposição aos textos e documentos
tradicionais). Clicando num ponto que seja vínculo (ou link)
para outro documento, saltamos a ele e a leitura prossegue por esta
nova via. A ordem de leitura depende da curiosidade momentânea
do leitor.
E porque considero os hipertextos uma faceta tão
especial? Porque são uma forma inferencial de representar o
conhecimento, são uma forma de representação
mais próxima de como pensamos. Pensamos, construímos
conhecimentos, construímos significados (e compreendemos as
coisas que nos rodeiam) estabelecendo correlações, fazendo
inferências. O hipertexto permite que estas correlações
(ou ao menos parte delas) sejam representadas de forma concreta e
operacional. Ao lermos um hiperdocumento seguindo uma via em especial,
temos uma visão particular, e estabelecemos algumas correlações.
Seguindo outras vias, percebemos outras relações, outras
inferências e formas de compreender o conhecimento ali representado.
Citamos dois exemplos de hipertextos que podem tomar
forma em meio impresso: o dicionário e a enciclopédia.
Em meio digital (computadores), o hipertexto ganha interatividade:
ao clicar sobre os links, novos textos são apresentados
na tela.
Na Internet, os hipertextos podem ganhar uma dimensão
planetária. Cada hipertexto pode fazer conexões com
quaisquer outras páginas da Internet. Assim, começa
a se esboçar a inteligência coletiva de que nos fala
Pierre Lévy. Cada autor de um hiperdocumento na Internet pode
lançar mão do conhecimento produzido por outros, colocando
vínculos no hipertexto que produz e agregando assim, à
sua produção, o trabalho de terceiros.
Para os que quiserem aprofundar esta questão,
há uma página na Internet, em http://penta.ufrgs.br/edu/telelab/10/cm.htm
onde se apresenta um programa sobre mapas conceituais e se discute
a relação entre hipertextos e representação
do conhecimento. Os textos estão em inglês, o que restringe
significativamente o público, mas coloco aqui a sugestão
porque ela é extensiva e trata de forma clara o assunto, apresentando
uma ferramenta gratuita para a construção de mapas conceituais
(representação do conhecimento por mapas que relacionam
conceitos).
Em http://www.pgie.ufrgs.br/webfolioead/mapas.html
há uma página que trata da mesma questão em português.
Outros recursos
Os hipertextos são recursos poderosos mas
não são os únicos que nos trazem as TCI. Há
uma coleção de outras ferramentas ou funcionalidades
(há quem chame de facilidades) que dão suporte à
interação e à cooperação. Vamos
abordar pelo menos as mais comuns.
Correio eletrônico ou e-mail
Ferramenta de correspondência pessoal (um para
um). A agilidade é sua maior riqueza para a EAD. Como as mensagens
de correio eletrônico chegam ao destinatário quase imediatamente,
são preciosas para manter contato freqüente e ágil
com os alunos. É comum que o estudante da modalidade a distância
estude sozinho e de forma solitária. A referência humana
que tem está, em geral, no tutor a distância. É
primordial que suas demandas sejam respondidas com presteza, que ele
perceba o tutor tão próximo quanto possível.
As demandas por correio eletrônico devem ser respondidas não
só com agilidade como com atenção pessoal. É
um meio de contato individualizado onde o aluno pode colocar suas
questões de forma privada e particular.
Fórum
Consiste numa coleção de comentários
feitos a partir de uma afirmação ou uma questão
inicial. É como um debate realizado de forma assíncrona.
Apresenta-se uma questão inicial, que é comentada a
seguir pelos demais participantes. Cada novo comentário pode
merecer respostas específicas e resultar em toda uma linha
de discussões. Os fóruns são uma das formas mais
ricas de cooperação e aprofundamento de idéias.
Ao contrário dos debates ao vivo, os participantes têm
o tempo de que necessitarem para elaborar suas contribuições,
o que pode resultar em discussões muito interessantes, se bem
mediadas pelos professores ou tutores.
Bate-papo ou chat
É uma forma de encontro em tempo real. Uma
sala de bate-papo é um espaço onde podem se encontrar
duas ou mais pessoas para uma "conversa por escrito". Em geral, como
numa conversa ao vivo, é pouco produtiva quando reúne
mais do que cinco ou seis pessoas. Útil para lançar
questões e para contatos informais que humanizam e amenizam
as relações de grupo. Este espaço de encontros
informais é fundamental em EAD, para construir coesão
dentro das turmas.
Finalmente
Os recursos tecnológicos nada significam em
si, nada fazem por si sós. Eles precisam estar a serviço
de um projeto pedagógico claro. Seu uso precisa ser planejado
de forma sistêmica e estar aliado a outros recursos. Seu papel
é limitado e, afora atividades de curta duração
e/ou pequena abrangência conceitual, deve estar aliado ao uso
de outros meios.
É fundamental entender os limites desta tecnologia.
Os textos para serem lidos em telas de computador devem ser curtos
e organizados em blocos pequenos. Textos maiores devem ser impressos
e lidos em papel. Ainda é muito pouco confortável e
pouco saudável ler por longo período de tempo em telas
de computador.
Como em qualquer outro meio, o material para EAD
deve apresentar objetivos claros, tarefas objetivas e formas de verificação
freqüentes do aprendizado.
Os simuladores podem ser extremamente úteis,
mas é imprescindível que os estudantes compreendam que
são simuladores e não substitutos dos fenômenos
reais. Simuladores nunca substituem experimentos em laboratórios.
Mas podem ser ricos para representar os fenômenos lá
verificados.
Por fim, cabe dizer que esta tecnologia será
útil para projetos de EAD se servir para encurtar distâncias
e contribuir para humanizar as relações. Robôs
são as máquinas, os que sentam em frente a elas são
seres humanos. Que sirvam para aproximar corações.
Bibliografia
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido.
Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1975.
____________. Pedagogia da Indignação.
São Paulo: Unesp, 2000.
LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência:
o futuro do pensamento na era da informática. Tradução
de Carlos Irineu da Costa, do original francês publicado
em 1990. São Paulo: Editora 34, 1993.
___________. A inteligência coletiva:
por uma antropologia do ciberespaço. Tradução
de Luis Paulo Rouanet, do original francês publicado em
1994. São Paulo: Loyola, 1998.
PAPERT, Seymour. A máquina das crianças.
Porto Alegre: Artes Médicas.
_______________. Logo: computadores e educação.
2™ ed. São Paulo: Brasiliense, 1985.
Webliografia
http://penta.ufrgs.br/edu/telelab/10/cm.htm
http://www.pgie.ufrgs.br/webfolioead/mapas.html
http://www.educacaopublica.rj.gov.br
http://penta2.ufrgs.br/edutools/tutcmaps/tutcmap.htm
NOTAS:
- Coordenador de Extensão do Centro de Educação
Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro (CEDERJ),
Mestre em Engenharia de Sistemas pela Coppe/UFRJ.
- Vide "As tecnologias da inteligência" e "A inteligência
coletiva".
|
PGM
4 - Tutoria em EAD
Texto 1 - Apoio à aprendizagem: o orientador
acadêmico
Oreste
Preti 1
Amig@ professor@,
feche por uns minutos os olhos e imagine uma escola
sem salas de aula, sem paredes, sem carteiras, com estudantes indo
e vindo, conversando, lendo em diferentes espaços livres, ora
reunidos em equipe, ora desenvolvendo atividades individuais, com
horários diversificados para atendimento individual ou em grupos,
com calendário flexível, acompanhamento personalizado,
sob a orientação de um grupo de educadores, etc. Talvez,
você exclamará surpreso: "Esta escola não existe.
Quem sabe, num futuro seja possível!"
Não estou falando da educação
do futuro. Na realidade, estou falando de uma educação
real e atual, possível e que está acontecendo em nosso
país, sobretudo, na modalidade a distância, graças
aos avanços das novas teorias da Física, da Biologia,
da Psicologia, da Comunicação, da Pedagogia, etc. e
às novas tecnologias da comunicação.
O que vem a ser esta modalidade?
Não é algo totalmente novo em nosso
país, pois vivenciamos experiências em EAD desde a década
de 1960. Lembra do Projeto Minerva, do Logos I e Logos II e, recentemente,
Telecurso 2000, Salto para o Futuro, TV Escola e ProFormação?
Algumas foram avaliadas positivamente, outras criticadas; umas desenvolvidas
em todo território nacional, enquanto umas poucas só
regionalmente.
O que nós queremos aqui enfatizar e colocar
em foco não são essas experiências, mas uma figura
importante nesta modalidade, conhecida internacionalmente por "tutor".
Antes, porém, queremos colocar alguns pressupostos para que
nosso diálogo se estabeleça claramente:
a) Falar de educação a distância
é, antes de tudo, falar de educação. Não
faz sentido se fixar nos adjetivos, nos aspectos periféricos
e não essenciais do ato educativo, ainda mais hoje quando a
"distância" perdeu seu sentido original frente à penetração
cada vez mais maciça das novas tecnologias da comunicação;
b) Numa concepção dialética
e dialógica, não faz sentido, também, querer
colocar este ou aquele sujeito no centro do processo educativo. A
educação se constrói continuamente numa rede
de relações, de (re)construções, de transgressões,
afirmações e parcerias, em que todos os sujeitos envolvidos
participam, têm responsabilidades e compromissos, modificam
e são modificados. Quem educa é muito mais uma "instituição"
e um sujeito coletivo do que pessoas individualmente.
Por isso, entendemos a educação a distância
como uma dimensão de uma pedagogia que contribui para um novo
modo de ser, isto é, com o interesse e a determinação
em superar e transgredir os limites que nos "com(têm)" como
seres humanos (Neder, 2000).
E uma dessas transgressões
refere-se à ruptura, à separação do processo
de ensinar do processo de aprender. Eles acontecem em tempo e espaço
separados. Quem "ensina", o autor (ou professor) e quem "aprende",
o "aprendente"2
não necessariamente encontram-se no mesmo local e ao mesmo
tempo. Assim, o tempo e o espaço passam a ganhar nova significação
a partir do sujeito, pois é ele que lhes dá sentido:
é o tempo e o espaço do sujeito!
Por isso, esta modalidade permite um maior respeito
aos ritmos pessoais, às diferenças sociais e culturais,
às trajetórias e histórias de vida individuais,
contribuindo no processo de construção da autonomia
intelectual e política e ao resgate da auto-estima pessoal
e profissional.
Mas como é possível o processo de aprender
se, segundo as teorias construtivistas, ele exige não somente
processos cognitivos, mas também ambiência humana, do
sujeito interagir com outrem?
Se é verdade que "ninguém educa ninguém",
por outro lado, "ninguém se educa sozinho". A educação
a distância, paradoxalmente, impõe interlocução
permanente e, portanto, proximidade pelo diálogo.
É aqui que surge a figura do tutor, do monitor,
do orientador, etc. As terminologias são variadas, diferenciando-se
porque diferentes são as concepções que fundamentam
as propostas educativas a distância.
No curso de Licenciatura
Plena na formação de professores das quatro primeiras
séries do Ensino Fundamental, na modalidade a distância,
iniciado em 1995, pela Universidade Federal de Mato Grosso3,
em parceria com as Secretarias Municipais e Estadual, optamos pela
terminologia "orientadora acadêmica"4.
Por quê?
1 - O que entendemos por "Orientadora Acadêmica"
Numa concepção de educação
dialógica, construtivista, libertária e transformadora,
falar em "tutor" ("protetor do menor") é considerar o sujeito
da educação um sujeito passivo, dependente do outro
que o tutora, o protege, que decide o que fazer, quando e como. E
tratando-se de um curso voltado para formação de adultos
(que são professores da rede pública de ensino) seria
um contra-senso ainda maior, remetendo-os a uma situação
de "minoridade", por falta de maturidade e autonomia.
Monitor, segundo suas raízes na língua
latina, remete a quem adverte, admoesta, repreende; refere-se ao aluno-mestre
"encarregado de repetir as lições aos colegas menos
adiantados e olhar pela disciplina" (Dic. Ilustrado da Ling. Portuguesa).
Aqui, também, perpassa a idéia da "inferioridade" do
estudante que necessita, então, do amparo, do acompanhamento
e da correção de outrem que, presume-se, seja "superior"
a ele no domínio de conteúdos.
Quando a equipe do Núcleo de Educação
Aberta e a Distância (NEAD/UFMT) iniciou, em 1992, sua formação
e a construção do projeto de oferecimento de um curso
de graduação a distância, voltado para a formação
de professores da rede pública de Mato Grosso, questionamos
a terminologia consagrada de "tutor". Preferimos falar em "orientadora"
("que aponta o Oriente", onde surge o Sol), em alguém que indica
os caminhos, os rumos fazendo com que a pessoa se situe, reconheça
o lugar onde se encontra para prosseguir a caminhada, para se guiar
no caminho.
Sua função
"orientadora" não consiste apenas em possibilitar a "mediação"
acadêmica5
com o material didático (Fascículos6
e CD-rom) ou ser uma "facilitadora" ou uma animadora da aprendizagem.
Ela é um dos sujeitos ativos do processo educativo, que interage
com a aprendente para que ambos busquem (re)significar e (re)construir
concepções e práticas pedagógicas. Daí
a necessidade de um constante diálogo, de uma interlocução
com a aprendente e com os demais agentes educativos do curso (colegas,
equipe pedagógica, especialistas, parceiros, etc.). No entender
de Pedro Demo (1998), ela se torna uma "especialista da aprendizagem",
uma professora de teor maiêutico.7
No processo de (des)construção do papel
clássico do professor a caminho da construção
de um novo profissional da educação, de uma nova maneira
de interagir com o aprendente, há muita nebulosidade, muita
área intermediária, entre a periferia de práticas
anteriores e as atuais.
Isso é normal e salutar, quando a aprendizagem
é concebida como um percurso onde todos se colocam como sujeitos
aprendentes, sem que a "verdade" esteja na posse de alguém
e/ou de um grupo que se impõe pela titulação
ou pela experiência ou, ainda, pela autoridade que a instituição
lhe confere.
Devemos, por outro lado, reconhecer que a função
da orientadora, enquanto sujeito de uma equipe, partícipe de
um projeto político-pedagógico de um curso, a partir
das práticas vividas, das ressonâncias das falas de colegas
e acadêmicas, é olhar para o caminho percorrido, avaliar
a trajetória, pesquisar, indagar e provocar a reflexão.
É indispensável sua participação
em todo o processo de construção do curso (no planejamento,
desenvolvimento e avaliação do mesmo). Por isso, ela
necessita de uma formação inicial e continuada não
somente no que diz respeito aos aspectos teórico-metodológicos
do curso como da modalidade a distância.
2. Processo formativo da Orientadora Acadêmica
Ser orientadora é uma tarefa intensiva que
exige tempo, dedicação e compromisso. Por isso, a orientadora
acadêmica é selecionada pela equipe pedagógica
entre profissionais da educação da rede pública
daquela região, com "dedicação exclusiva" ao
curso e disponibilidade para trabalhar aos sábados e devendo
morar no município onde irá desenvolver suas atividades.
Cada Orientadora atende a um número médio de 25 alunos.
A contratação das orientadoras selecionadas
é de responsabilidade das Secretarias Estadual e Municipais
de Educação, na proporção de 50% para
o estado e 50% para os municípios.
Após a seleção, as candidatas
participam do processo de formação inicial (um curso
de Especialização sobre EAD e sobre o projeto político-pedagógico
do curso) e continuada (nos encontros mensais nos Centros de Apoio).
Nos momentos de planejamento,
a orientadora participa da discussão, com os professores especialistas
responsáveis pelas áreas de conhecimento do curso e
com a equipe pedagógica, a respeito dos conteúdos a
serem desenvolvidos, do material didático a ser utilizado,
da proposta metodológica, do processo de acompanhamento e avaliação
de aprendizagem. São constantemente retomados os princípios
norteadores do curso, a partir das práticas vividas, de situações
novas que aparecem, de discussões teóricas no campo
da educação, de questionamentos e incertezas. Esse "mergulho"
(ou "afastamento" da prática rotineira do curso) se dá
nos Centros de Apoio de cada Pólo8,
nos encontros mensais que aí ocorrem.9
3. Organização da Orientação Acadêmica
A educação a distância, embora
prescinda da relação face-a-face em todos os
momentos do processo de ensino e de aprendizagem, exige relação
dialógica efetiva entre alunos e orientadores acadêmicos.
Por isso, se estabelece uma rede, uma teia comunicativa
e formativa, a criação de ambientes reais e/ou virtuais
que favoreçam o processo de estudo dos cursistas e o processo
de orientação acadêmica, que possibilite o processo
de interlocução permanente e dinâmico entre os
sujeitos da ação pedagógica.
De que forma?
No desenvolvimento do curso de Licenciatura, a orientadora
acadêmica tem papel fundamental, principalmente no que diz respeito
ao acompanhamento do percurso da acadêmica: como estuda, que
dificuldades apresenta, quando busca orientação, se
se relaciona com as colegas para estudar, se consulta bibliografia
de apoio, se realiza as tarefas e exercícios propostos, se
se coloca como sujeito que participa da construção do
currículo do curso, se é capaz de relacionar teoria/prática,
se é capaz de utilizar os conceitos de uma determinada área
do conhecimento para iluminar sua prática pedagógica,
sua vida, seu envolvimento nos Seminários Temáticos,
etc.
A orientadora deve, neste processo de acompanhamento,
estimular, motivar e, sobretudo, contribuir para o desenvolvimento
da capacidade de organização das atividades acadêmicas
e de auto-aprendizagem.
Mas, em que consiste seu trabalho?
3.1 Diariamente, nos horários previamente
estabelecidos com as acadêmicas (de acordo com seus horários
de aula nas escolas), a orientadora está disponível
para atendê-las, presencialmente ou pelo telefone no núcleo
de educação aberta e a distância de seu município.
As mais distantes (professoras das escolas rurais) se utilizam do
correio informal (ônibus, caminhão, vizinho que vai à
cidade, etc.) para enviar suas atividades, para solicitar esclarecimentos
ou agendar um encontro. Outras vezes, a própria orientadora
desloca-se para atender a acadêmica em sua escola rural. Muitas
acadêmicas têm buscado uma forma para superar o sentimento
de "isolamento" organizando grupos de estudo. Às vezes, a orientadora
é convidada a participar dessa atividade. O estudo em grupo,
porém, faz sentido e é produtivo se a acadêmica
estudou antes individualmente e se preparou para levar sua contribuição.
O atendimento presencial é realizado de
forma individual. É permitido em pequenos grupos, quando a
orientadora avaliar ser o procedimento mais adequado naquele momento,
mas sempre atenta para que haja participação de todas
nas discussões e seja possível, ao mesmo tempo, estabelecer
um diálogo diferenciado com cada uma das participantes.
Nesta caminhada (que chamamos de Meio I), que dura
em média uns 40 dias, o orientador busca enfatizar a importância
do estudo individual, da independência intelectual, da auto-aprendizagem.
É o momento da relação dialógica da orientadora
com a acadêmica e das acadêmicas entre si.
3.2 A cada três semanas oportuniza-se à
acadêmica uma "verificação de aprendizagem" (Meio
II), que é presencial (com ou sem consulta) referente a alguns
aspectos específicos de uma determinada área do conhecimento
(organizada nos Fascículos pelos autores). A acadêmica
é quem decide fazer a "verificação" naquela data
ou na "oportunidade" seguinte. A finalidade desse "meio" é
possibilitar à acadêmica explicitar e organizar, por
meio da construção de um texto escrito, análises
e reflexões sobre sua prática pedagógica à
luz dos conceitos e da teoria estudada. A própria orientadora,
que participou com o especialista na elaboração desta
"verificação" e de seus critérios, faz a "correção",
que a submete ao parecer de uma ou duas colegas, uma espécie
de "banca" avaliadora. Essa avaliação é posteriormente
discutida com a própria acadêmica que, caso não
tenha dado conta do percurso estabelecido pelo especialista, será
orientada para novas leituras, a re-construir o percurso e realizar
uma posterior "verificação de aprendizagem". Como não
existe a figura da "reprovação", a acadêmica re-faz
este percurso quantas vezes necessitar, sempre contando com o acompanhamento
da sua orientadora. Assim, cada acadêmica vai se colocando em
situações e áreas de estudo diferenciadas ao
longo do curso.
3.3 Paralelamente ao acompanhamento do estudo do
material didático de uma determinada área do conhecimento
(com duração de quatro a seis meses), a orientadora
acompanha as acadêmicas no desenvolvimento de uma pesquisa,
em equipe, na escola onde trabalham. O objeto a ser investigado é
referente a um tema da área em estudo naquele momento do curso
(Meio III). O tema e o processo da pesquisa são discutidos
pelo especialista com as orientadoras acadêmicas e estas com
as acadêmicas. Ao final deste processo, realiza-se o Seminário
Temático na cidade Pólo ou em outro município
que ofereça as condições, para que as acadêmicas
possam expor os resultados de sua pesquisa e discuti-los. A comunidade
escolar é convidada a participar. Uma equipe de "observadores"
(composta por orientadoras e professores da UFMT e da SEDUC) acompanha
e avalia o trabalho. É um momento de ambiência científica
e humana dos mais fortes no curso.
3.4 A orientadora também faz todo o registro
da caminhada individual de cada acadêmica para que, ao final
de uma determinada área do conhecimento, possa concluir a avaliação
(com a participação da acadêmica), para fins de
registro acadêmico, analisando o ponto de partida e de chegada
de cada uma. Todo o percurso da acadêmica é registrado
pela sua orientadora em "Fichas de acompanhamento", arquivadas no
"Sistema de Gerenciamento da Educação a Distância"
/ SIGED, um software elaborado especificamente para isso.
3.5 Além disso, juntamente com os coordenadores
pedagógicos dos Pólos, cada equipe de orientadoras se
responsabiliza pela análise e avaliação do
curso e da modalidade a distância, através das seguintes
funções (Neder, 1999):
- apontar as falhas no sistema de orientação acadêmica;
- avaliar, com base nas dificuldades apontadas pelas acadêmicas,
os materiais didáticos utilizados no curso;
- informar sobre a necessidade de apoios complementares não
previstos pelo projeto;
- mostrar problemas relativos à modalidade da EAD, a partir
das observações e das críticas recebidas das
acadêmicas;
- participar do processo de avaliação do curso.
Estabelece-se, assim, uma "rede" de informações
suficientes e úteis à avaliação processual
do curso. O que, porém, é enfatizado e avaliado é
em que sentido o curso está modificando as práticas
pedagógicas das acadêmicas e qual o impacto ou reflexos
disso nas escolas e na rede pública de ensino. Pois, o objetivo
principal do curso de Licenciatura é provocar mudanças
cognitivas e da práxis (Preti, 1996).
Em síntese
A função
da orientadora é a de orientar, de provocar o questionamento
reconstrutivo, de estimular na aprendente sua capacidade de estudo
independente, de autoformação e auto-organização
(autopoiesis)10
e sobretudo de respeito e de reconhecimento do outro como ele é,
de seus ritmos, seus desejos e projeto de vida.
A orientadora não deve ter pressa em libertar
a mariposa do seu casulo para que ganhe o espaço e respire
o ar do campo. Tem que aprender a aguardar pacientemente que a própria
mariposa se desenvolva, amadureça e tenha as forças
suficientes para se libertar por ela mesma e ganhar a liberdade do
espaço e uma nova vida, a de borboleta. Para que isso aconteça,
a orientadora (e a "instituição" responsável
pelo curso) deverá oferecer as condições necessárias,
criar ambientes de aprendizagem e de convivência humana. Pois,
a acadêmica aprende muito mais com as práticas educativas
vivenciadas pelos sujeitos envolvidos no curso que com belos discursos
ou teorias sedutoras e encantadoras!
Na experiência do Nead/UFMT, a figura da orientadora
acadêmica tem se revelado como a figura chave, "a vertente humana"
da educação a distância e do processo de ensino
e de aprendizagem, não simplesmente porque contribui no processo
de mediação da acadêmica com o material didático
e com as práticas curriculares do curso, mas porque, ao promover
a comunicação e o diálogo, introduz a perspectiva
humanizadora num processo mediado também pelos meios tecnológicos
(Preti, 1996). Assim, através da orientação acadêmica
é possível garantir o processo de interlocução
necessário a qualquer projeto educativo.
Vale a pena lembrar aqui a figura do educador Paulo
Freire, do homem sábio que com palavras simples, mas profundas,
provoca o re-pensar do educador e da atuação docente,
propondo a relação dialógica do eu com o tu,
do mestre com o discípulo, mas não na atitude de simples
escuta, mas de libertação e intervenção,
da dimensão política do saber-fazer. Por isso, a formação
da aprendente não pode estar separada das práticas sociais
e profissionais (em que está imersa) e para as quais o curso
de Licenciatura se propõe prepará-la.
A orientadora que não se abre para aprender,
que não aprende continuamente, que não pesquisa, que
não está bem consigo mesma, que não gosta e não
se sente compromissada com o que está fazendo, como poderá
orientar e fazer com que a acadêmica aprenda?
Muito mais do que realizar leituras e/ou participar
dos encontros de formação, trata-se de um constante
re-pensar e re-fazer da atividade de orientação por
meio da atitude de pesquisar. Se a orientadora pretende formar a acadêmica
em sujeito com autonomia cognitiva e humana, capaz em aprender a aprender
para que sua vida e sua prática pedagógica sejam transformadas,
não é suficiente "cobrar" da acadêmica que ela
pesquise, é fundamental que a orientadora vivencie quotidianamente
esta atitude investigando sobre a caminhada de suas acadêmicas
como sobre sua trajetória enquanto orientadora. Como pode orientar
alguém na pesquisa se ela mesma não faz pesquisa? Novamente
estará dicotomizando e separando teoria-prática, pensar
e fazer. Pela pesquisa deixa-se a atividade instrutiva de estar somente
socializando e reconstruindo conhecimentos para um processo de construção
e produção de conhecimentos, em seu sentido pleno.
Considerações Finais
O que dissemos aqui, na realidade, não se
refere especificamente à orientadora acadêmica, mas à
educadora, à professora. Até pouco tempo atrás
estava convencido da necessidade de se institucionalizar a figura
da Orientadora Acadêmica, como um nova categoria profissional.
Cada vez mais me convenço deste equívoco, como o querer
tratar educação a distância como algo diferente
da presencial.
Temos que lutar por uma educação diferente,
atualizada, contemporânea, que reencante a sociedade e por uma
profissional da educação com uma "nova cara", com práticas
inovadoras, criativas e humanas. Surgirá daí uma diversidade
de "modalidades" que deixarão no esquecimento esta divisão
improdutiva entre presencialidade e a distância, entre professora
e orientadora.
Bibliografia
DEMO, Pedro. Questões para a Teleducação.
Petrópolis, RJ.: Vozes, 1998.
NEDER, Maria Lúcia C. A orientação
Acadêmica na Educação a Distância.
In: PRETI, Oreste. Educação a Distância:
construindo significados. Brasília: Plano; Cuiabá:
NEAD/UFMT, 2000.
___________________. Licenciatura Plena em
Educação Básica: 1ª a 4ª
séries, na modalidade a distância. Cuiabá:
EdUFMT, 1999. (redatora do Projeto de expansão).
PRETI, Oreste. Educação a Distância:
uma prática educativa mediada e mediatizadora. In: ________
(org.). Educação a Distância: inícios
e indícios de um percurso. Cuiabá: EdUFMT, 1996.
NOTAS:
- Coordenador do Curso de Licenciatura Plena para formação
de professores das primeiras quatro séries do Ensino Fundamental,
na modalidade a distância - Núcleo de Educação
Aberta e a Distância, do Instituto de Educação
da Universidade Federal de Mato Grosso.
- Neologismo introduzido por Hèlén Trocmé-Fabre,
no Congresso Internacional de Locarno, Suíça, em maio
de 1997, para expressar o estado de estar em-processo-de-aprender.
Passou a ser usado cada vez mais nos documentos oficiais da União
Européia. Sobre ele, ver em: ASSMANN, Hugo. Reencantar
a educação: rumo à sociedade aprendente.
Petrópolis: Vozes, 1998.
- Trata-se da primeira experiência, no Brasil, de um curso
superior a distância. Ver a esse respeito: Oreste PRETI (1996):
Educação a distância: inícios
e indícios de um percurso.
- Utilizamos, nesse texto como nos documentos do curso, o gênero
feminino, pois a grande maioria de "nossos orientadores" são
mulheres (98%). Preferimos seguir a maioria do que as regras gramaticais
ou a utilização difusa do símbolo @ para se
referir a ambos os sexos.
- Ao nos referirmos aos acadêmicos do curso de Licenciatura
a distância oferecido pelo NEAD/UFMT utilizaremos também
o gênero feminino, porque 85% deles são mulheres.
- Fascículo: assim denominamos o material escrito. São
escritos de tal maneira que cada um deles pode ser lido e compreendido
separadamente, sem necessidade do anterior. Apesar da diversidade
de estilo, seguem a abordagem do curso, calcada nos conceitos de
historicidade, diversidade e construção.
- Trata-se, no dizer de Sócrates, de um processo de "parturição"
(maiêutica), onde é a mãe que deve parir,
cabendo à parteira estar aí somente para observar,
orientar e ajudar no parto. É a mãe que "faz" o parto
e não a parteira, mas a presença da parteira e sua
ajuda não podem ser dispensadas.
- Os Pólos são organizados agrupando municípios
próximos, em função do sistema viário
de comunicação e de processos históricos de
ocupação e (re)construção daquele espaço
geográfico e social. Costumam reunir entre 200 a 600 acadêmicos.
O coordenador (pedagógico) do Pólo é um professor
da UFMT que compõe a equipe pedagógica do NEAD/UFMT,
enquanto o coordenador do Centro de Apoio (com funções
mais administrativas) é um dos orientadores eleito por seus
pares, por um período de dois anos.
- Para garantir esse processo de "mergulho", utiliza-se o telefone
(plantão), e-mail e, a partir deste ano, teleconferências
e discussões em rede.
- Termo cunhado por H. Maturana e F. Varella (na obra De máquinas
e seres vivos - autopoiesis: a organização do
ser vivo), no sentido da capacidade de reagir construtivamente diante
dos desafios e condicionantes externos.
|
PGM
4 - Tutoria em EAD
Texto 2 - A
tutoria - uma importante função na implementação
de projetos de qualidade em EAD1
Rosângela
Lopes Lima *
1. Introdução
O ensino e aprendizagem ocorrem em qualquer contexto
educacional na modalidade presencial ou a distância, quando
existe a real comunicação entre aluno e docente. Independentemente
da modalidade, é necessário que seja criado um ambiente
de aprendizagem. É fundamental para isso que todos os personagens
envolvidos no processo de ensino e de aprendizagem estejam motivados
e comprometidos com os objetivos do projeto didático-pedagógico.
Na educação a distância criar esse ambiente de
aprendizagem é uma tarefa bem mais complexa do que a criação
de um ambiente interativo presencial entre alunos e o professor. O
aluno está distante fisicamente do professor, e é preciso
criar uma infra-estrutura que permita a máxima interação
possível entre os personagens responsáveis diretamente
pelo processo de ensino e de aprendizagem. Neste contexto o tutor
assume uma posição de destaque. É ele que atua
junto ao aluno com a responsabilidade de orientá-lo e acompanhá-lo
no desenvolvimento dos seus estudos, auxiliando-o no sentido da aquisição
de estratégias de aprendizagem, ajudando-o a adquirir autonomia
de estudo e práticas auto-avaliativas.
2. O Sistema de Tutoria do CEDERJ
O Sistema de Tutoria do CEDERJ foi estruturado como
um sistema orgânico entre as Universidades Consorciadas e os
Pólos Regionais e concebido com base nos pressupostos de que
o processo de ensino e de aprendizagem a distância requer um
eficiente acompanhamento dos alunos, que nem sempre dispõem
de uma sistemática de estudo para o aprendizado a distância
e que o sistema de comunicação entre alunos e a instituição
não pode prescindir do uso efetivo das novas tecnologias de
informação e comunicação. Assim, foi criado
um sistema que consiste de uma infra-estrutura de comunicação,
espaços físicos e tecnológicos que servem de
suporte para a organização de uma rede acadêmica
constituída de professores e alunos atuando nas universidades
consorciadas e de profissionais de nível superior nos pólos
regionais. O objetivo desta organização é trabalhar
para que os alunos sejam acompanhados e orientados no desenvolvimento
dos seus cursos por profissionais preparados para motivá-los
nos seus estudos, auxiliando-os no processo de aquisição
de autonomia para a construção de sua própria
aprendizagem.
3. Concepção e Componentes do Sistema
O Sistema de Tutoria do CEDERJ se constitui pela
integração da tutoria presencial que é realizada
nos Pólos Regionais e da tutoria a distância realizada
nas Universidades Consorciadas. A coordenação de todo
o processo de acompanhamento do aluno, seja presencial ou a distância,
é de responsabilidade das Universidades que oferecem os cursos.
O esquema abaixo apresentado na Figura 1 representa o relacionamento
entre as instâncias acadêmicas da estrutura de tutoria
do CEDERJ.

4. Tutoria Presencial nos Pólos Regionais
Objetivo
A Tutoria presencial nos pólos regionais tem
como objetivo a criação de ambientes de trabalho que
permitam o atendimento individualizado dos alunos, que possibilitem
a organização desses alunos em grupos promovendo o trabalho
cooperativo e colaborativo e estimulem o aluno a expor suas dúvidas
relacionadas tanto sobre seu entendimento sobre conteúdo da
matéria, quanto a dificuldades de outra ordem que estejam dificultando
o seu desenvolvimento no curso.
Estrutura
A tutoria presencial é realizada nos Pólos
Regionais por uma equipe de tutores que é constituída
por profissionais com nível superior e é organizada
por área de conhecimento. A cada área corresponde uma
equipe de tutores que desenvolve os seus trabalhos, por disciplina,
sob a orientação do tutor-coordenador da área
respectiva.
O espaço em que se dá a tutoria presencial
consiste de toda infra-estrutura administrativa e acadêmica
necessária para o desenvolvimento dos trabalhos dos tutores:
salas de aula, salas de estudo, bibliotecas, laboratórios necessários
à parte prática das disciplinas e salas para seminários.
Atribuições da equipe de tutoria nos Pólos
Atribuições do tutor coordenador
- Acompanhar e avaliar todo o processo de tutoria da área
no Pólo regional;
- Orientar a equipe de tutores da área;
- Auxiliar os coordenadores de disciplina na orientação
e acompanhamento da vida acadêmica dos alunos;
- Participar de reuniões periódicas com as coordenações
do curso e de disciplinas;
- Organizar, em conjunto com a direção do Pólo,
o funcionamento da estrutura de atendimento aos alunos;
- Responsabilizar-se pelo atendimento aos alunos quando às
dúvidas relacionadas com a estrutura e o funcionamento do
curso como um todo;
- Realizar a tutoria de uma disciplina da área;
Atribuições do tutor
- Conhecer o projeto didático-pedagógico do curso
e o material didático das disciplinas sob sua responsabilidade,
demonstrando domínio do conteúdo específico
da área.
- Orientar o aluno para o estudo a distância, buscando mostrar
a necessidade de se adquirir autonomia de aprendizagem.
- Orientar o aluno, individualmente ou em grupo, visando a orientá-lo
para a construção de uma metodologia própria
de estudo.
- Indicar ao aluno a necessidade de pesquisar a bibliografia sugerida
no material didático, no sentido do aprofundamento dos conteúdos
das disciplinas.
- Orientar os alunos nas aulas de laboratório, aulas práticas
ou trabalhos em grupo estabelecidos pela coordenação
da disciplina.
- Participar de encontros, atividades culturais, videoconferências
e seminários presenciais programados pela coordenação
do curso, desde que programadas com antecedência.
- Emitir relatório semanal para o tutor-coordenador de área
com o registro da participação do aluno, suas principais
dúvidas e respectivas orientações e encaminhamentos
e registro de informações sobre os tipos e os níveis
de dificuldades que os alunos apresentam em relação
a tópicos das disciplinas e respectivo material didático.
- Participar da aplicação de avaliações
presenciais de acordo com programação a ser organizada
pelo tutor-coordenador.
- Cumprir com pontualidade os horários de atendimento de
acordo com o estabelecido pela coordenação de tutoria
do CEDERJ.
- Recolher, ao final de cada disciplina, a avaliação
que o aluno faz do material didático, da modalidade de ensino
a distância e dos tutores que o orientaram presencialmente
e a distância.
5. Tutoria a Distância nas Universidades Consorciadas
Objetivo
A Tutoria a distância tem como objetivo orientar
os alunos em suas dúvidas, de forma rápida e objetiva,
por meio de comunicação individual, fax, telefone e
pela utilização de ferramentas do ambiente on-line tais
como: correio eletrônico, tira dúvidas, fórum
e chats, estimulando-os a criar grupos de estudo para o trabalho cooperativo
e colaborativo.
Estrutura
A tutoria a distância é realizada nas
Universidades Consorciadas por meio do atendimento a distância,
por disciplina. A equipe de tutoria poderá se constituir, de
acordo com procedimentos definidos pela coordenação
do curso, de alunos de pós-graduação, graduação;
de professores das universidades consorciadas e de profissionais graduados
na área com ou sem vínculo nas universidades consorciadas.
Esta equipe é coordenada por um professor da universidade que
oferece a disciplina denominado de Coordenador da Disciplina que
é responsável pelos trabalhos de tutoria presencial
e a distância da respectiva disciplina. De acordo com o aumento
do número de alunos por tutor, o coordenador da disciplina
indicará a necessidade de incluir professores tutores para
responder pelo acompanhamento dos trabalhos dos tutores da disciplina.
Atribuições dos tutores a distância
- Conhecer o projeto didático-pedagógico do curso
e o material didático das disciplinas sob sua responsabilidade,
demonstrando domínio do conteúdo específico
da área.
- Orientar o aluno para o estudo a distância, buscando mostrar
a necessidade de se adquirir autonomia de aprendizagem.
- Orientar o aluno, individualmente ou em grupo, visando a orientá-lo
para a construção de uma metodologia própria
de estudo.
- Indicar ao aluno a necessidade de pesquisar a bibliografia sugerida
no material didático, no sentido do aprofundamento dos conteúdos
das disciplinas.
- Participar de encontros, atividades culturais, videoconferências
e seminários presenciais programados pela coordenação
do curso, desde que programadas com antecedência.
- Emitir relatório semanal para o professor tutor da disciplina,
com o registro da participação do aluno, suas principais
dúvidas e respectivas orientações e encaminhamentos
e registro de informações sobre os tipos e os níveis
de dificuldades que os alunos apresentam em relação
a tópicos das disciplinas e respectivo material didático.
- Cumprir com pontualidade os horários de atendimento aos
alunos de acordo com o estabelecido pela coordenação
de tutoria do CEDERJ.
Atribuições do professor-tutor:
- Orientar a equipe de tutores da disciplina nos trabalhos da tutoria
a distância.
- Acompanhar o processo de tutoria relativo à disciplina
ou conjunto de disciplinas sob sua responsabilidade, estabelecendo
uma tabela de atendimento a distância dos alunos.
- Organizar, em conjunto com o professor coordenador da disciplina,
o seu processo de avaliação.
- Corrigir e revisar provas, trabalhos e outras atividades a distância,
que compõem o sistema de avaliação da aprendizagem,
sob a coordenação do professor coordenador da disciplina.
- Definir junto ao coordenador da disciplina horários de
atendimento dos tutores de acordo com a programação
da coordenação do curso.
Atribuições do professor coordenador da disciplina
- Coordenar os trabalhos da tutoria presencial e a distância
relativa à disciplina sob sua orientação.
- Participar do processo de seleção de tutores presenciais
e a distância da área organizando a capacitação
dos tutores no conteúdo da disciplina, com base no material
didático.
- Organizar em conjunto com a coordenação do curso
palestras, seminários nos pólos destinados a alunos
e tutores.
- Realizar visitas periódicas aos pólos para reuniões
de acompanhamento e avaliação com tutores nos pólos.
- Coordenar equipes de professores tutores da universidade na elaboração
do conteúdo das provas e programação de trabalhos
e atividades presenciais e a distância que compõem
o sistema de avaliação da aprendizagem definido pela
coordenação do curso.
- Coordenar equipes de professores tutores da universidade na correção
e revisão de provas, trabalhos e outras atividades presenciais
e a distância que compõem o sistema de avaliação
da aprendizagem definido pela coordenação do curso.
- Estar em permanente contato com o tutor coordenador do Pólo
para acompanhamento e orientação sobre as atividades
da tutoria relativas às disciplinas sob sua responsabilidade.
6. Processo Seletivo
O processo de seleção dos tutores dos
cursos do CEDERJ foi planejado de modo criterioso para que sejam selecionados
profissionais capazes de desenvolver junto aos alunos uma tutoria
responsável que seja adequada à formação
de profissionais qualificados. Nas universidades a seleção
dos tutores e professores tutores se realiza a partir de uma ampla
divulgação, análise de currículo e entrevista,
cujos critérios são definidos de acordo com a coordenação
de curso e coordenações de disciplina. Os tutores que
atuam nos pólos regionais passam por um processo seletivo que
ocorre periodicamente para todos os pólos. É organizado
pela coordenação de tutoria do CEDERJ e consiste de
duas etapas, a primeira contendo duas fases, a)uma prova escrita e
b) entrevista e análise de currículo e a segunda etapa
que consiste de uma capacitação que se divide em capacitação
inicial em conteúdo e em EAD.
7. Considerações Finais
O modelo de tutoria descrito está sendo implementado
e constantemente avaliado para que seja uma estrutura capaz de propiciar
a interação e interatividade necessária para
o cumprimento dos objetivos educacionais dos projetos didáticos-pedagógicos
dos cursos. A seleção criteriosa dos tutores e a sua
capacitação são consideradas fatores decisivos
para a implementação dos cursos. Os tutores são
responsáveis pela adoção de estratégias
que auxiliam o aluno a refletir sobre o seu aprendizado, a assumir
para ele próprio a responsabilidade pelo seu desenvolvimento
no curso e a adquirir autonomia de estudo. O profissional para atuar
como tutor deve estar preparado para assumir diversas tarefas que
se resumem em um conjunto de ações que motivem os alunos
na continuidade e na finalização de seus estudos.
NOTAS:
* Professora da Universidade Federal Fluminense/
Coordenadora de Tutoria do CEDERJ.
- Este texto foi produzido com base no modelo definido a partir
das reuniões periódicas da Equipe de Tutoria do CEDERJ
que é composta de professores representantes das Universidades
Consorciadas cujos cursos estão sendo produzidos e implementados
pelo Consórcio.
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PGM
4 - Tutoria em EAD
Texto 3 - O Tutor no Proformação
Maria
Cristina Tavares *
Introdução
Num sistema de educação a distância,
o tutor desempenha um papel muito importante. Aliado a outros recursos
tecnológicos, que podem ser impressos, audiovisuais e/ou on-line,
ele faz parte do sistema de apoio à aprendizagem, que oferece
condições aos cursistas para que eles possam desenvolver
as atividades previstas no curso e obter sucesso.
No Proformação, a tutoria foi estabelecida
junto a um sistema de comunicação, que inclui a possibilidade
de os cursistas obterem informações, via telefone, da
Agência Formadora. O papel do tutor foi estabelecido, suas funções
definidas, os procedimentos sistematizados e os mecanismos de suporte
ao seu trabalho incorporados à proposta do sistema.
Este trabalho apresenta o papel, atribuições
e atuação do tutor no Proformação, bem
como seu treinamento e apoio ao seu trabalho delineado no sistema
de EAD organizado no Programa.
1.1 Papel do Tutor no Proformação
O Tutor possui um papel muito importante no Proformação.
Ele é um facilitador da aprendizagem, um elemento chave no
acompanhamento do desenvolvimento do Professor Cursista, nas atividades
individuais e coletivas do curso. Sua principal tarefa é orientar
e motivar cada Professor Cursista, acompanhando suas atividades no
curso e na sua prática pedagógica com seus alunos, procurando
sempre orientá-lo quanto ao desenvolvimento de estratégias
de estudo autônomo e à melhoria do processo ensino-aprendizagem,
sobretudo a partir dos conteúdos e experiências desenvolvidos
nas unidades de cada área temática. Ele é, também,
um elo de ligação entre os Cursistas e as instituições
integrantes do Programa.
1.2 Atribuições do tutor no PROFORMAÇÃO
No PROFORMAÇÃO o Tutor possui as seguintes
responsabilidades:
- Participar da capacitação específica para
o desempenho de sua função;
- Participar da Fase Presencial do Curso;
- Organizar e promover os encontros quinzenais com os Professores
Cursistas, seguindo as diretrizes da CNP;
- Avaliar e comentar com o PC o seu desempenho em todas as suas
tarefas, incluindo as atividades dos Cadernos de Verificação,
o memorial e a prática pedagógica;
- Enviar à AGF as Fichas de Acompanhamento Mensal do Professor
Cursista;
- Promover a recuperação paralela para os Professores
Cursistas que não obtiverem a pontuação mínima
exigida nos instrumentos de avaliação;
- Procurar resolver ou encaminhar para resolução todas
as dúvidas e questionamentos de seus orientados;
- Realizar, mensalmente, visita à escola em que leciona o
Professor Cursista para Observação da Prática
Pedagógica;
- Participar das reuniões mensais na AGF para acompanhamento
e avaliação das atividades de Tutoria;
- Fornecer dados a AGF, EEG, CNP, sempre que solicitados;
- Auxiliar na solução de problemas que surjam nas
escolas, levando em consideração a realidade específica
de cada município;
- Informar periodicamente o diretor da escola sobre o desenvolvimento
do processo de ensino e aprendizagem e a incorporação
à prática pedagógica das sugestões de
atividades;
- Colaborar com as atividades de articulação da escola
com as famílias e a comunidade.
- Elaborar relatórios mensais e circunstanciados dos trabalhos,
(Anexo 1) e enviar à AGF;
- Participar, como representante ou quando convocado, de reuniões
relativas ao Programa.
1.3 Atuação do Tutor junto ao Professor Cursista
Num curso de educação a distância,
boa parte do sucesso do Programa está ligada ao relacionamento
Tutor/Professor Cursista. A atuação qualificada do Tutor
como mediador da relação Cursista/AGF assegura as condições
mais plenas de aprendizagem e do trabalho educativo.
O Tutor representa a presença constante de
um facilitador, um orientador do processo de aprendizagem do Professor
Cursista, alguém que pode auxiliá-lo a desenvolver técnicas
de estudo autônomo. Suas visitas à escola onde o cursista
atua para acompanhar o desenvolvimento de sua prática pedagógica
e os encontros quinzenais do sábado garantem essa aproximação,
encurtam a distância. Por isso, essas atividades crescem em
importância e exigem um bom planejamento e uma execução
segura.
O trabalho do Tutor viabiliza o diálogo fundamental
entre a AGF e os seus alunos. Apesar dos Guias de Estudo terem sido
elaborados para estabelecer uma ligação próxima
e agradável entre conteúdos, especialistas e os Professores
Cursistas, é sobretudo pela mediação do Tutor
que se dá uma interlocução, capaz de desfazer
uma possível idéia de impessoalidade, ou de um curso
fechado e "pronto", autoritário.
Também importante salientar que quanto melhor
for seu trabalho do Tutor, mais independente se tornará o Professor
Cursista, ampliando o campo de suas competências.
No Proformação, espera-se que o Tutor
seja capaz de:
1.3.1 Ajudar o Professor Cursista a dominar os conteúdos das
unidades:
- explicando, com o auxílio dos professores formadores da
AGF, conceitos difíceis neles contidos, às vezes até
antecipando pontos a serem vistos e cuja dificuldade você
já prevê;
- desfazendo enganos de conceitos e preconceitos;
- indicando recursos e materiais adicionais;
- corrigindo pontualmente os Cadernos de Verificação
da Aprendizagem e provendo, em conjunto com a AGF, atividades de
recuperação.
1.3.2 Ajudar o Professor Cursista a desenvolver habilidades de estudo:
- procurando descobrir seus problemas específicos de leitura
ou de realização de atividades;
- auxiliando o cursista a planejar suas horas de estudos;
- propondo formas auxiliares de estudo;
- facilitando novos exercícios e práticas, individuais
ou em grupo;
- comentando pontualmente acertos e falhas, ultrapassando observações
vagas, como: "Muito bom!", "Fraco", "Precisa
melhorar".
1.3.3 Favorecer a troca de experiências e conhecimentos em
atividades de grupo:
- possibilitando com freqüência o trabalho com outro(s);
- incentivando discussões, debates, criações
coletivas;
- criando um ambiente descontraído, de confiança e
solidariedade.
1.3.4 Encorajar o processo de aprendizagem do Professor Cursista:
- valorizando o estudo e a experiência de cada um, procurando
pontos positivos mesmo nos trabalhos insatisfatórios e nunca,
se escritos, marcando os erros de forma a reforçá-los,
ou a desencorajar o Professor Cursista;
- descobrindo o tom adequado para as observações feitas
a cada um;
- relembrando sempre os objetivos a serem perseguidos e as etapas
e o calendário a serem cumpridos;
- cumprindo você mesmo os prazos e nunca deixando sem comentário
ou resposta os trabalhos e perguntas do Professor Cursista;
- apresentando ao Professor Cursista com antecedência e discutindo
com ele seu planejamento nos encontros coletivos;
- levando em consideração e comentando observações,
sugestões e críticas (o que não quer dizer
acatá-las sempre);
- enfatizando aspectos positivos do curso;
- tornando sua presença um ponto de apoio e segurança
para todos.
1.3.5 Ajudar o Professor Cursista a alcançar autonomia na
produção científica:
- procurando desenvolver sua auto-estima e motivação;
- dedicando atenção a todos igualmente;
- encorajando as iniciativas pessoais;
- promovendo a confiança no material auto-instrucional e
nas experiências do curso.
1.4 O Tutor e a Avaliação
Também na avaliação, a atuação
do Tutor é fundamental. Ele precisa compreender muito
bem como e por que o Professor Cursista vai ser avaliado para que
a sua avaliação seja justa e direcionada sempre a desafiar
e incentivar o Professor Cursista e melhorar o seu desempenho e a
sua prática docente.
O bom desempenho do Professor Cursista depende, principalmente
do acompanhamento constante do Tutor e da AGF.
No Proformação, o Tutor é o
responsável pela avaliação do Caderno de Verificação
da Aprendizagem, do Memorial, da Prática Pedagógica
e do Plano de Aula.
A correção do Caderno de Verificação
da Aprendizagem é feita com o auxílio da Chave de Correção,
que é mantida em sigilo pelo Tutor. Como as respostas dadas
pelo Professor Cursista não são exatamente iguais às
da Chave de Correção, o Tutor deve interpretá-las
e considerar corretas as respostas com o mesmo sentido, mesmo que
a redação ou os exemplos sejam diferentes. Posteriormente
ele devolve o Caderno de Verificação da Aprendizagem
ao Professor Cursista, com as observações sobre seu
desempenho e as necessidades de recuperação ou acompanhamento
sistemático de cada um. Em casos de dúvidas o
Tutor pode procurar a sua AGF para orientações.
Como os objetivos avaliados na Prova Bimestral serão
os mesmos do Caderno de Verificação da Aprendizagem
o Tutor deve fazer um bom acompanhamento do desempenho do Professor
Cursista também nesse instrumento, de forma que ele possa oferecer
possibilidades ao Cursista para a superação das dificuldades.
No Programa, o Tutor também avalia quinzenalmente
o Memorial do Cursista, um documento que relata o desenvolvimento,
as dificuldades, as experiências, as reflexões do Cursista
durante o curso. Tal avaliação é baseada nas
"Competências" e "Exemplos de Resultados Esperados"
descritos nos anexos do Manual do Tutor e com orientação
da AGF, observando a capacidade de expressão e de reflexão
teórica do Cursista sobre sua prática pedagógica
e seu percurso de aprendizagem.
A avaliação da Prática Pedagógica
é feita por meio de visitas mensais às escolas dos Professores
Cursistas, onde o tutor faz a observação da Prática
Pedagógica de acordo com as "Competências"
e "Exemplos de Resultados Esperados" descritos na
Ficha de Acompanhamento Mensal do Professor Cursista. O Tutor deve
buscar orientações na AGF quando não compreender
as orientações relativas às competências
registradas na Ficha. Caberá ao Tutor criar um clima de confiança
e descontração por ocasião da visita evitando
fazer comentários intimidadores ao Professor Cursista, para
não causar desconforto e ansiedade. O Tutor deve evitar interferir
na rotina de trabalho do Professor Cursista e de sua escola e deve
sempre apontar ao Professor Cursista, em conversa após a observação,
os aspectos positivos observados e os que podem melhorar.
1.5 Treinamento do Tutor
No Proformação, a capacitação
do Tutor é feita ao longo dos dois anos de duração
do Programa. A primeira etapa dessa capacitação é
realizada antes do início do Programa e oferece informações
sobre o que é o Programa, como funciona, qual a proposta pedagógica,
como é vista a avaliação e quais as funções
dos participantes da rede de formação do sistema, com
destaque às funções do Tutor. Além disso,
são desenvolvidas oficinas para que o Tutor possa experienciar
o desempenho de sua função, principalmente no que se
refere à avaliação continuada. A partir daí,
novas capacitações ocorrem antes do início de
cada Módulo, para a contínua formação.
Além disso , o Tutor também participa integralmente
das aulas da Fase Presencial ministradas pelos Professores Formadores
da AGF aos Professores Cursistas.
O enfoque principal da capacitação
será sempre o processo de construção do conhecimento
teórico-prático vivido pelos Professores Cursistas,
e não o mero domínio dos conteúdos curriculares,
bem como o acompanhamento e avaliação das atividades
do curso. É importante que o Tutor conheça bem as atividades
previstas nos Guias de Estudo, pois isso lhe dará recursos
e motivação para orientar melhor os Professores Cursistas.
A capacitação dos Tutores é
de responsabilidade das Agências Formadoras, de acordo com as
orientações da Coordenação Nacional. As
AGF também são encarregadas de oferecer assistência
técnico-pedagógica ao Tutor, ao longo do Programa, seja
na forma presencial, seja a distância, por meio de telefone.
Vale salientar que o Proformação desenvolveu
materiais escritos que esclarecem e exemplificam as principais atividades
do Tutor.
1.6 Apoio ao Tutor
Para a execução do trabalho do Tutor,
é fundamental um diálogo constante com o Coordenador
e os professores da AGF, com o responsável pelo OME ñ Órgão
Municipal de Educação nos municípios, e com os
diretores das escolas, onde ele acompanhará a prática
dos Professores Cursistas sob sua responsabilidade.
A AGF apóia de perto o trabalho da Tutoria
de forma presencial, realizando reuniões mensais com os tutores,
marcando encontros individuais e mesmo visitando o Tutor em seu município,
quando necessário, e a distância, por meio do Serviço
de Comunicação, que inclui um plantão pedagógico
telefônico, pelo qual o Tutor pode solicitar informações
ou esclarecer dúvidas com os Professores Formadores a qualquer
momento.
Com isso, o Tutor não se sente sozinho e pode
contar com o apoio especializado da equipe da AGF para a resolução
de qualquer necessidade.
Bibliografia
CUNHA, Maria Antonieta Antunes (2000).
Manual do Tutor/PROFORMAÇÃO. 3 ed. Brasília:
MEC/FUNDESCOLA.
CUNHA, Maria Antonieta Antunes (2000). Guia
Geral do PROFORMAÇÃO. 2 ed. Brasília:
MEC/FUNDESCOLA.
BOF, Alvana Maria , LIGNEUL, Cristina , TAVARES,
Maria Cristina , LATOUR, Maria Luiza (2000). Manual de Operacionalização
PROFORMAÇÃO. 2 ed. Brasília: MEC/FUNDESCOLA.
ALMEIDA, Maria Regina D. Godoy (2002). Como
planejar e realizar a Reunião de Sábado (texto de
Apoio 1). 2 ed. Brasília: MEC/FUNDESCOLA.
ARAUJO, Claisy Maria Marinho (2002). Como
acompanhar a prática pedagógica (Texto de Apoio
2). 2 ed. Brasília: MEC/FUNDESCOLA.
ARAUJO, Claisy Maria Marinho , ALMEIDA, Maria
Regina D. Godoy (2002). Como orientar e avaliar o memorial
(Texto de Apoio 3). 2 ed. Brasília: MEC/FUNDESCOLA.
NOTAS:
* Gerente de Monitoramento e Avaliação
do Proformação.
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PGM
5 - Avaliação em EAD
Texto 1 - Avaliação de desempenho do aluno
na ead
Sandra
Azzi *
Quando
falamos de avaliação de desempenho do aluno não
estamos falando de um fato pontual ou de um ato singular. A avaliação
de desempenho faz parte de um sistema mais amplo de avaliação
de um projeto pedagógico, seja na modalidade de ensino a distância
seja no ensino presencial.Antes de nos atermos na especificidade que
um programa de avaliação de desempenho na modalidade
de ensino a distância possa ter, é interessante lembrarmos
que esse se apóia em conceitos básicos da avaliação
em seu sentido geral.
A
avaliação desempenha funções que a legitimam
e tornam indispensável no processo educativo. Sua função
mais evidente e reconhecida é a pedagógica, que visa,
principalmente, à verificação da aprendizagem
dos alunos, à identificação de suas necessidades
e à melhoria (regulação) do processo de ensino
aprendizagem. Essa função se complementa com a função
social de certificação dos alunos, compreendida como
declaração de domínio das competências
curriculares enunciadas em uma proposta pedagógica. Na função
pedagógica temos a explicitação do conceito de
avaliação subjacente a essa proposta.
A
avaliação de desempenho escolar é um processo
sistemático de obtenção e análise de informações
sobre uma realidade, buscando na compreensão dessa realidade
os elementos que possibilitam uma intervenção consciente
daqueles que dela participam, visando aos objetivos de ensino e aos
fins da educação.
Como
processo sistemático, a avaliação põe
em destaque os fatos, as ações, os resultados parciais
(processo) e finais (produto) do processo ensino-aprendizagem, mostrando
não só o que são, mas também porque são
deste ou daquele modo. A avaliação é um dos recursos
que contribuem para a efetividade de uma proposta pedagógica
que tenha o sucesso de seus alunos como um de seus desafios. Ela constitui
uma fonte permanente de informações sobre a realidade
do processo ensino-aprendizagem.
A
avaliação na EAD, como em qualquer outra modalidade
de ensino, apóia-se na interdependência das modalidades
diagnóstica, formativa e somativa, com ênfase na sua
continuidade. O denominador comum dessas modalidades é a orientação
permanente daqueles que participam do processo ensino-aprendizagem
ñ cursistas, tutores e agências formadoras ñ , e a regulação
desse processo. Elas possibilitam a continuidade do trabalho pedagógico
e o respeito ao ritmo de aprendizagem de cada aluno.
Na
EAD a avaliação funciona como um estímulo ao
aluno, à sua aprendizagem e ao seu sucesso, pois favorece a
autoconfiança, já que ele é informado durante
todo o tempo sobre o seu progresso. Essa informação
constante não acontece somente nos momentos formais de avaliação
(cadernos de avaliação, provas, seminários, monografia,
observação da prática pedagógica). Quando
o material didático utilizado na EAD é bem elaborado,
de acordo com as características que lhe são próprias,
ele possibilita ao aluno uma avaliação constante de
seu progresso e de suas dificuldades, dando-lhe ensejo de continuar
e/ou indicativos da necessidade de buscar orientação
complementar, seja do sistema de tutoria ou de outro sistema de apoio
que esteja disponível. Essa possibilidade de avaliação
de seu progresso a cada passo, a cada atividade de estudo realizada,
contribui para uma melhor compreensão da avaliação
como parte integrante do processo ensino-aprendizagem e de suas funções
formadora e mobilizadora da aprendizagem segundo os ritmos individuais
e diferenciados dos alunos. No caso específico de EAD na Formação
de Professores, essa vivência da avaliação como
um processo contínuo e formador contribui para uma mudança
na prática avaliativa na escola
A
avaliação de desempenho num programa de educação
a distância na Formação de Professores deve, portanto,
ser contínua, cumulativa, abrangente, sistemática e
flexível, de modo a permitir: (a) acompanhar o desempenho escolar
de cada aluno, identificando aspectos que demandem atenção
especial; (b) identificar e planejar formas de apoio aos alunos que
apresentam dificuldades; (c) verificar se os objetivos específicos
propostos estão sendo alcançados; (d) obter subsídios
para a revisão dos materiais e do desenvolvimento do curso.
A
prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos
pressupõe a realização da avaliação
em momentos formais, distintos e complementares, com instrumentos
especialmente planejados e elaborados, tendo em vista os objetivos
de cada momento avaliativo e das informações que se
deseja obter.
Considerando
a exigência legal de avaliação presencial para
os cursos de educação a distância é importante
destacar dois instantes da avaliação: um que acontece
em momentos diferenciados ao longo do curso, segundo o ritmo de cada
aluno, mas, dentro dos limites de um calendário proposto no
plano de trabalho estabelecido para a unidade e/ou o módulo
de ensino, e um que acontece ao final de cada módulo, sob a
forma de prova.
O
primeiro momento, a avaliação de processo, estende-se
por todo o módulo, caracteriza-se por seus aspectos formativo
e diagnóstico e favorece o diálogo constante entre as
atividades didáticas e a aprendizagem. É nesse momento,
principalmente, que a avaliação se caracteriza como
um processo contínuo e cumulativo. A continuidade da avaliação
está inscrita na continuidade da ação didática
que é construída no movimento continuidade ñ ruptura
- continuidade. É nesse movimento que a idéia de processo
contínuo e cumulativo deve ser apreendida, pois a avaliação
cumulativa não é avaliação que soma ou
acumula resultados que se sobrepõem. Cada resultado parcial
é a ruptura que brota na continuidade do processo e possibilita
novas ações didáticas, dentre elas, as ações
avaliativas.
A
avaliação de processo acontece de maneira formal e informal.
Formal, quando utiliza os instrumentos preparados para a obtenção
de informações sobre habilidades e ou competências
previstas no projeto pedagógico do curso. Mas, não podemos
desprezar, na educação a distância, fatos e informações
não previstos, que emergem durante todo o processo, e que são
reveladores de avanços, progressos e dificuldades do aluno,
bem como, indicadores da adequação e da qualidade do
material didático, do plano de trabalho elaborado para o curso,
do sistema de tutoria adotado.
A
avaliação de processo é a que se relaciona mais
diretamente com o sistema de recuperação de uma proposta
pedagógica que vise a uma aprendizagem efetiva de seus alunos.
As avaliações formativa e diagnóstica que acontecem
durante todo o processo possibilitam que as dificuldades encontradas
pelo aluno seja percebidas no momento em que aparecem e tornam possíveis
as ações que visam à superação
dessas dificuldades. Na recuperação durante o processo
o aluno sente-se mais motivado a buscar os procedimentos e recursos
didáticos que possam lhe ajudar.
A
operacionalização de um sistema de avaliação
acha-se diretamente relacionada aos instrumentos utilizados para a
obtenção de dados e informações. Assim
como na educação presencial, na educação
a distância a escolha desses instrumentos deve ser bastante
criteriosa, tendo em vista os objetivos da avaliação
e as características dos dados a serem obtidos. Como exemplos
de momentos e instrumentos para uma avaliação na educação
a distância na formação de professores temos:
- avaliação
mensal da aprendizagem ou unidade de estudo: prova; caderno de atividades,
seminários (quando há possibilidade de encontros mensais
de grupos de alunos); redação de memorial em seus
diversos momentos e versões; elaboração de
projeto de monografia; redação de monografia em suas
diferentes versões e momentos.
- avaliação
da prática pedagógica: ficha de registro de observação;
entrevista; questionário; análise de planos; memorial;
seminários (quando é possível a reunião
de grupo de alunos).
- avaliação
semestral ou do módulo cursado: prova; memorial como síntese
parcial de curso; monografia (observação dos avanços
no semestre ou módulo).
- avaliação
final de curso: prova; memorial em sua versão final; monografia
em sua versão final.
A
avaliação do aluno na educação a distância
na formação de professores orienta-se, portanto, pelo
projeto pedagógico do curso em que se insere. Resguardadas
as características próprias da educação
a distância, a avaliação do aluno tem como referência
básica a avaliação contínua e final na
interdependência das modalidades formativa, diagnóstica
e somativa.
NOTAS:
* Consultora
técnico-pedagógica do projeto Veredas ñ Cursos de
Formação de Professores em EAD ñ Secretaria Estadual
de Educação / MG.
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PGM
5 - Avaliação em EAD
Texto 2 - A Avaliação e a Avaliação
na educação a Distância: algumas notas para reflexão
Kátia
Morosov Alonso 1
Quando falamos de avaliação,
falamos de um processo extremamente complexo seja no âmbito
de nossas vidas privadas ou no âmbito profissional. Imaginem
a complexidade do tema quando tratamos dos processos de ensino/aprendizagem.
Afinal a partir de que critérios poderíamos avaliar
se um conhecimento é valido, ou ainda, se é importante,
ou se alguém se apropriou de um determinado conceito?
Sem dúvida,
que no âmbito mais geral de nossas vidas, a cultura e os nossos
próprios entornos sociais acabam por definir critérios
que nos permitem avaliar situações que nos afetam diretamente.
Da mesma maneira, quando
tratamos da avaliação de programas educacionais ou da
avaliação do processo ensino/aprendizagem, determinados
critérios devem ser colocados ou explicitados para sabermos
o porquê e o para quê de um processo dessa natureza.
Ao trabalharmos com
propostas educacionais é possível afirmar que uma de
suas principais características é a de ser uma ação
que pressupõe processos de acompanhamento e avaliação,
além de ser uma ação intencional e sistematizada.
Esta afirmação
tem, por sua vez, como pressuposto, a idéia de que um processo
educacional tem por base o trabalho com os conhecimentos historicamente
acumulados, sendo que sua transmissão e reelaboração
são mediados, no contexto escolar, pelo professor. Para que
estes saberes possam ser apropriados pelos alunos, há que se
pensar sempre na forma pela qual se dará a comunicação
educativa, entendendo que este tipo de comunicação terá
como fundamento signos e significados constituídos social e
culturalmente. Ou seja, se nós educadores não nos apropriamos
também do "mundo" do outro, no caso, o "mundo" dos alunos,
pouca coisa ocorrerá do ponto de vista pedagógico.
Veja que o parágrafo
acima, apesar de sua brevidade, nos aponta uma série de elementos:
falamos sobre saberes, contexto escolar, signos, significados, sociedade
e cultura. Sem dúvida que nos referimos a dimensões
diferenciadas das práticas escolares, no entanto, não
podemos reduzir esta prática, pura e simplesmente, à
sala de aula. Um processo educativo compreende dimensões que
extrapolam, em muito, a relação professor/aluno ou a
relação aluno/saberes.
Assim, os processos
de acompanhamento e avaliação são intrínsecos
aos processos educacionais porque é através deles que
poderemos levantar indicadores que venham nos "revelar" se a aprendizagem
foi efetiva ou não. Isto implica se ter presente várias
dimensões que compõem um fazer desta natureza.
Desta maneira, é
possível afirmar que a avaliação é parte
integrante do ato educativo, pois será através dela
que poderemos evidenciar o "como" o processo de ensino/aprendizagem
se desenvolve e, se preciso for, readequá-lo, redirecioná-lo
ou reelaborá-lo.
A base de toda avaliação
do processo de ensino/aprendizagem deveria ser aquela que possibilitasse,
sempre, um conhecimento mais amplo dele gerando, a partir daí,
referenciais para tomadas de decisões quanto à manutenção
ou não de determinadas práticas escolares.
Para se estabelecer
estes referenciais há uma série de estudos sobre a avaliação
que vão nos explicitar as bases desta ou daquela "prática
avaliativa".
O processo de avaliação
tem, então, como fundamento um trabalho sistematizado. Ou seja,
é necessário estabelecermos critérios para que
ela seja objetivada, considerando as várias dimensões
de um processo educativo.
No campo da produção
científica, a discussão em torno desta problemática
tem produzido uma série de teorizações sobre
o que seja avaliar, porque se avalia e a partir de que critérios
ela se desenvolve.
Como todo e qualquer
campo do conhecimento a avaliação pressupõe determinada
visão de mundo, isto significa que em sua compreensão
se explicitará sempre uma determinada visão de homem,
de sociedade e, por conseguinte, da escola.
Estas "visões
mais gerais" acabam por trazer implicações metodológicas
e práticas para a avaliação do processo ensino/aprendizagem,
elas acabam por determiná-la também.
Tanto é assim
que para Abramowicz (1994), por exemplo, a avaliação
quando pensada em seu sentido mais amplo, isto é, quando se
trabalha com a idéia da avaliação dos sistemas
educativos, isso implicaria tomadas de decisões que subsidiariam
a formulação de políticas públicas. No
entanto, é exatamente por se estar pensando na avaliação
de sistemas educativos, que a avaliação cognitiva, como
uma das dimensões desses sistemas, seria determinada, segundo
a autora, pelas concepções que dão forma e conteúdo
a esses mesmos sistemas. Daí, a relação entre
a avaliação cognitiva e política, ou políticas
públicas. A autora reconhece que apesar de se constatar que
a avaliação é "essencialmente uma atividade política,
a relação entre avaliação e política
é pouco estudada e compreendida" (Abramowicz, 1994, p.95).
Para nós, o mais importante é perceber a relação
entre as dimensões mais amplas da avaliação que
indicam, como o trabalho por Abramowicz, a implementação
de determinadas políticas e o reflexo disso em sala de aula.
É nesse sentido que a avaliação do processo ensino/aprendizagem
acaba por exprimir, quer estejamos de acordo ou não, uma determinada
visão de sociedade, homem, escola, ensino, dentre outros elementos.
É, por isso, também, que no texto a autora afirma a
necessidade de se ter um projeto de escola coletivo, autônomo,
criativo e democrático (cf. Abramowicz, 1990, p.96).
Toda a reflexão
proposta por Abramowicz (1994, p.97) evidencia a necessidade de se
contextualizar a denominada avaliação cognitiva de maneira
que pudéssemos superar sua concepção como "mera
constatação do desempenho, como retrato estático
de rendimento em testes e provas". Se compreendemos que o "projeto
de avaliação cognitiva" da escola expressa um projeto
de sociedade, a avaliação do que ocorre nesse espaço
"passaria pelo questionamento dos fins e meios, e pela discussão
da "real irracionalidade" (Arroyo, 1987) das ações sociais
e educacionais e de suas causas estruturais mais globais" (Abramowicz,
1994, p.98).
Poderíamos trabalhar
por muito mais tempo as idéias propostas por Abramowicz e,
atualmente, por outros autores que também refletem sobre a
relação avaliação/políticas públicas,
essa é uma discussão bastante esclarecedora quanto aos
fatores que determinam nossas práticas pedagógicas.
Porém, melhor do que a "tradução" do texto aqui
referido, a sua leitura poderá ser ainda mais produtiva, uma
vez que a autora trata dessas questões de forma clara e enfática,
propiciando, sem dúvida, análises significativas para
nós, professores.
Para continuar com
as nossas "notas" sobre a avaliação, gostaria de fazer
referência a um texto de Firme.
Se Abramowicz dá
um "sobrevôo" muito importante, tratando da relação
avaliação/políticas públicas, Firme(1996)
apresenta uma discussão sobre o que ela denomina de as "gerações"
de avaliação. Essa discussão é importante,
na medida em que queiramos compreender, um pouco mais, sobre as práticas
que se estabelecem no âmbito, ou na dimensão da "avaliação
cognitiva", que como vimos no texto de Abramowicz (1994), determina
a avaliação escolar.
Ainda que esse texto
introduza a discussão sobre a avaliação tratando
dos "hábitos avaliativos", a autora propõe uma reflexão
importante sobre "modelos", ou como ela denomina: gerações
de avaliação, que indicam práticas avaliativas
no interior de nossas escolas (em qualquer nível de formação,
como o explicitado no texto). Isso nos remete, sem dúvida,
sobre "o que fazer" na avaliação, uma vez que os modelos
avaliativos se ritualizam de tal maneira que é difícil
transcender determinados "tabus" que se estabeleceram e estabelecem
nesse âmbito. A "prova" é um bom exemplo disso.
Para trabalhar tais
reflexões, a autora faz uma análise sobre os avanços
e retrocessos do processo da avaliação, utilizando três
categorias: utilidade, viabilidade, exatidão e ética.
Discute as mudanças conceituais ocorridas, agrupando-as em
períodos a que chama de geração, identificando
quatro: a geração associada a mensuração,
em que não se fazia distinção entre avaliação
e medição, ocorrida principalmente entre os anos de
1920 e 1930; a segunda que se caracterizou pela busca de melhor entendimento
do objeto da avaliação; a terceira, que surge como decorrência
das limitações surgidas em relação à
dependência excessiva dos objetivos. E finalmente, nos anos
de 1990, a geração em que a avaliação
passa a ser concebida como um processo interativo, negociado por estar
fundamentada num paradigma construtivista.
No entanto será
que já nos desfizemos dos "modelos de avaliação"
de caráter puramente quantitativos? Ou daqueles fundados em
objetivos, geralmente, com características comportamentais?
Penso que em nossos ambientes escolares, os exames, as provas finais
(prova disso são os vestibulares), os comportamentos, definem
em grande medida os "escores" de quem "passa de ano" ou é reprovado(a).
Pobre fim esse de nossos alunos(as)...
Aí é
importante nos perguntarmos: mas por que a escola não muda?
Por que terminamos por reproduzir determinados padrões avaliativos
que, quase sempre, exprimem o quadro caótico da maior parte
das escolas brasileiras?
Para Esteban (2000)
essas perguntas só podem ser respondidas se analisarmos a produção
do fracasso/sucesso escolar no processo de inclusão/exclusão
social. Ou seja, pensar sobre qual o projeto de escola, para quem
ela se destina, porque e para que existe essa instituição
parecem ser pistas importantes para chegarmos a "arranhar" o "véu
de chumbo" que paira sobre as práticas avaliativas de nossas
escolas.
Claro está que
a relação inclusão/exclusão social implica
também a permanência ou não de determinados grupos
sociais na escola, justamente por expressar qual é o tipo de
conhecimento a ser aí "passado ou repassado".
A leitura do texto
de Esteban (2000) nos permitirá vislumbrar uma outra dimensão
- muito esquecida em nossos dias - que permeia a avaliação:
a dimensão ética. Isso em função daquilo
que a escola valida ou deixa de validar como saber, como conhecimento
historicamente acumulado. E, nesse caso, o conhecimento, as experiências
vividas, os saberes acumulados daqueles que não estão
incluídos socialmente têm pouco valor seja dentro da
escola ou fora dela. É, pois, nesse sentido que a autora chama
nossa atenção e nos aponta pequenas possibilidades e
situações onde o "outro" começa a ser reconhecido,
constituindo-se ele(a), também, como possibilidade.
Como bem sabemos todo
processo educativo/formativo tem por base uma relação.
Relação eivada por valores, lugares sociais, significados
culturais, compreensões e projetos, sobretudo, projetos de
vida. É nesta teia que as práticas pedagógicas
são forjadas, buriladas e veiculadas, incluindo aí a
avaliação.
Para Esteban (2000)
justamente por se tratar de uma prática complexa, no sentido
das dimensões que abarca, a avaliação pressupõe
conhecer, reconhecer, negociar e, sobretudo, pressupõe um projeto
de escola, por isso a dimensão ética é colocada
aqui como importante.
A compreensão
dessa outra relação: avaliação/ética,
também me parece importante para nós educadores.
Prosseguindo com estas
nossas primeiras anotações, seria importante, além
de conhecer as principais linhas do pensamento sobre a avaliação,
compreender o "como" isto se reflete nos ambientes escolares ou nos
processos de ensino/aprendizagem.
Tal tipo de reflexão
é importante na medida em que compreendemos a avaliação
e suas implicações na escola, tendo como perspectiva
a avaliação curricular.
Por que isso seria
importante?
Se retomarmos o começo
da nossa conversa, vamos observar que um dos objetivos era o de "trazer
à tona" algumas das dimensões que comporiam a avaliação.
Como vimos até aqui, existe uma dimensão política,
segundo o preconizado por Abramowicz (1994), existe uma dimensão
ética conforme o colocado por Esbeban (2000) e existe uma outra
dimensão, que como o apontado por Rodrigues (1993), determina
também a avaliação: a dimensão curricular.
Para esse autor o currículo assume uma dimensão importante
no processo avaliativo escolar uma vez que o rendimento dos sistemas
educativos terá que, necessariamente, tomar como referencial
os diversos aspectos do ensino nele englobados ou explicitados.
Além disso,
Rodrigues(1993) tratará dos componentes da avaliação
curricular, tomando o controle, a coleta de informações,
a medida e a investigação como base para tomada de decisões.
Por que este texto
é importante?
Como foi dito anteriormente,
a avaliação educacional (bem como em outros domínios)
e, mais precisamente, a avaliação do processo ensino/aprendizagem
deverá ocorrer sempre a partir de determinados referenciais
e seus resultados deverão ser confrontados com os critérios
estabelecidos com vistas a determinadas finalidades. Isto significa
que todo e qualquer processo avaliativo não é neutro
e, dependendo dos critérios e finalidades estabelecidos, nossos
"juízos de valor" poderão afetar diretamente àqueles
que participam desse processo. Para Rodrigues(1993), o referencial
da avaliação escolar deve ser trabalhado a partir do
currículo, uma vez que ele engloba objetivos, procedimentos
etc. Neste sentido, concordamos com Rodrigues, ou melhor concordamos
com a idéia de que o processo avaliativo deve pautar-se em
determinados referenciais, pois são estes referenciais que
explicitarão nossa opção política, entendendo
a opção política como "o quê" e "a quem"
estaremos priorizando no ato de se avaliar.
Ainda que não
aprofundemos nossas notas sobre as opções políticas
reveladas no ato de avaliar, seria importante refletirmos sobre o
como os fundamentos que permeiam nossa opção avaliativa
implicam um posicionamento ético frente ao ato de ensinar.
Isto significa que
a opção por determinados critérios avaliativos
vão redundar, necessariamente, na valorização
de elementos que poderão ou não, evidenciar, por exemplo,
os esforços individuais feitos pelos alunos que participam
de um processo formativo.
O fato é que,
a opção por esta ou aquela forma de avaliar, irá
revelar, quase sempre, nossa concepção de mundo. Caso
optemos por avaliar um processo ensino/aprendizagem, cuja base seja
classificar os "bons" e os "maus" alunos, estaremos, podem estar convencidos,
optando por uma escola cada vez mais seletiva e excludente.
Claro que a instituição
escola é determinada pelos fatores sociais, econômicos
políticos e culturais e isto incide sobre seus resultados.
Porém, não é por isto que vamos nos eximir de
pensar sobre os fatores intra-escolares que contribuem para o insucesso
escolar em nosso país, incluindo aí os currículos
anacrônicos às realidades vividas pelos alunos, as práticas
docentes autoritárias, as avaliações de caráter
classificatório, entre outros elementos.
Tentar trabalhar com
processos educativos que venham mudar o cenário da exclusão
escolar na maioria das escolas brasileiras, significa, sim, um posicionamento
ético, político e de engajamento profissional com vistas
a mudanças importantes nas práticas docentes.
Nosso próximo
passo diz respeito à discussão sobre o porquê
da avaliação. Ao avaliarmos qual seria nossa intenção?
Caso não tenhamos como objetivo mudanças concretas nos
processos de ensino-aprendizagem, a avaliação seria
inócua como afirma Villas(1999). Para a autora, a avaliação
pode ser entendida como um processo amplo de observações,
intervenções e regulações.
O que se discute, nesse
caso, são os elementos que, de uma maneira ou outra, acabam
por influenciar ou a conservação dos sistemas educativos
ou suas mudanças. Caso optemos por mudanças efetivas
nos sistemas educativos, temos que pensar não só em
procedimentos de caráter formativo, porém, e sobretudo,
em atitudes que venham efetivamente possibilitar mudanças.
Desta maneira, vocês
poderiam questionar: a avaliação, ou melhor, o processo
avaliativo, traz, então, em suas bases uma gama de atitudes
frente aos problemas que enfrentamos em nossa prática docente?
Podemos afirmar que sim. Isto significa que a avaliação
implica o rompimento de determinados condicionantes que existem em
práticas pedagógicas mais tradicionais.
Quais seriam eles?
Antes de mais nada
não se trata de aprovar e reprovar alunos. O que se coloca
é uma questão simples: afinal que escola queremos? Esta
é a base para o estabelecimento de qualquer processo avaliativo
escolar. Quando falamos de critérios, estamos falando sobre
quais elementos estaremos valorizando no processo avaliativo.
Você já
pensou sobre isso? Quando você avalia quais são as bases
de sua ação? O que "vale" efetivamente em sua avaliação:
os alunos? seu planejamento de ensino? a direção da
escola (seja ela em que nível for)? ou um conjunto de elementos
que consideram tanto os atores alunos/professores e suas inserções
nas instituições escolares?
As dimensões
e elementos até aqui elencados constituem as bases ou os fundamentos
para o planejamento da avaliação escolar, no sentido
de superarmos a avaliação classificatória, seletiva,
autoritária e punitiva. Claro que um tal posicionamento está
vinculado a transformações sociais mais amplas. Porém,
como o afirmado por Silva(1990), é necessário se pensar
em pontos intermediários entre as determinações
sociais mais amplas (o que inclui sistema de produção,
forças sociais, relações de trabalho...) e a
própria produção escolar. Seria neste "intermezzo"
que alternativas poderiam surgir. É nesse sentido, que coloco
a proposição acima.
2.2 Algumas notas sobre a Avaliação
e a Educação a Distância
Se as dimensões
e elementos trabalhados anteriormente definem as "práticas
avaliativas", o que existiria de particular na avaliação
do processo ensino-aprendizagem na Educação a Distância?
Será que ela seria uma "educação em particular"?
Vamos tentar resolver
este problema por partes. Primeiro, vamos esclarecer alguns pontos
obscuros com relação à Educação
a Distância. Ela é realmente algo particular no processo
educativo?
A EAD, para autores
como Jonassen (1996), Garrison (1993) e Shale (1990,1996), tem como
pressupostos ou como base de suas propostas, as mesmas bases da educação
presencial.
O que isso significa?
Significa que as compreensões
acerca dos processos de desenvolvimento do conhecimento e do ensino/aprendizagem
ocorrem a partir dos mesmos princípios epistemológicos
que dão base ao sistemas presenciais de ensino.
Isto quer dizer que
podemos pensar em sistemas de aprendizagem desenvolvidos através
da EAD de caráter inatista, empirista ou interacionista (considerando
as matrizes mais amplas sobre esse assunto)? De que maneira?
Em primeiro lugar,
gostaria de esclarecer que se confundem muito as possibilidades de
uso da EAD com sistemas de ensino mais interativos e democráticos
como se a modalidade, por si só, pudesse estabelecer novas
práticas educativas. Aparici(1999) nos explica que grande parte
desse tipo de percepção tem a ver com a idéia
bastante "fetichizada" de que com o uso mais intenso das novas tecnologias
da informação e comunicação boa parte
dos problemas relativos à EAD estariam solucionados, uma vez
que nessa modalidade de ensino tal uso é mais freqüente.
No entanto, é possível afirmar que, por exemplo, caso
pensemos em sistemas cuja concepção esteja embasada
na idéia de que alunos e professores irão, apenas, reproduzir
os conhecimentos já estabelecidos, ainda que mediados tecnologicamente,
teremos como resultado, sem dúvida nenhuma, um sistema de ensino
bastante empobrecido, logo bastante limitador quanto às suas
possibilidades de interação, interlocução
e diálogo.
No entanto, se trabalharmos
com a idéia de que alunos e professores vivem e experienciam
diferentes formas de relações entre o vivido e o pensado,
nossa postura, ou melhor, nossa forma de perceber como o conhecimento
é produzido será completamente distinta daquela apontada
anteriormente.
Assim podemos pensar
em sistemas de EAD mais ou menos diretivos, ou em sistemas em que
alunos e professores construam, processualmente, conhecimentos.
Onde isto estará
expresso?
Nos projetos político-pedagógicos
que definem com quem trabalhar, a partir de que objetivos e quais
serão as bases metodológicas de desenvolvimento dos
processos ensino/aprendizagem. Pois, todo e qualquer projeto político-pedagógico
define uma concepção de aprendizagem, o que inclui também
uma visão de avaliação.
Na visão de
Neder (1996), a avaliação educacional transcende, sempre,
os aspectos ligados ao rendimento escolar, estando vinculada a políticas
e programa educacionais.
E a EAD, como se configura
neste quadro?
Como bem sabemos, a
EAD é uma modalidade de ensino que pressupõe o rompimento
da relação "face-a-face" entre alunos e professores.
Como é uma modalidade de ensino que tem por base este fato,
elementos como os meios de comunicação, os materiais
didáticos, a tutoria acadêmica, entre os elementos mais
importantes neste tipo de sistema, assumem um papel central nos processos
educativos (em função da necessidade de mediá-los).
Isto não significa que os sistemas constituídos para
um processo de ensino/aprendizagem baseado na EAD, impliquem novas
formas de aprendizagem. Significa, simplesmente, que novos ambientes
de aprendizagem podem se constituir de maneira independente da relação
professor/aluno que conhecemos. Assim quando tratamos da EAD, estes
novos ambientes devem ser considerados também no processo avaliativo.
Desta maneira, material didático, meios de comunicação,
tutoria e organização de meios, acabam por influenciar
os processos de ensino/aprendizagem, sem no entanto, modificar seus
fundamentos epistemológicos.
O que defendo aqui
é a idéia de que na EAD os "novos" elementos a serem
considerados no processo avaliativo não modificam, substancialmente,
os processos de ensino/aprendizagem que conhecemos. Estes novos elementos,
apenas, ressignificam o denominado projeto político-pedagógico
de um curso desenvolvido através dessa modalidade seja ele
de que natureza for, considerando aí os processos de avaliação.
É neste sentido que Neder(1996) também aborda essa temática
em suas reflexões.
No entanto, a EAD apresenta
alguns problemas que lhe são específicos. Do ponto de
vista da avaliação da modalidade, um dos problemas mais
freqüentes diz respeito às altas taxas de abandono nos
cursos trabalhados através dessa modalidade. Poderíamos
afirmar que toda proposição de sistemas educativos baseados
na EAD deverá tomar isso como referência e, a partir
daí, indicar alternativas que venham, efetivamente, mudar isto.
Alonso e Preti(1996)
ao "tocarem" nesse assunto, o apontam como um dos problemas mais frequentes
na EAD, daí a necessidade de considerá-lo quando tratamos
da proposição de projetos e programas que se desenvolvam
através dessa modalidade de ensino. E, na visão dos
autores, elementos como o acompanhamento sistemático aos alunos,
a disponibilização de meios, o apoio institucional aos
estudantes, dentre outros, incidem, fortemente, na permanência
do público que se utiliza da EAD.
Exatamente por ser
reconhecido como um dos problemas no desenvolvimento da EAD, as taxas
de abandono são consideradas hoje como um dos indicadores na
análise da efetividade de sistemas de ensino não presenciais,
para Paul (1999) o êxito ou o fracasso desses sistemas estaria
centrado nesse tipo de avaliação.
Desde os anos de 1970,
quando a EAD é colocada como alternativa pedagógica,
suas concepções mudaram muito. Grande parte dessas mudanças
ocorreu, justamente, por se constatar que os modelos de EAD baseados
na economia de escala, no industrialismo didático, na massificação,
redundaram em fracassos bastante significativos, daí a necessidade
de se reconceituá-la (cf. Belloni, 1999). Desta maneira os
problemas já vivenciados e as proposições para
superá-los são aspectos a serem considerados no momento
de pensarmos nossos projetos e programas em EAD.
O que podemos observar
é que a proposição de sistemas alternativos de
ensino ou a constituição de novos ambientes de aprendizagem
que tenham por base a EAD pressupõem novos paradigmas educacionais.
A "velha escola", aquela onde todos faziam tudo ao mesmo tempo, partindo
do princípio de que todos podiam aprender tudo de maneira homogênea,
já não atende mais às necessidades dos tempos
atuais.
Vivemos um momento
histórico que coloca em "xeque" a maior parte das "certezas"
que se constituíram a partir do Iluminismo e da Modernidade,
incluindo-se aí a escola. Ou seja, a escola que conhecemos
não responde mais às necessidade de formação
que se pretende hoje e seus métodos, fundados na presencialidade
e na autoridade do professor, não permitem que, por exemplo,
profissionais possam continuar seus processos de estudo nas instituições
conhecidas para este fim.
Quando falamos de novos
processos de formação fazemos referência à
denominada "educação permanente" ou "continuada". Atualmente,
não se compreendem mais os processos educativos como processos
com começo, meio e fim. O que se tem colocado é a necessidade
de se pensar em sistemas educativos que possam atender às novas
demandas por formação que ultrapassem a escola fundamental,
o ensino médio e a formação superior, por isso
se discute hoje "como" possibilitar "aberturas educativas" que respaldem
diferentes "anseios formativos". Além disto, como "formar",
na atualidade, alunos que não tenham um mínimo de acesso
às denominadas novas tecnologias da informação
e comunicação? O que a sociedade nos propõe hoje,
é o repensar e o ressignificar os processos de ensino. Cada
vez mais se afirma a necessidade de trabalharmos processos educacionais
que tenham por base a colaboração e cooperação.
Neste sentido o uso das novas tecnologias da informação
e da comunicação poderia contribuir na reconfiguração
dos ambientes escolares, na medida em que seu uso pressupõe
a transcendência do espaço e do tempo na forma pelo qual
os conhecemos, inclusive os relacionados à escola.
O que isso tem a ver
com a avaliação?
Como afirma Jonassen
(1996, p.87): "É importante notar que a aprendizagem construtiva
estará comprometida somente se os alunos entenderem que serão
também avaliados construtivamente e exigirem que os métodos
da avaliação reflitam os métodos inseridos nos
ambientes de aprendizagem". Ainda que esta seja a única referência
à avaliação que o autor faz neste seu texto,
o que podemos evidenciar é que a avaliação será
determinada, em grande parte pela proposta educativa. Este autor trabalha,
basicamente, com a proposição do uso intensificado das
tecnologias da informação e comunicação
nos processos de formação. E, ao tratar da avaliação,
ele também traz "à tona" o problema da proposta pedagógica
que professores e alunos estarão vivenciando. O problema não
é pensar a tecnologia, o meio ou o recurso pedagógico,
mas o projeto político-pedagógico que dará sustentação
a isso. Parece que o nosso desafio na EAD será o de romper
a "casca" da relação direta professor/aluno, compreendendo
que o processo ensino/aprendizagem pode ser mediado por diferentes
meios tecnológicos e através de serviços tutoriais
preparados para este fim. São estes os elementos que comporão
os novos ambientes de aprendizagem, aqueles que ultrapassarão
a sala de aula convencional e cujos processos de avaliação
estarão determinados pelos projetos educativos e os objetivos
de formação que se queiram alcançar, determinando,
assim, seus critérios e instrumentos.
As notas aqui propostas
não têm o objetivo de "fechar" qualquer questão
sobre a Avaliação e a EAD, afinal acredito que nós,
os educadores, temos que resgatar nossos projetos educativos e, nesse
caso, a avaliação do processo ensino/aprendizagem seria
uma de suas dimensões. Deixo o convite para pensarmos a tão
"famigerada" e "amaldiçoada" avaliação do ensino/aprendizagem
(ou cognitiva) como uma ação que integra as dimensões
política, ética e curricular, entendendo que na EAD
os elementos que compõem um sistema não presencial de
ensino definiriam sua especificidade. E, que antes de tudo, não
temos que pensar a EAD como uma modalidade dissociada de um projeto
educativo, mas como uma forma de se organizar processos de formação,
submetidos a finalidades, fins, intenções... Ou melhor,
a um projeto de sociedade, logo, um projeto educacional.
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NOTAS:
- Professora do Departamento de Ensino
e Organização Escolar e Coordenadora do Núcleo
de Educação Aberta e a Distância na Universidade
Federal de Mato Grosso.
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