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Apresentação
Laura Maria Coutinho
1
Antes do cinema,
você olhava para a sua vida da mesma forma que um despreparado
ouvinte de um concerto ouve a orquestra executando uma sinfonia.
O que ele ouve apenas é a melodia principal, enquanto
que todo o resto se confunde num ruído geral. Somente
os que conseguem distinguir a arquitetura dos contrapontos de
cada trecho da partitura é que podem realmente entender
e apreciar a música. E é assim que vemos a vida:
só a melodia principal chega aos olhos. Mas um bom filme,
com seus close-ups, revela as partes mais recônditas
de nossa vida polifônica, além de nos ensinar a
ver os intrincados detalhes visuais da vida, da mesma forma
que uma pessoa lê uma partitura orquestral.2
Você entra numa sala
de cinema, apagam-se as luzes, ilumina-se a tela. Uma sucessão
de imagens, cores, luzes, sombras e sonoridades preenche o espaço
e você, junto aos personagens que compõem a história
que se desenrola à sua frente, reconstrói aquela narrativa
cinematográfica. Um filme é sempre visto como se fosse
a primeira vez, mesmo que você o tenha visto antes, ou ainda que
o veja depois. A linguagem cinematográfica conduz o espectador
a um tempo inaugural, sempre no presente. Primeiro a escuridão,
minutos depois a luz se faz. Tudo se passa, então, como se o
filme, ao apreender determinado tempo, pudesse transformá-lo
em um eterno presente. E é para esse presente que o espectador
é transportado a cada nova projeção. As pessoas
vão ao cinema em busca do tempo, do tempo perdido da história,
do tempo das muitas histórias que os filmes contam. Este, talvez,
seja o maior poder do cinema: o de enriquecer a experiência viva
e presente de uma pessoa3.
Por isso, posso dizer que o filme está sempre
no presente, mesmo quando procura retratar histórias acontecidas
em tempos remotos. Assim, o cinema inaugura uma maneira nova de estar
e de olhar para o mundo e, mais ainda, estabelece uma nova forma de
inteligibilidade. Depois do cinema, as pessoas passaram a contar com
um instrumento poderoso de conhecimento do mundo, de si próprias,
do comportamento humano, de lugares, de situações, da
história. Jamais o homem esteve tão exposto com todas
as suas virtudes e mazelas como no cinema.
Pela força que a imagem visual adquiriu, as
narrativas do cinema são aquelas que, em quantidade e intensidade,
povoam a imaginação de um número significativo
de pessoas; personagens de filmes passam a compor certo imaginário
coletivo, de tal forma que transcendem o universo ficcional e, como
figuras exemplares de virtudes ou de vícios, transitam pela vida
de quem anda pela cidade, pela escola, pela academia e institutos de
pesquisa, de quem vê televisão.
É, sobretudo, por meio do aparato televisivo
- emissoras com canais abertos e por assinatura e, ainda, com o videocassete
- que o cinema, os filmes e seus personagens expandiram as possibilidades
de exposição, alcançando níveis antes inimagináveis.
Se por um lado o cinema perdeu o requinte da projeção
em tela branca na sala escura, com acústica apropriada, com um
número reduzido de lugares, por outro ganhou a rua, a escola,
a casa, o ambiente de trabalho, a sala de espera.
Depois dessa pequena digressão,
retomo a reflexão que fazia sobre a linguagem do cinema, que
tem como elemento essencial a realidade, ainda que esta seja, quase
sempre, criada em estúdios. Algumas cenas de filme são
rodadas em ambientes naturais que não foram criados originalmente
para o cinema, mas servem como locais onde a narrativa se desenrola.
São as filmagens feitas em locações que podem estar
a quilômetros dos locais onde se passa a história que o
filme quer contar. As locações e os cenários artificiais
dos estúdios cinematográficos procuram reproduzir a realidade
com toda a verossimilhança possível. Mais do que uma realidade
composta de elementos reconhecidos, identificados, verdadeiros, o cinema
cria imagens e sons que possam construir para o espectador uma sensação
de realidade. Assim, o cinema cria uma linguagem que expressa o real,
com toda a multiplicidade de aspectos que o compõem. Muitos destes
aspectos não são vistos ou ouvidos objetivamente, são
apenas sugeridos. Alguns podem ser encontrados no espaço que
Gilles Deleuze chamou de extra-campo ou espaço-off4.
Para Pier Paolo Pasolini,
"o cinema não evoca a realidade como a língua da
literatura; não copia a realidade como a pintura; não
mima a realidade como o teatro. O cinema reproduz a realidade:
imagem e som! E reproduzindo a realidade, que faz o cinema então?
Expressa a realidade pela realidade."5
E é ainda a Pasolini, já em outro texto, que recorro para
falar desse novo olhar que o cinema cria: "Nada como fazer um filme
obriga a olhar as coisas. O olhar de um literato sobre uma paisagem,
campestre ou urbana, pode excluir uma infinidade de coisas, recortando
do conjunto só as que o emocionam ou lhe servem. O olhar de um
cineasta - sobre a mesma paisagem - não pode deixar, pelo contrário,
de tomar consciência de todas as coisas que ali se encontram,
quase as enumerando. De fato, enquanto para o literato as coisas estão
destinadas a se tornar palavras, isto é, símbolos, na
expressão de um cineasta as coisas continuam sendo coisas: os
signos do sistema verbal são portanto simbólicos
e convencionais, ao passo que os signos do sistema cinematográfico
são efetivamente as próprias coisas, na sua materialidade
e na sua realidade."6
O cinema é feito
de imagens e sons em seqüência e, embora se expressando por
meio da realidade, convencionou uma linguagem que revela um modo de
ver completamente artificial, criado através do olhar ciclópico
das câmeras e de todo o aparato tecnológico que está
presente desde o momento da captação das imagens até
o instante em que surgem, iluminando as telas e contando todos os tipos
de dramas, comédias, tragédias, reais ou fictícias.
As inúmeras possibilidades do olhar que câmera criou, as
múltiplas formas de aproximação e distanciamento
que vão dos enormes planos gerais ao close-up7,
os enquadramentos e movimentos
que as novas tecnologias de captação de imagens permitem,
quando percorrem grandes distâncias indo de um ponto de vista
a outro na mesma tomada, deram origem à linguagem cinematográfica
atual e, ao mesmo tempo alteraram irreversivelmente a própria
percepção visual das pessoas e por isso a própria
realidade em que vivem.
Tudo isso acontece
no mesmo espaço 4x3 das telas, que permanece inalterado enquanto
coisas, pessoas, detalhes aumentam ou diminuem à frente do espectador,
que está acostumado com a forma de expressar que o cinema inventou,
pois já nasceu mergulhado nesse universo de imagens criadas pela
linguagem cinematográfica. As cabeças decepadas
do início do cinema já não surpreendem mais8.
Porque o espectador aprendeu, cedo, como todas as pessoas com as quais
convive, a decifrar os códigos do cinema que perpassam as relações
da sociedade contemporânea.
Todo espectador é
capaz de perceber, identificar e reconstituir, por inteiro, a imagem
que se apresenta fragmentada na tela, um big close é hoje
tão natural quanto qualquer figura que aparece inteira
na tela. Posso dizer que é natural apenas no cinema, pois essa
não é uma experiência que as pessoas possam ter
sem contar com os aparatos de captação e tratamento de
imagem - câmera, lentes, gravadores, editores. A linguagem cinematográfica
é o resultado de um processo de elaboração que
envolveu muitas escolhas e precisou de certo tempo para tornar-se a
linguagem global que é hoje. Jean-Claude Carrière9
conta que, no início do cinema, para que espectadores entendessem
a narrativa, havia a figura do explicador, uma pessoa que, postada
ao lado da tela, ia fazendo a relação entre as imagens
e contando a história.
Ninguém vê enquadrado, ou mesmo
se aproxima de tal maneira de coisas e pessoas para captar determinados
detalhes que compõem muitas narrativas fílmicas. São
lentes especiais que realizam esse trabalho. Essa naturalização
da linguagem faz que não haja uma maior preocupação
com ela. Ver um filme é algo trivial para alguém que nasceu
no século passado. O olhar enquadrado é parte essencial
e corriqueira do viver contemporâneo, mas requer uma infinidade
de técnicos e profissionais e movimenta uma indústria
poderosa que lança, no mercado dos consumidores de histórias,
uma profusão cada vez maior de narrativas, procurando atender
a todos os gêneros e gostos.
Um filme é feito de tudo o que vemos estampado
na tela e ouvimos pelas caixas de som, mas também por tudo o
que os cortes que conduzem o olhar do espectador de uma para outra cena
evocam. Os vazios entre os planos supõem uma supressão
temporal e abrem o espaço para a imaginação do
espectador. Por isso, talvez, o procedimento da montagem do filme é
chamado de específico fílmico, ou seja, aquilo
que faz do cinema, cinema. Traduz a essência da linguagem cinematográfica
e diferencia o cinema da realidade da qual se destaca e se separa.
A realidade, diz Pasolini,
seria um plano-seqüência infinito e o filme, ao contrário,
um plano-seqüência finito; começa, desenvolve e termina10.
O filme é feito de tudo o que se oferece à visão
e, igualmente, do que não será visto. Algumas coisas serão
apenas sugeridas e irão compor os vazios, os intervalos que,
no cinema, são tão significativos quanto o que as imagens
e sons explicitam. É nesse intervalo que os sentidos conversam:
o sentido do filme que o diretor quis expressar e o sentido acrescido
de quem vê. Assim, posso dizer também que o filme é
sempre uma obra aberta. Não se presta a uma única interpretação.
Pode ser visto e revisto de várias maneiras, tudo fica a depender
do contexto, da capacidade, do interesse, das expectativas de quem vê.
O cinema cria uma linguagem específica, portanto,
uma inteligibilidade peculiar. Assim, ao pensar o cinema, a escola pode
também refletir sobre a educação que realiza, os
métodos, o programa e até mesmo a sua organização.
Como os filmes - e com eles a linguagem cinematográfica -, chegam
à escola, à sala de aula, aos ambientes educacionais?
Esta é a questão básica que permeia esta série
de programas em que vamos discutir as possíveis relações
do cinema com a educação. Nesta série, vamos nos
dedicar, prioritariamente, aos filmes produtos da cultura, manifestações
estético-culturais, obras abertas e que, portanto, não
foram pensadas para a escola ou para a educação. Filmes
dessa natureza são realizados para um público muito amplo,
para a massa heterogênea de pessoas que vão ao cinema,
vêem televisão e assim consomem os produtos da indústria
cultural.
Como produtos dessa indústria, os filmes não
foram pensados para atender a determinados requisitos que a educação
realizada pela escola exige: a adequação a um conteúdo
predeterminado, à seriação, às especialidades,
às disciplinas, aos horários. A educação
escolar ainda está, em grande parte, centrada na escrita e na
oralidade das aulas expositivas que os professores ministram. Assim
o filme - imagem e som - chega ao ambiente escolar como ilustração,
anexo, acessório do texto que, ainda, é o mais forte referencial
para a escola, mesmo com todo o vigor que a linguagem audiovisual adquiriu
na sociedade contemporânea.
O cinema já nasceu
com certa vocação científico-educacional para além
dos espetáculos e curiosidades dos vaudevilles do início
do século XX11.
O cinema documentário e a tradição dos filmes etnográficos
confirmam essa tendência. No Brasil, o diálogo cinema e
escola tem o seu mito de origem: Humberto Mauro e o Instituto Nacional
do Cinema Educativo - INCE, criado em 1936 por Roquette Pinto. Nada
como um filme que se leve para a sala de aula nos obriga a olhar para
a escola. Posso dizer que era essa a preocupação dos criadores
do INCE: que educação é essa que estamos promovendo,
no cinema, na televisão, na sala de aula? Como o cinema pode,
em realidade e magia, penetrar o universo educacional da sala de aula?
Como seria uma escola que também pudesse se expressar na língua
do cinema e não somente na língua dos livros? Essas questões
parecem persistir depois de tanto tempo e de tantas experiências.
A TV Escola não tem fugido a essas questões, pelo contrário,
as vem recolocando de novas maneiras, buscando sempre sob novos enfoques
que esse diálogo se concretize.
O cinema, com o seu aparato tecnológico
apropriado para documentar, encenar e narrar histórias, construiu
uma nova maneira de olhar para o mundo e, com isso, estabeleceu uma
forma peculiar de inteligibilidade e conhecimento. Esta série,
que será apresentada de 3 a 7 de junho, no programa Salto para
o Futuro, da TV Escola, constitui-se de cinco programas dedicados a
refletir as relações possíveis entre o cinema e
a escola, entre a linguagem cinematográfica e a educação.
Esta reflexão deverá acontecer, prioritariamente,
em salas de aula. Sobretudo após a apresentação
dos filmes. Pouquíssimas escolas podem contar com salas apropriadas
para sessões de cinema. Tampouco as escolas têm se organizado
para a recepção de novas linguagens. O tempo recortado
das aulas quase sempre não permite que os filmes sejam vistos
na sua integralidade. Há uma incompatibilidade temporal entre
o cinema e a escola que talvez pudesse ser superada com um pouco de
boa vontade e determinação.
Os filmes, na escola, chegam, em geral, por meio do
videocassete e da televisão, sendo vistos em telas menores. Mas,
se perde em tamanho e concorre com as imagens da própria sala,
pois os ambientes nem sempre podem ser escurecidos, ganha em público
que se amplia a cada nova projeção. Muitas pessoas somente
terão acesso a certos filmes se eles estiverem presentes nas
salas de aula. Ademais, o videocassete permite, para o bem ou para o
mal, que o filme seja "decupado" a critério de quem
o assiste. As imagens podem ser facilmente vistas e revistas. Ver filmes
e as imagens que eles propõem deve ser um exercício de
liberdade, uma fruição. Sem isso o cinema estará
reduzido à mera ilustração de conteúdos
curriculares e pouco dirá ao aluno. Cinema é a arte da
vida e talvez possa se constituir em um grito que desperte professores
e alunos para uma nova visão educativa, na qual os tradicionais
e os modernos métodos de ensinar e aprender possam fundir-se
em novas possibilidades expressivas.
Bibliografia
Almeida, Milton José de. Imagens
e sons: a nova cultura oral. São Paulo: Cortez,
1994.
O livro trata as linguagens audiovisuais
do cinema e da televisão como produtos de uma nova
cultura e suas relações com a educação.
Em um primeiro momento, aborda a linguagem audiovisual do
ponto de vista da sua constituição na moderna
sociedade oral e, depois, a sua tradução em
alguns filmes contemporâneos.
Canevacci, Massimo. Antropologia da comunicação
visual. São Paulo: Brasiliense, 1990.
Aborda a sociedade contemporânea
com o estranhamento próprio dos antropólogos.
Busca mostrar, de maneira singular, as imbricadas relações
entre a linguagem audiovisual, a cultura e a sociedade moderna.
Carrière, Jean-Claude. A linguagem
secreta do cinema. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1995.
Desvela com muita propriedade a linguagem
do cinema da perspectiva do roteirista, ou seja, de quem escreve
o que será filmado. Constrói uma narrativa que
leva o leitor a uma compreensão profunda da linguagem
cinematográfica.
Costa, Flávia Cesarino. O primeiro
cinema: espetáculo, narração, domesticação.
São Paulo: Scritta, 1995.
Focaliza os primórdios do cinema,
um período muito pouco conhecido. Procura desvelar
as suas origens, situando os processos que constituíram
a linguagem cinematográfica.
Pasolini, Pier Paolo. Empirismo Hereje.
Lisboa: Assírio e Alvim, 1981.
O livro no qual Pasolini constrói
as suas teorias sobre linguagem, mais especificamente a linguagem
cinematográfica.
Tarkoviski, Andrei. Esculpir o tempo.
São Paulo: Martins Fontes, 1998.
O livro é uma reflexão
poética do cineasta sobre o cinema, o ato de filmar,
as imagens, os sons, o tempo, o espaço. A realização
cinematográfica e os elementos que a constituem.
Viany, Alex. Humberto Mauro: sua vida,
sua arte, sua trajetória no cinema. Rio de Janeiro:
Artenova/Embrafilme, 1978.
Trata-se de uma coletânea de textos
e imagens da vida do cineasta Humberto Mauro.
Xavier, Ismail. (org.) A experiência
do cinema. Rio de Janeiro: Graal/Embrafilme, 1983.
Trata-se de uma antologia que reúne
os principais estudiosos da linguagem cinematográfica.
Introduz o leitor a diferentes concepções de
cinema.
Sites
www.cineduc.org.br - Site com rica produção
na área do cinema e educação, abrangendo
aspectos da história do cinema e de atualidades. Instituição
que se dedica a ensinar linguagens audiovisuais para crianças
e adolescentes.
www.kinedia.hpg.ig.com.br - Divulga informações
gerais sobre cinema.
www.cenaporcena.com.br - Apresenta
links de entrada para várias instituições
e assuntos relativos a cinema.
www.revbravo.com.br - Site da Revista
Bravo que trata dos múltiplos aspectos do audiovisual,
com ênfase no cinema e na televisão.
www.classicvideo.com.br - Site onde é
possível encontrar para encomenda filmes que não
existem em muitas locadoras.
www.casacinepoa.com.br - Site que divulga
as atividades da Casa de Cinema de Porto Alegre e, ainda, artigos
e sinopses de filmes.
www.studium.iar.unicamp.br - Site do Instituto
de Artes da Unicamp. Divulga atividades e artigos sobre arte,
incluindo audiovisual, cinema e televisão.
NOTAS:
- Professora da Faculdade de Educação da Universidade
de Brasília, Doutora em Educação na área
"Educação, Conhecimento, Linguagem e Arte"
pela UNICAMP. Consultora desta série.
- Balázs, Bela. A face das coisas. Em: Xavier, Ismail. (org.)
A experiência do cinema. Rio de Janeiro: Graal/Embrafilme,
1983, p. 90.
- Ver o livro de Andrei Tarkoviski. Esculpir o tempo. São
Paulo: Martins Fontes, 1998.
- O extra-campo pode ter duas naturezas distintas: "um aspecto
relativo, através do qual um sistema fechado remete no
espaço a um conjunto que não se vê e que pode,
por sua vez, ser visto, com o risco de suscitar um novo conjunto visto,
ao infinito; um aspecto absoluto, através do que o sistema
fechado se abre para uma duração imanente ao todo do
universo, que não é mais um conjunto e não pertence
à ordem do visível". Deleuze, Gilles. Cinema:
a imagem-movimento. São Paulo: Brasiliense, 1985, p.29.
- Pasolini, Pier Paolo. Empirismo Hereje. Lisboa: Assírio
e Alvim, 1982, p. 107.
- Pasolini, Pier Paolo. Gennariello: a linguagem pedagógica
das coisas. In: Os jovens infelizes: antologia de ensaios corsários.
São Paulo: Brasiliense, 1990.
- Plano para a linguagem cinematográfica pode significar duas
coisas: primeiro a composição de cada imagem que, de
acordo com enquadramento e distância do assunto, pode ser classificada
em: plano geral, plano de conjunto, plano americano, primeiro plano,
plano detalhe; e, ainda, o espaço-tempo contido em uma única
tomada.
- Massimo Canevacci, citando Béla Balàzs diz que este
"usa palavras cheias e comoção para descrever a
'descoberta' do primeiro plano, por ele atribuída a D.W. Griffith,
que inventou também a montagem alternada. Graças à
fisionômica, o cinema exalta a correspondência entre os
sentimentos interiores até os mais escondidos do homem e os
traços do rosto: os movimentos da alma impressos, 'marcados'
no código facial que, de tal modo, se torna a máscara
da tela. (...) No primeiro plano freqüentemente está a
dramática revelação daquelo que realmente
se esconde na aparência do homem." Antropologia
da comunicação visual. São Paulo: Brasiliense,
1990.
- Carrière, Jean-Claude. A linguagem secreta do cinema.
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1995.
- Pasolini, Pier Paolo. Empirismo Hereje. op.cit.
- Ver Costa, Flávia Cesarino. O primeiro cinema: espetáculo,
narração, domesticação. São
Paulo: Scritta, 1995.
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