ARTE E MATEMÁTICA NA ESCOLA

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Apresentação

EDITE RESENDE VIEIRA 1
ELOÍSA SABÓIA RIBEIRO 2


"As Ciências começam a estabelecer novos diálogos com as artes, os mitos, as imagens, as espiritualidades e as formas de conhecimento produzidos pela espécie humana, em espaços e tempos também distantes uns dos outros; isto é, estão promovendo uma proliferação de pontos de vista sobre o conhecimento, indispensáveis para que o conhecimento possa evoluir."

Mauro Cerutti

A Série Arte e Matemática na escola, que será apresentada pela TV ESCOLA, no Programa Salto para o Futuro, de 05 a 09 de agosto de 2002, é constituída por cinco programas que pretendem oferecer um espaço de reflexão, interação e discussão sobre as múltiplas relações matemáticas existentes nas diversas linguagens artísticas - Artes Visuais, Literatura, Música, Teatro e Dança -, assim como sobre as complexas relações artísticas presentes na linguagem matemática. O Salto para o Futuro pretende propiciar um diálogo com a premiada série Arte e Matemática, uma realização da TV Escola/MEC - TV Cultura (2000), composta de 13 programas que mostram as relações entre Matemática e Arte nos mais variados meios e expressões.

Mas o que será que a Arte tem a ver com a Matemática?

E o que isto pode ter a ver com a Educação?

Estas são as questões centrais que norteiam a dinamização dos programas, objetivando também discutir possibilidades de projetos e atividades que abordem o ensino e a aprendizagem da Matemática e da Arte, numa perspectiva fora dos padrões dos livros didáticos, isto é, a possibilidade de encararmos tais conhecimentos de forma contextualizada e significativa, presentes num cotidiano escolar esteticamente valorizado, passível de interpretação, crítica e expressão pelo alunado.

Desde os Primeiros Tempos, temos registros de manifestações artísticas e matemáticas no comportamento humano.

O pensamento matemático expressava-se, com certeza, até na escolha da caverna, onde, intuitivamente, a proporcionalidade entre o espaço disponível e o número de habitantes do grupo era levado em consideração. Teria sido este o início da arquitetura?

O pensamento artístico dominava magicamente os desafios da natureza. A arte era produzida pelo homem caçador, que desenhava bisões e mamutes, registrando suas marcas nas paredes das cavernas, como forma de domínio, poder e força.

Havia também a construção de armas, instrumentos e utensílios em pedra, ossos e troncos, em que as relações entre as formas, suas dimensões, volumes e usos são evidentes para nós. São precisões, igualdades e variações que afloram ao nosso olhar, símbolos e padronagens que desafiam a harmonia e o ritmo plástico.

Fica-nos a questão: Até onde Matemática? Até onde Arte? Faz sentido tal separação?

Ao longo da história, acompanhando as transformações, o mito, a ciência e a arte surgem como formas de organização dos diferentes saberes e como modos de transformação da experiência humana.

Em decorrência de grandes marcos da história da humanidade, como o apogeu das ciências, o processo de industrialização e, mais tarde, o surgimento da tecnologia, o conhecimento fragmentou-se cada vez mais, resultando numa intensa disciplinarização com o surgimento de objetos de estudo, métodos e conteúdos específicos o que produz seus efeitos até os nossos dias, em especial em nossa educação.

Entender o surgimento da Arte e da Matemática nos diferentes contextos culturais da história da humanidade, como formas de o homem pensar-se e expressar-se em seu tempo histórico, respondendo às questões sociais, históricas, políticas e culturais que o mundo lhe impunha, configura-se como o primeiro passo para sermos capazes de lançar um novo olhar à contemporaneidade.

As múltiplas relações existentes entre os saberes de nosso tempo sensibilizam-nos para a complexidade do conhecimento humano, denunciando e fazendo-nos reconhecer o quanto são tênues as fronteiras existentes entre as descobertas científicas, as invenções matemáticas e tecnológicas e as produções das diferentes linguagens artísticas.

E foi partindo do princípio de que o conhecimento humano não é só múltiplo como também complexo, reunindo fazeres e pensares de todos os tipos - religiosos, artísticos, científicos, míticos e cotidianos - que nos propusemos a nos aventurar pela história do homem e de suas produções, buscando pistas, indícios e evidências do quanto a Arte e a Matemática sempre caminharam e do quanto caminham juntas até os dias de hoje, ajudando-nos a produzir novas respostas ao mundo imagético, globalizado e cibernético em que vivemos.

Mas onde poderemos identificar as relações entre a Arte e a Matemática?

Isto seria possível de acontecer na escola ?

À Escola, levamos o desafio de um ensino de Matemática provido de significado para o aluno, de forma a desempenhar um papel formativo - por desenvolver competências lógico-matemáticas, funcionais - por ajudar na resolução de problemas do dia-a-dia, e instrumental - por fazer conexões com outras áreas curriculares.

Em Arte, trazemos à discussão a necessidade de pesquisarmos sobre as imagens, os sons, as palavras e os gestos, para aprender com eles, com os mundos que eles representam e com a vida das pessoas que se relacionaram e/ou que continuam a se relacionar com eles; é a importância e o direito de aprender a interpretar a cultura de seu tempo/espaço, com a amplitude de informações e conhecimentos sobre outros tempos/ espaços. Nossos alunos em geral têm acesso a produções artísticas dos mais diferentes tipos, através do computador, da TV, do rádio, do vídeo, dos games, do cinema, dos out-doors das ruas, dos artesanato das feiras populares, dos jornais, das revistas e de tantas outras fontes... Por que não nos apropriarmos desta riqueza na escola?

Entendendo a arte enquanto linguagem, acreditando na aprendizagem de sua leitura e de sua produção, enquanto pensamento, expressão e comunicação, estaremos desenvolvendo eixos organizadores e estruturadores de subjetividades e de aquisição de novos saberes. Mais que isto, estaremos desenvolvendo uma política educacional capaz de reconhecer, valorizar e respeitar diferenças e singularidades - aspecto fundamental para a sociedade em que vivemos.

"O que a arte na escola principalmente pretende é formar o conhecedor, fruidor, o decodificador da arte. Uma sociedade só é artisticamente desenvolvida quando ao lado de uma produção artística de alta qualidade há também uma alta capacidade de entendimento pelo público.

Desenvolvimento cultural, que é a alta aspiração de uma sociedade, só existe com desenvolvimento artístico neste duplo sentido."

Ana Mae Barbosa

Aos professores, fica o convite para este caminhar conjunto, repensando e trocando práticas educativas a cada passo, como forma de sugerir às novas gerações caminhos em constantes mudanças: a vida.

E, neste sentido, por que não ARTE e MATEMÁTICA? ou MATEMÁTICA e ARTE?

 

Referências bibliográficas:

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NOTAS:

  1. Licenciada e Bacharel em Matemática. Especialista em Informática Educativa, em Metodologia do Ensino Superior, Mestranda em Educação e Professora do Colégio Pedro II -RJ. Consultora dessa série.
  2. Pedagoga, Licenciada em Educação Artística. Especialista em Didática do Ensino Superior, em Educação Artística, em Teoria da Arte e em Tecnologia da Imagem. Mestre em Educação. Professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e do Colégio Pedro II - RJ, Diretora do Espaço Cultural do Colégio Pedro II, Coordenadora e Professora da Pós-Graduação em Ensino da Arte das Faculdades Bennett. Consultora dessa série.