Em um cenário
de profundas transformações, de queda de verdades
tidas como universais e eternas (crise ética e epistemológica);
de internet e clonagem (avanços tecnológicos); de
reestruturação produtiva, de reforma do Estado, de
desemprego estrutural e de desconfiança na democracia representativa
(crise econômica e política), a instituição
escola pública vem sendo intensamente discutida, criticada
e exigida a cumprir com um papel sociopedagógico que ultrapasse
a questão quantitativa: de aumentar o número de vagas.
O mote dos debates gira em torno da qualidade que o sistema educacional
precisa oferecer à comunidade, para que esta possa se inserir
de forma ativa, consciente e competente nesse mundo paradoxal do
terceiro milênio.
Assim, garantir as
aprendizagens de qualidade social tem sido a maior preocupação
dos sistemas educacionais e dos centros produtores de conhecimento
desse país, se considerarmos que historicamente o fracasso
escolar (altos índices de repetência, evasão
e analfabetismo funcional) vem marcando tragicamente a trajetória
da educação brasileira.
Esforços de
vários sujeitos e de diversas ordens são feitos para
contribuir na construção de alternativas que venham
produzir mudanças estruturais na escola como um todo e na
prática pedagógica do professor e da professora em
particular. No campo teórico, há uma forte investida
no desenvolvimento de pesquisas que fomentem novos paradigmas educacionais,
que se centrem na garantia das aprendizagens dos alunos e das alunas
para constituição de suas cidadanias, de suas emancipações.
Desse esforço vêm tomado corpo, entre outros, os paradigmas
da Pedagogia da Autonomia (Freire, 2000) e da Pedagogia
Diferenciada (Perrenoud, 1999). Estes objetivam a construção
de uma humanidade nos educandos que os leve a se reconhecerem como
sujeitos históricos construtores de realidade social, através
de uma pedagogia que não seja indiferente às diferenças
que permeiam a sala de aula, o contexto sócio-educacional.
Uma pedagogia que favoreça o diálogo, a mediação
entre as várias histórias de vida que a escola acolhe
em função da edificação de uma sociedade
mais justa, eqüitativa e ética.
Essas emergentes
abordagens pedagógicas exigem uma prática educativa
que considere as diferentes subjetividades dos aprendentes que,
conseqüentemente, desenvolvem formas e ritmos diversos de aprendizagens.
Reconhecer a historicidade dos educando é comprometer-se
em resgatá-la, como referência para elaboração
do trabalho pedagógico, sua efetivação por
meio do ensino e das aprendizagens e do processo de avaliação.
Desenvolver novas
formas de elaborar e efetivar o fazer docente torna-se um imperativo
do trabalho pedagógico do professor e da professora. Descobrir
quem são os alunos, o que sabem sobre os conteúdos
curriculares, como aprendem e o que é necessário para
contribuir na construção de sua cidadania são
os desafios centrais para o educador organizar e materializar a
sua práxis docente.
Surge, então,
a necessidade de novas maneiras de sistematizar a prática
educativa. Nessa situação, um dos elementos do trabalho
docente é foco de muito debate: a avaliação
do ensino e das aprendizagens. Em um cenário em que a forma
de planejar e materializar o fazer docente está sendo diversificada,
para não ser indiferente aos diferentes percursos de aprendizagem
dos educandos, a maneira de avaliar também precisa ser repensada.
Em outras palavras, o entendimento do que seja avaliação
urge que seja revisado para que se produzam novas práticas
avaliativas mais condizentes com o Paradigma das Aprendizagens
Significativas.
Os professores e
as professoras se perguntam: como implementar um processo avaliativo
que não seja terminal, punitivo, classificatório,
seletivo e excludente? Que não tenha como centralidade a
nota? Como avaliar a partir das emergentes formas de ensinar? Como
fazer da avaliação um processo/instrumento de acompanhamento,
mediação, diálogo e intervenção
mútua entre o ensino e as aprendizagens? Como usar do processo
avaliativo para reorientar a prática docente e conscientizar
os educandos de seu percurso de aprendizagem? Até que ponto
as áreas específicas do currículo exigem práticas
avaliativas diferenciadas? Estas e outras perguntas denunciam que
os profissionais da educação possuem a vontade de
desenvolver um trabalho pedagógico de qualidade social, como
também deixa clara a precisão de se reformular a sua
formação inicial e continuada, para atender aos novos
imperativos do fazer docente.
Pensando na contribuição
que um Programa como o Salto para o Futuro pode dar à discussão
e ao aprofundamento de uma prática pedagógica diversificada
e sua repercussão no conceber e no fazer avaliativo, possibilitando
aos profissionais da educação refletirem de forma
consistente e sistemática sua prática, será
apresentada, de 9 a 13 de setembro, uma série de cinco programas
acerca da temática: Avaliação e aprendizagens
significativas.