EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
 
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Apresentação

Miriam Orensztejn*

De 10 a 15 de setembro de 2001, a TV Escola estará veiculando, no programa Salto para o Futuro, a série Educação de Jovens e Adultos: novas perspectivas. São cinco temas candentes a serem cuidadosamente abordados durante a semana: 1. As Diretrizes Curriculares para a Educação de Jovens e Adultos e o projeto pedagógico; 2. O processo de aprendizagem de Jovens e Adultos; 3. O que levar em conta para que a aprendizagem ocorra; 4. Contextos de letramento na alfabetização de Jovens e Adultos; 5. O que levar para a sala de aula para ler e escrever Língua Portuguesa.

Estes temas foram selecionados para subsidiar a discussão sobre alguns conteúdos essenciais para a alfabetização e pós-alfabetização de jovens e adultos, além de contribuir para a reflexão sobre o contexto atual no qual se insere a Educação de Jovens e Adultos a partir das Diretrizes Curriculares Nacionais para essa modalidade de ensino.

A discussão sobre esses temas é fundamental, sobretudo porque as pesquisas sobre a aprendizagem da leitura e da escrita das duas últimas décadas nos impõem a necessidade de compreender como se dá o processo de aprendizagem dos jovens e adultos e como poderia ser o processo de ensino voltado para uma educação integral, que considere os aspectos sociais, afetivos e cognitivos dos alunos. Sendo assim, os programas pretendem aprofundar algumas questões centrais relacionadas a esses conteúdos.

No que as propostas das Diretrizes Curriculares podem contribuir para um novo paradigma do projeto pedagógico da escola na Educação de Jovens e Adultos? Qual a formação que devem ter esses alunos para que possam exercer plenamente sua cidadania e usufruir os benefícios da sociedade moderna? Que instrumentos precisam dominar? Qual a diferença entre o Ensino Supletivo e a Educação de Jovens e Adultos hoje proposta? Quem é esse profissional da Educação de Jovens e Adultos? Que tipo de formação ele deve ter para que os alunos tenham sucesso em sua aprendizagem? Os alunos adultos continuam a aprender na fase adulta? Como se dá esse processo? O que é preciso considerar para se criar uma boa situação de aprendizagem? O que é um contexto de letramento e por que ele é fundamental na Educação de Jovens e Adultos? É possível alfabetizar com textos de uso social? Estas são algumas questões que a série colocará no centro do debate.

Sabemos que durante muito tempo os profissionais da Educação de Jovens e Adultos eram em grande parte leigos, sua principal tarefa era a de ensinar a decifração do código escrito e, portanto, o papel da escola se restringia a esse aspecto. Por volta dos anos 60, a percepção do aluno jovem e adulto como sujeito de sua aprendizagem, problematizando a realidade na qual se inseria, deu origem a uma proposta de alfabetização conscientizadora. O contexto político pós-64 refreou essas iniciativas, retomando o assistencialismo e as práticas mecanicistas. Mas grupos dedicados à educação popular deram continuidade a experiências críticas no âmbito de Educação de Jovens e Adultos. Hoje, também sabemos que o desafio dos profissionais que atuam nessa área está relacionado a oportunizar a esses alunos o acesso à cultura letrada que lhes possibilite participar ativamente da esfera política, cultural e do trabalho. Isso implica necessariamente a revisão do papel da escola, do professor, nas novas concepções de ensino e aprendizagem, dos conteúdos a serem abordados nesses processos.

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NOTAS

* Pedagoga (PUC-SP); Psicopedagoga (Instituto Sedes Sapientae); Consultora do MEC; Consultora desta série.